Responsabilidade Civil
33 pág.

Responsabilidade Civil


DisciplinaOab8.194 materiais35.763 seguidores
Pré-visualização10 páginas
vontade. O inadimplemento relativo se dá quando o descumprimento total ou 
parcial da obrigação deixa em aberto a possibilidade de seu adimplemento. 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
professorcristianosobral@gmail.com 
 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | 30350105 KR 22 
 
4. Mora 
Mora é o inadimplemento relativo da obrigação, pois quem se acha em mora sempre 
tem a possibilidade de cumprira obrigação. Mas o inadimplemento relativo pode se tornar 
absoluto, por causa superveniente, como, por exemplo, a morte do credor. 
A mora pode ser do credor (accipiendi ou creditoris) ou do devedor (solvendi ou 
debitoris). 
A mora pode ser ex re, quando a obrigação tiver que ser cumprida em termo certo, 
hipótese em que se consuma independentemente de notificação do devedor (art. 397, CC); ou 
ex persona, em que não há data fixada para o cumprimento da obrigação, fazendo-se 
necessária a notificação do devedor para constituí-lo em mora (art. 397, parágrafo único). 
 
5. Juros demora e cláusula penal 
Os juros demora são uma estimativa dos danos para ocaso de inadimplemento relativo. 
Caso as partes não tenham previsto no contrato a contagem de juros moratórios, estes 
serão contados à mesma taxa que incide sobre a mora no pagamento de impostos devidos à 
Fazenda Nacional (art. 406, CC). Atualmente, seria a taxa Selic. 
Há uma polêmica acerca da legalidade da taxa Selic, mas prevalece o entendimento de 
que a mesma é válida. 
A cláusula penal é uma estimativa das perdas e danos decorrentes do inadimplemento 
do contrato. Conforme o art. 409 do Código Civil, a cláusula penal aplica-se tanto ao 
inadimplemento absoluto quanto à mora ou inadimplemento relativo. 
A cláusula penal é um contrato acessório. 
Cláusula penal compensatória é aquela que incide sobre o inadimplemento integral da 
obrigação. 
Cláusula penal moratória é aquela estipulada para o caso de atraso no cumprimento da 
obrigação, ou em segurança especial de outra cláusula contratual. 
 
14. Responsabilidade Pré e Pós-Contratual 
1. Formação do contrato 
 A autonomia da vontade, a boa-fé objetiva e a confiança devem sempre estar presentes 
nas manifestações de vontade. 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
professorcristianosobral@gmail.com 
 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | 30350105 KR 23 
 
Os efeitos resultantes da relação contratual podem ser delineados na fase 
pré-contratual, na conclusão do contrato e na fase pós-contratual. 
 
2. Recusa em contratar 
Ninguém é obrigado a concluir um contrato se assim não o desejar. 
Quando a não-contratação tem fins nocivos, transmuda-se em abuso de direito e como 
tal deve ser punida. 
 
3. Vinculação das tratativas preparatórias 
A proposta dirigida ao seu destinatário, de algum modo, vincula o proponente, 
servindo como meio hábil a se provar a intenção pré-contratual. 
Os interessados recorrem às tratativas preliminares para decidir se lhes convinha ou 
não contratar, sendo justo que do contrato desertem, se verificada sua inconveniência. 
O pré-contrato não exige consentimento deliberado e nem obriga quem dele participa. 
O abandono injustificado, fruto de mero capricho de um dos interessados, conflita com 
os princípios de boa-fé, probidade, função econômica e social do contrato, além de poder 
configurar abuso de direito. 
 
4. Quantum indenizatório 
Para uma corrente, o quantum indenizatório não deve ser fixado no mesmo montante 
do equivalente à vantagem pretendida pelo interessado com a conclusão do contrato, mas 
deve ser capaz de possibilitar o retorno de seu patrimônio àquele estado em que se encontrava 
antes de ter realizado as necessárias despesas que levariam à sua conclusão. 
Para outra corrente, o quantum indenizatório deve ser equivalente ao proveito que o 
interessado teria obtido, caso as sérias tratativas desembocassem na conclusão contratual. 
 
5. Responsabilidade pré-contratual no CC e no CDC 
No CC, a responsabilidade pré-contratual resolve-se a partir da teoria do abuso de 
direito, cabendo ao prejudicado pleitear indenização pelos danos decorrentes da não 
conclusão do contrato. Jamais poderá ajuizar ação de obrigação de fazer com a finalidade de 
compelir o outro interessado a concretizar o contrato. 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
professorcristianosobral@gmail.com 
 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | 30350105 KR 24 
 
Nas relações disciplinadas pelo CDC, se o fornecedor furtar-se ao cumprimento 
daoferta,apresentaçãoou publicidade em seus exatostermos, o consumidor poderá exigir o 
cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade. 
6. Responsabilidade pós-contratual 
Apesar de concluído o contrato, uma ou ambas as partes poderá continuar responsável 
por eventuais danos dele decorrentes, porque persistem os chamados deveres anexos das 
partes, inerentes à boa-fé que norteiam toda a contratação. 
Caracterizam-se como responsabilidade pós-contratual o dever do franqueado de não 
utilizar ou revelar as técnicas de mercado que lhes foram passadas pelo franqueador; e o dever 
de não colocação de produtos no mercado, que acarretem alto grau de periculosidade ou 
nocividade à saúde dos consumidores. 
 
15. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR 
1. O contrato de transporte 
É característica do contrato de transporte a cláusula de incolumidade que encerra uma 
obrigação de resultado, isto é, a garantia do êxito da diligência. 
O transportador responde por prejuízos e lesões, além de atrasos e suspensões das 
viagens. 
A responsabilidade do transportador nem sempre é contratual, podendo este se 
relacionar, além dos passageiros, com empregados ou terceiros. Com relação aos empregados, 
trata-se da órbita do acidente de trabalho. No que tange a terceiros, a responsabilidade é 
aquiliana e objetiva, por força do art. 37, § 6°, da CF, bem como pela aplicação do art. 17 do 
CDC. 
 
2. Evolução da responsabilidade do transportador 
A origem desta responsabilidade remonta ao Decreto 2.681, de 1912, que se destinava 
exclusivamente ao transporte ferroviário, mas acabou sendo utilizado analogicamente a outros 
tipos de transporte. Seu art. 17 é clássico exemplo de responsabilidade objetiva, que somente 
pode ser ilidida por culpa do viajante, força maior e caso fortuito. 
O Código de Defesa do Consumidor mantém a responsabilidade objetiva, deslocando, 
contudo, seu fundamento para o vício ou defeito do produto. 
O CC/2002 consolidou as mudanças promovidas pela doutrina e pela jurisprudência. 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
professorcristianosobral@gmail.com 
 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | 30350105 KR 25 
 
 
3. As excludentes de responsabilidade do transportador 
São excludentes da responsabilidade do transportador o fortuito externo e o fato 
exclusivo da vítima ou do terceiro, com ressalvas. 
O fortuito interno, assim como o externo, refere-se a evento imprevisível e inevitável, 
porém relacionado à organização daquele que desenvolve uma determinada atividade. Já o 
fortuito externo desvincula-se da atividade desenvolvida. 
O fato exclusivo da vítima deve ser preponderante no evento danoso, permitindo-se, 
contudo, a minoração da responsabilidade em caso de culpa concorrente. 
Fato culposo de terceiro não ilide a responsabilidade do transportador, mas 
tão-somente a conduta dolosa que possa se desvincular da atividade normal do transportador. 
 
4. Limite temporal da responsabilidade do transportador 
A responsabilidade do transportador