Parte Geral
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desaparecer de seu domicílio, mas, porém deixa um mandatário que não 
quer ou não pode exercer, ou continuar o mandato que lhe foi conferido, ou se os seus poderes forem 
insuficientes, veja-se a lei: 
Art. 23. Também se declarará a ausência, e se nomeará curador, quando o ausente deixar 
mandatário que não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, ou se os seus 
poderes forem insuficientes. 
Fases relacionadas ao instituto: 
1) Curadoria dos bens 
2) A ocorrência da sucessão provisória 
3) A sucessão definitiva 
 
Pessoas Jurídicas 
 
Trata-se de um ente moral criado pelo ser humano e que o ordenamento jurídico atribui 
personalidade. Tal personalidade jurídica é manifestação do direito de propriedade. 
Quanto a natureza jurídica das pessoas jurídicas tudo irá depender de qual teoria será adotada , 
vejamos: 
a) Teoria Negativista : não existe pessoa jurídica, ou seja, existe um patrimônio sem sujeito.25 
b) Teoria Afirmativista: adotada pelo Código Civil, de 2002 afirmando que a pessoa jurídica possui 
existência, sendo portadora de interesses próprios. A doutrina sustenta a Teoria da Realidade Técnica. 
\uf0b7 Teoria da desconsideração da pessoa jurídica, teoria da penetração ou disregard doctrine.
26 
O art. 50 do Código Civil consagrou tal teoria: 
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou 
pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério 
Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas 
relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios 
da pessoa jurídica. 
 
Assim, é certo afirmar que toda vez que houver abuso de personalidade, que decorre do desvio de 
finalidade ou da confusão patrimonial, o juiz poderá determinar a desconsideração da personalidade jurídica, 
 
25 BEVILÁQUA, Clóvis. In: STOLZE, Pablo; e PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Parte geral. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 184. 
 
26 Recurso especial. Desconsideração da personalidade jurídica (disregard doctrine). Hipóteses. 1. A desconsideração da personalidade 
jurídica da empresa devedora, imputando-se ao grupo controlador a responsabilidade pela dívida, pressupõe \u2013 ainda que em juízo de 
superficialidade \u2013 a indicação comprovada de atos fraudulentos, a confusão patrimonial ou o desvio de finalidade. 2. No caso a 
desconsideração teve fundamento no fato de ser a controlada (devedora) simples longa manus da controladora, sem que fosse 
apontada uma das hipóteses previstas no art. 50 do Código Civil. 3. Recurso especial conhecido (REsp n. 744.107/SP, rel. Ministro 
Fernando Gonçalves, 4ª Turma, j. em 20.05.2008, DJe, 12.08.2008). 
 
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na busca do patrimônio dos administradores ou sócios da pessoa jurídica (afasta-se o princípio da separação 
patrimonial). 
Rubens Requião diz que: \u201cSe a personalidade jurídica constitui uma criação da lei como concessão do 
Estado à realização de um fim, nada mais procedente do que se reconhecer no Estado, através da justiça, a 
faculdade de verificar se o direito concedido está sendo adequadamente usado. A personalidade jurídica 
passa a ser considerada doutrinariamente um direito relativo, permitindo ao juiz penetrar o véu da 
personalidade para coibir os abusos ou condenar a fraude através do seu uso.\u201d 
As hipóteses que geram a desconsideração: 
a) Desvio de finalidade: ocorre quando objeto social é mera fachada para a exploração de atividade 
diversa.: Uma pessoa que está proibida de exercer certa atividade como pessoa física, por exemplo, constitui 
uma pessoa jurídica e por ela pratica o ato que não era permitido.27 
b) Confusão patrimonial: nesta hipótese, os bens pessoais e sociais se misturam. 
Tratando ainda sobre a questão, a doutrina e a jurisprudência sustentam a chamada teoria da 
desconsideração inversa, que ocorre com a quebra da autonomia patrimonial a fim de executar bens da 
sociedade por dívidas pessoais dos sócios. Nesse sentido, Enunciado n. 283 da IV Jornada do CJF: 
Art. 50. É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada \u201cinversa\u201d para 
alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, 
com prejuízo a terceiros. 
 Veja-se recente julgado do STJ: 
Discute-se, no REsp, se a regra contida no art. 50 do CC/2002 autoriza a chamada desconsideração da 
personalidade jurídica inversa. Destacou a Min. Relatora, em princípio, que, a par de divergências 
doutrinárias, este Superior Tribunal sedimentou o entendimento de ser possível a desconstituição da 
personalidade jurídica dentro do processo de execução ou falimentar, independentemente de ação própria. 
Por outro lado, expõe que, da análise do art. 50 do CC/2002, depreende-se que o ordenamento jurídico 
pátrio adotou a chamada teoria maior da desconsideração, segundo a qual se exige, além da prova de 
insolvência, a demonstração ou de desvio de finalidade (teoria subjetiva da desconsideração) ou de 
confusão patrimonial (teoria objetiva da desconsideração). Também explica que a interpretação literal do 
referido artigo, de que esse preceito de lei somente serviria para atingir bens dos sócios em razão de dívidas 
da sociedade e não o inverso, não deve prevalecer. Anota, após essas considerações, que a 
desconsideração inversa da personalidade jurídica caracteriza-se pelo afastamento da autonomia 
patrimonial da sociedade, para, contrariamente do que ocorre na desconsideração da personalidade 
propriamente dita, atingir, então, o ente coletivo e seu patrimônio social, de modo a responsabilizar a 
pessoa jurídica por obrigações de seus sócios ou administradores. Assim, observa que o citado dispositivo, 
sob a ótica de uma interpretação teleológica, legitima a inferência de ser possível a teoria da 
desconsideração da personalidade jurídica em sua modalidade inversa, que encontra justificativa nos 
princípios éticos e jurídicos intrínsecos à própria disregard doctrine, que vedam o abuso de direito e a 
fraude contra credores. Dessa forma, a finalidade maior da disregard doctrine contida no preceito legal em 
comento é combater a utilização indevida do ente societário por seus sócios. Ressalta que, diante da 
desconsideração da personalidade jurídica inversa, com os efeitos sobre o patrimônio do ente societário, os 
sócios ou administradores possuem legitimidade para defesa de seus direitos mediante a interposição dos 
 
27 AGUIAR JÚNIOR, Ruy Rosado de. O novo Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor \u2013 pontos de convergência. RDC 48/64. 
 
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recursos tidos por cabíveis, sem ofensa ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. No 
entanto, a Min. Relatora assinala que o juiz só poderá decidir por essa medida excepcional quando forem 
atendidos todos os pressupostos relacionados à fraude ou abuso de direito estabelecidos no art. 50 do 
CC/2002. No caso dos autos, tanto o juiz como o tribunal a quo entenderam haver confusão patrimonial e 
abuso de direito por parte do recorrente. Nesse contexto, a Turma negou provimento ao recurso. 
Precedentes citados: REsp 279.273-SP, DJ 29/3/2004; REsp 970.635-SP, DJe 1°/12/2009, e REsp 693.235-
MT, DJe 30/11/2009. REsp 948.117-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/6/2010. 
 
\uf0b7 Personalidade 
 
Da conjugação de duas fases distintas, a volitiva e a administrativa, é que resulta a aquisição da 
personalidade jurídica. O ato constitutivo é o instrumento continente da declaração