Parte Geral
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Parte Geral


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pelo outro 
contratante, vem a assumir obrigação demasiadamente onerosa. 
Da lesão 
Vício decorrente do abuso praticado em situação de desigualdade de um dos contratantes, por estar sob 
premente necessidade, ou por inexperiência, visando a protegê-lo.85 Ante o prejuízo sofrido na conclusão do 
contrato, devido à desproporção existente entre as prestações das duas partes, dispensando-se a verificação do dolo 
ou má-fé da parte que se aproveitou. Neste sentido a III Jornada de Direito Civil: 
Art. 157: A lesão de que trata o art. 157 do Código Civil não exige dolo de aproveitamento (Enunciado n. 
150). 
A desproporção das prestações, ocorrendo lesão, deverá ser apreciada segundo os valores vigentes ao tempo 
da celebração do negócio jurídico pela técnica pericial e avaliada pelo magistrado. Se a desproporcionalidade for 
superveniente à formação do negócio, será juridicamente irrelevante. 
A lesão (causa concomitante) inclui-se entre os vícios de consentimento e acarretará a anulabilidade do 
negócio, permitindo-se, porém, para evitá-la, a oferta de suplemento suficiente, ou, se o favorecido 
concordar, a redução da vantagem, aproveitando, assim, o negócio.
86
 
Fraude contra credores 
Segundo a lei: \u201cOs negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já 
insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores 
quirografários, como lesivos dos seus direitos. Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. 
Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação deles.\u201d87 Neste vício a vítima não 
participa do ato, mas sofre suas conseqüências. 
Vislumbra-se prática maliciosa, realizada pelo devedor, de atos que desfalcam seu patrimônio, com o fim de 
colocá-lo a salvo de uma execução por dívidas em detrimento dos direitos creditórios alheios. Dois são seus 
elementos: o objetivo (eventus damni), que é todo ato prejudicial ao credor, por tornar o devedor insolvente ou por 
ter sido realizado em estado de insolvência,88 ainda quando o ignore ou ante o fato de a garantia tornar-se 
insuficiente; e o subjetivo (consilium fraudis), que é a má-fé, a intenção de prejudicar do devedor ou do devedor 
aliado a terceiro, ilidindo os efeitos da cobrança. 
A fraude contra credores, que vicia o \u2018negócio\u2019 de simples anulabilidade,somente é atacável por ação pauliana 
ou revocatória, movida pelos credores quirografários (sem garantia suficientes para resguardar o crédito), que já o 
eram ao tempo da prática desse ato fraudulento que se pretende invalidar. O credor com garantia real (penhor, 
hipoteca ou anticrese) para o ajuizamento da ação pauliana prescinde de prévio reconhecimento judicial da 
insuficiência da garantia.89 
 
84 \u201cArt. 156 do Código Civil. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua 
família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. 
 Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias.\u201d 
85 Art. 157, Código Civil. 
 
86 Art. 157, § 2º, Código Civil. 
 
87 Art. 158 do Código Civil. 
 
88 Art. 748 do Código de Processo Civil. 
 
89 Enunciado n. 151 da III Jornada de Direito Civil. 
 
Direito Civil 
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A ação pauliana é uma ação de natureza pessoal e por esse motivo independe de outorga conjugal 
para seu exercício. 
Simulação 
 
Consiste na declaração enganosa da vontade, visando obter resultado diverso do que aparece, para iludir 
terceiros, ou burlar a lei. Na simulação existe um conluio entre declarante e declaratário, denominado 
pactum simulationis. Em suma: o que existe é uma declaração de vontade mentirosa. São seus requisitos: 
a) divergência intencional entre a vontade real e a exteriorizada; b) acordo simulatório entre as partes; c) 
o objetivo de prejudicar terceiros. 
ESTADO DO ESPÍRITO SANTO. PODER JUDICIÁRIO. TRIBUNAL DE JUSTIÇA. TERCEIRA 
CÂMARA CÍVEL. AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 48099077140 - SERRA - 4ª VARA CÍVEL. 
TJES. Simulação. Art. 167 do CC/2002. Quando ocorre. Há simulação quando as partes emitem, 
conjuntamente, uma declaração enganosa de vontade com intenção de enganar terceiros. "(...) na simulação 
há um descompasso, um desencontro, entre a declaração de vontade e o verdadeiro resultado objetivado 
pelas partes". (FARIAS, Cristiano Chaves de. ROSENVALD, Nelson. Direito Civil. Teoria Geral. 7ª ed. 
2008. p. 459) 
 
Quadro da invalidade 
 
NULIDADE ABSOLUTA 
 
NULIDADE RELATIVA 
 
\u2022 Atinge o interesse público. 
Decreta-se com fundamento em 
interesses da coletividade. 
 
\u2022 Atinge interesses particulares 
 
\u2022 Opera-se de pleno direito 
 
\u2022 não opera de pleno direito 
 
\u2022 são legitimados para requerer a 
sua nulidade: qualquer 
interessado, o MP nos termos do 
art. 82 do Código de Processo Civil. 
 
\u2022 são legitimados somente os 
interessados (lesados) 
 
\u2022 Não admite conformação, ou 
seja, não pode ser sanada, mesmo 
pelo magistrado. 
 
\u2022 admitem confirmação expressa e 
tácita 
 
\u2022 Deve ser pronunciada de ofício 
 
\u2022 Só pode ser arguida pelas partes 
interessadas. Não se opera antes 
de julgada por sentença. 
 
A sentença declaratória de 
nulidade produz efeitos ex tunc 
 
a sentença desconstitutiva produz 
efeitos ex nunc. Seus efeitos 
somente ocorrem inter partes. 
 
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Não se sujeita aos prazos 
prescricionais e decadenciais, pois 
a ação declaratória de nulidade é 
imprescritível. 
 
a via correta é a judicial, em prazos 
decadenciais de dois (art. 179) ou 
de quatro anos (art. 178). Ação 
anulatória cuja a natureza é 
desconstitutiva. 
 
 
 
PRESCRIÇÃO x DECADÊNCIA 
 
 
 
PRESCRIÇÃO 
 
DECADÊNCIA 
 
DIREITOS 
 
Extingue a 
pretensão 
(encobrimento da 
pretensão) 
 
Extingue o próprio direito 
potestativo em razão do não 
exercício. Prejudica todas as 
ações constitutivas 
DECRETAÇÃO 
 
Deve ser declarada 
de ofício pelo juiz 
(Lei n. 11.280/06), 
em qualquer fase 
processual. 
 
Decadência legal deve ser 
reconhecida de ofício pelo juiz, 
o que não ocorre com a 
decadência convencional. Na 
convencional a parte que 
alega pode se valer em 
qualquer grau de jurisdição 
 
FUNCIONAME
NTO 
 
É sujeita à 
interrupção, 
suspensão e 
impedimento. 
Atenção! Não corre 
contra todos (arts. 
197 e 198 CC) 
 
Não se interrompe nem se 
suspende, salvo disposição 
legal. Atenção! Corre contra 
todos, salvo absolutamente 
incapazes (art.208 CC) 
 
PRAZOS 
 
Somente em prazos 
da lei. Prazo geral 
10 anos \u2013 art. 205 
do Código Civil 
 
Tem prazos legais e 
convencionais 
 
INCIDÊNCIA 
 
Incide nas ações 
onde se exige uma 
prestação 
 
Incide nas ações em que se 
visa à modificação de uma 
situação jurídica 
 
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ABRANGÊNCIA 
 
Abrange todas as 
ações condenatórias 
e somente elas 
Abrange direitos 
patrimoniais (em 
regra) 
Abrange as ações constitutivas 
que tem prazo especial de 
exercício fixado em lei 
 
NASCIMENTO 
 
Nasce quando o 
direito é violado. 
Lesão. Refere-se a 
direitos 
prestacionais. 
Nasce junto com o direito 
 
ORIGEM 
 
Tem origem na lei. 
Prazos contados em 
anos. 
 
Tem origem na lei e no ato 
jurídico. Prazos contados em 
dias meses