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ser opostos até cinco dias depois da arrematação, adjudicação ou remição, 
mas sempre antes da assinatura da respectiva carta. Os embargos devem ser contestados no 
prazo de dez dias. Findo esse prazo, o procedimento segue o rito concentrado do art. 803. 
 
 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
professorcristianosobral@gmail.com 
 
 
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A PERCEPÇÃO DOS FRUTOS 
1. Introdução 
Os frutos devem pertencer ao proprietário, como acessórios da coisa. Essa regra, contudo, não 
prevalece quando o possuidor está possuindo de boa-fé, isto é, com a convicção de que é seu o 
bem possuído (CC, art. 1.214). 
 
2. Noção de frutos 
Os frutos são acessórios, pois dependem da coisa principal. Distinguem-se dos produtos, que 
também são coisas acessórias, porque não exaurem a fonte, quando colhidos. Reproduzem-se 
periodicamente, ao contrário dos produtos. Frutos são as utilidades que uma coisa 
periodicamente produz. 
 
3. Espécies 
- Quanto à origem: a) naturais; b) industriais; c) civis. 
- Quanto ao seu estado: a) pendentes; b) percebidos, ou colhidos; c) estantes; d) percipiendos; 
e) consumidos. 
 
4. Regras da restituição 
a) o possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos (CC, art. 
1.214); 
b) os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os 
civis reputam-se percebidos dia por dia (art. 1 .215); 
c) o possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos 
que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de má-fé; tem 
direito às despesas da produção e custeio. 
 
5. Responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa 
O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa, 
ou seja, se não agir com dolo ou culpa (CC, art. 1.217). Por outro lado, o possuidor de máfé 
responde pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que de 
igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante (art. 1.218). 
 
6. Indenização das benfeitorias 
O possuidor tem o direito de ser indenizado pelos melhoramentos que introduziu no bem. As 
benfeitorias podem ser: a) necessárias - que têm por fim conservar o bem; b) úteis - que 
aumentam ou facilitam o uso do bem; c) voluptuárias - de mero deleite ou recreio. 
Benfeitorias são melhoramentos feitos em coisa já existente. Distinguem-se das acessões 
industriais, que constituem coisas novas, como a edificação de uma casa. 
 
7. Regras da indenização 
a) \u201co possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem 
como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem 
detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias 
necessárias e úteis\u201d (CC, art. 1.219); 
b) \u201cao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe as-
siste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias\u201d (art. 
1.220); 
c) \u201cas benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao ressarcimento se ao tempo 
da evicção ainda existirem\u201d (art. 1.221); 
 d) \u201co reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o direito 
de optar entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor 
atual\u201d (art. 1.222). 
 
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8. Direito de retenção 
- Conceito: consiste o jus retentionis num meio de defesa outorgado ao credor, a quem é 
reconhecida a faculdade de continuar a deter a coisa alheia, mantendo-a em seu poder até ser 
indenizado pelo crédito, que se origina, via de regra, das benfeitorias ou de acessões por ele 
feitas. A jurisprudência prevê outras hipóteses em que pode ser exercido. 
- Natureza jurídica: o direito de retenção é reconhecido pela jurisprudência como o poder 
jurídico direto e imediato de uma pessoa sobre uma coisa, com todas as características de um 
direito real. 
- Modo de exercício: via de regra, o direito de retenção deve ser alegado em contestação para 
ser reconhecido na sentença. Pode o devedor, ainda, na execução para entrega de coisa certa 
constante de título executivo extrajudicial (CPC, art. 621), deduzir embargos de retenção por 
benfeitorias. 
 
DA PROPRIEDADE EM GERAL 
1. Conceito 
Trata-se do mais completo dos direitos subjetivos, a matriz dos direitos reais e o núcleo do 
direito das coisas. O art. 1.228 do CC não oferece uma definição de propriedade, apenas 
enunciando os poderes do proprietário. 
 
2. Elementos constitutivos 
a) direito de usar (jus utendi); b) direito de gozar ou usufruir (jus fruendi); c) direito de dispor 
da coisa (jus abutendi); d) direito de reaver a coisa (rei vindicatio). 
 
3. Ação reivindicatória 
- Pressupostos: a) a titularidade do domínio, pelo autor, da área reivindicando; b) a 
individuação da coisa; c) a posse injusta do réu (desprovida de título). 
- Natureza jurídica: tem caráter essencialmente dominial e por isso só pode ser utilizada pelo 
proprietário, por quem tenha jus in re. É, portanto, ação real que compete ao senhor da coisa. 
- Legitimidade ativa: a) compete a reivindicatória ao senhor da coisa, ao titular do domínio; b) 
não se exige que a propriedade seja plena. Mesmo a limitada, como ocorre nos direitos reais 
sobre coisas alheias e na resolúvel, autoriza a sua propositura; c) cada condômino pode, 
individualmente, reivindicar de terceiro a totalidade do imóvel (CC, art. 1.314); d) o 
compromissário comprador, que pagou todas as prestações, possui todos os direitos 
elementares do proprietário e dispõe, assim, de título para embasar ação reivindicatória. 
- Legitimidade passiva: a) a ação deve ser endereçada contra quem está na posse ou detém a 
coisa, sem título ou suporte jurídico; b) a boa-fé não impede a caracterização da injustiça da 
posse, para fins de reivindicatória; c)ao possuidor direto, citado para a ação, incumbe a 
nomeação à autoria do proprietário (CPC, art. 62). 
 
4. Outros meios de defesa da propriedade 
- Ação negatória: É cabível quando o domínio do autor, por um ato injusto, esteja sofrendo 
alguma restrição por alguém que se julgue com um direito de servidão sobre o imóvel. 
- Ação de dano infecto: Tem caráter preventivo e cominatório, como o interdito proibitório, e 
pode ser oposta quando haja fundado receio de perigo iminente, em razão de ruína do prédio 
vizinho ou vício na sua construção (CC, art. 1.280). Cabe também nos casos de mau uso da 
propriedade vizinha. 
 
5. Caracteres do direito de propriedade 
a) é exclusivo (no condomínio, recai sobre a parte ideal); b) é ilimitado (pleno) ou absoluto; 
c) irrevogável ou perpétuo: não se extingue pelo não-uso. 
 
6. Evolução do direito de propriedade 
a) no direito romano: tinha caráter individualista; 
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b) na Idade Média: passou por uma fase peculiar, com dualidade de sujeitos (o dono e o que 
explorava economicamente o imóvel, pagando ao primeiro pelo seu uso); 
c) após a Revolução Francesa: assumiu feição marcadamente individualista; 
d) na atualidade, desempenha uma função social: deve ser exercido em consonância com as 
suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados a flora, a fauna, as 
belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico,