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o condomínio, em 
juízo ou fora dele. Pode ser condômino ou pessoa física ou jurídica estranha ao condomínio. O 
síndico é assessorado por um Conselho Consultivo, constituído de três condôminos, com 
mandatos que não podem exceder a dois anos, permitida a reeleição. Deve haver, anualmente, 
uma assembléia geral ordinária, convocada pelo síndico. A assembléia é o órgão máximo do 
condomínio, tendo poderes, inclusive, para modificar a própria Convenção. 
 
 
 
 
DA PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA 
1. Conceitos e caracteres 
Considera-se fiduciária a propriedade resolúvel de coisa móvel infungível que o devedor, com 
escopo de garantia, transfere ao credor (CC, art. 1.361). Na alienação fiduciária em garantia 
dá-se a transferência do domínio do bem móvel ao credor (fiduciário), em garantia do 
pagamento, permanecendo o devedor (fiduciante) com a posse direta da coisa. 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
professorcristianosobral@gmail.com 
 
 
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2. Regulamentação 
- o contrato deve ter a forma escrita, podendo o instrumento ser público ou particular, e conter: 
o total da dívida; o prazo ou a época do pagamento; a taxa de juros, se houver; a descrição da 
coisa objeto da transferência (CC, art. 1.362); 
- a aquisição do domínio exige a tradição, que é ficta, na hipótese; 
- o registro no Cartório de Títulos e Documentos confere existência legal à propriedade 
fiduciária, gerando oponibilidade a terceiros. 
 
3. Direitos e obrigações do fiduciante 
a) ficar com a posse direta da coisa e o direito eventual de reaver a propriedade plena, com o 
pagamento da dívida; 
b) purgar a mora, em caso de lhe ser movida ação de busca e apreensão; 
c) receber o saldo apurado na venda do bem efetuada pelo fiduciário para satisfação de seu 
crédito; 
d) responder pelo remanescente da dívida, se a garantia não se mostrar suficiente; 
e) não dispor do bem alienado, que pertence ao fiduciário, embora possa ceder o direito 
eventual de que é titular; 
f) entregar o bem, em caso de inadimplemento de sua obrigação, sujeitando-se à pena de 
prisão imposta ao depositário infiel. 
 
4. Obrigações do credor fiduciário 
a) a obrigação principal consiste em proporcionar ao alienante o financiamento a que se 
obrigou, bem como em respeitar o direito ao uso regular da coisa por parte deste; 
b) se o devedor é inadimplente, fica o credor obrigado a vender o bem, aplicando o preço no 
pagamento de seu crédito e acréscimos, e a entregar o saldo, se houver, ao devedor (CC, art. 
1.364). 
 
5. Procedimento 
- Pode o credor mover ação de busca e apreensão contra o devedor inadimplente, a qual 
poderá ser convertida em ação de depósito, caso o bem não seja encontrado; 
- A sentença, de que cabe apelação apenas no efeito devolutivo, em caso de procedência da 
ação, não impedirá a venda extrajudicial do bem e consolidará a propriedade e a posse plena e 
exclusiva nas mãos do proprietário fiduciário; 
-A venda pode ser extrajudicial ou judicial (CC, art. 1.364). Preferida esta, aplica-se o disposto 
nos arts. 1.113 a 1.119 do CPC; 
- Se o bem não for encontrado, o credor poderá requerer a conversão do pedido de busca e 
apreensão, nos mesmos autos, em ação de depósito, na forma prevista nos arts. 901 a 906 do 
CPC; 
- A prisão só será decretada após a sentença e depois de vencido o prazo de 24 horas para 
entrega da coisa, ou o seu equivalente em dinheiro. 
 
DA SUPERFÍCIE 
 
1. Conceito 
Trata-se de direito real de fruição ou gozo sobre coisa alheia, de origem romana, pelo qual o 
proprietário concede a outrem o direito de construir ou de plantarem seu terreno, por tempo 
determinado, mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de 
Imóveis (CC, art. 1.369). O CC/2002 aboliu a enfiteuse, substituindo-a pelo direito de superfície 
gratuito ou oneroso. 
 
2. Regulamentação 
- O superficiário, que tem o direito de construir ou plantar, responderá pelos encargos e 
tributos que incidirem sobre o imóvel (CC, art. 1.371); 
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- O proprietário (fundieiro) tem a expectativa de receber a coisa com a obra ou plantação (art. 
1.375); 
- O direito de superfície pode transferir-se a terceiros e, por morte do superficiário, aos seus 
herdeiros; 
- Não poderá ser estipulado pelo concedente, a nenhum título, qualquer pagamento pela 
transferência (art. 1.372, parágrafo único). 
 
DA ENFITEUSE 
1. Conceito 
Dá-se a enfiteuse, aforamento ou emprazamento \u201cquando por ato entre vivos, ou de última 
vontade, o proprietário atribui a outrem o domínio útil do imóvel, pagando a pessoa, que o 
adquire, e assim se constitui enfiteuta, ao senhorio direto uma pensão, ou foro anual, certo e 
invariável\u201d (CC/1916, art. 678). O art. 2.038 das Disposições Transitórias do CC/2002 proíbe a 
constituição de enfiteuses e subenfiteuses e subordina as existentes, até sua extinção, às 
disposições do CC anterior e leis posteriores. 
 
2. Objeto 
O contrato de aforamento só pode ter por objeto terras não cultivadas e terrenos que se 
destinem à edificação. A enfiteuse pode ser constituída também sobre terrenos de marinha 
(Dec.-Lei n. 9.760/46). 
 
 
3. Características 
 
- O contrato de enfiteuse é perpétuo. A enfiteuse por tempo limitado considera-se 
arrendamento e como tal se rege (CC/1916, art. 679); 
- O enfiteuta tem a obrigação de pagar ao senhorio uma pensão anual, também chamada 
cânon ou foro: 
- O senhorio, por sua vez, tem direito de preferência quando o enfiteuta pretende transferir a 
outrem o domínio útil em caso de venda judicial. Se não exercesse o direito de preferência, o 
senhorio teria direito ao laudêmio, isto é, uma porcentagem sobre o valor da transação, que 
podia ser convencionada livremente. 
 
4. Extinção 
- Modos peculiares: 
a) pela natural deterioração do prédio aforado, quando chegue a não valer o capital 
correspondente ao foro e mais um quinto deste; 
b) pelo comisso, deixando o foreiro de pagar as pensões devidas por três anos consecutivos, 
caso em que o senhorio o indenizará das benfeitorias necessárias; 
c) pelo falecimento do enfiteuta, sem herdeiros, salvo o direito dos credores (CC/1916, art. 
692). 
- Outros modos: a) perecimento; b) desapropriação; c) usucapião; d) renúncia; e) 
consolidação; f) confusão; g) resgate.