APOSTILA-DireitoProcessualCivil
66 pág.

APOSTILA-DireitoProcessualCivil


DisciplinaDireito Processual Civil I39.803 materiais716.056 seguidores
Pré-visualização12 páginas
a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente.  
§ 2o A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da multa (art. 287).  
§ 3o Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou mediante justificação prévia, citado o réu. A medida liminar poderá ser revogada ou modificada, a qualquer tempo, em decisão fundamentada. 
§ 4o O juiz poderá, na hipótese do parágrafo anterior ou na sentença, impor multa diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando-lhe prazo razoável para o cumprimento do preceito.  
§ 5o Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente, poderá o juiz, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas necessárias, tais como a imposição de multa por tempo de atraso, busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas, desfazimento de obras e impedimento de atividade nociva, se necessário com requisição de força policial.  
§ 6o O juiz poderá, de ofício, modificar o valor ou a periodicidade da multa, caso verifique que se tornou insuficiente ou excessiva.  
Execução da obrigação de entrega de coisa (art. 461-A)
		A ação de obrigação de entrega de coisa é fundada no direito de exigir o cumprimento da prestação obrigacional de entrega de coisa.
		Assim, podemos mencionar, como exemplo, um contrato de compra e venda de bem móvel, celebrado entre comprador e vendedor, poderá ensejar que após cumprimento de suas cláusulas, o primeiro exija do segundo a prestação obrigacional de entrega de coisa.
Vejamos como ocorre o cumprimento da sentença que tenha como objeto a entrega de coisa: 
		Art. 461-A. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica, fixará o prazo para o cumprimento da obrigação.  
§ 1o Tratando-se de entrega de coisa determinada pelo gênero e quantidade, o credor a individualizará na petição inicial, se lhe couber a escolha; cabendo ao devedor escolher, este a entregará individualizada, no prazo fixado pelo juiz.  
§ 2o Não cumprida a obrigação no prazo estabelecido, expedir-se-á em favor do credor mandado de busca e apreensão ou de imissão na posse, conforme se tratar de coisa móvel ou imóvel.  
§ 3o Aplica-se à ação prevista neste artigo o disposto nos §§ 1o a 6o do art. 461.
O procedimento do cumprimento da sentença está atrelado as peculiaridades no seu rito inicial, entretanto é utilizado subsidiariamente os critérios do Livro II;
Sentença penal condenatória, sentença estrangeira homologada no Brasil e sentença arbitral, desde que tenham por objeto o pagamento de quantia, serão executados em um processo próprio, mas segue os critérios do cumprimento da sentença. 
Liquidação de Sentença 
		A liquidação de sentença, após a Lei 11.232/05 se tornou um incidente, do processo, devendo ser instaurado tal fase por meio de requerimento da parte interessada.
		\u201c A liquidação de sentença se caracteriza fundamentalmente pela existência de um fator de limitação ao pedido formulado pela parte.\u201d\ufffd
		O objetivo da liquidação de sentença é tornar definido o \u201cquantum\u201d da obrigação objeto da sentença condenatória. 
		Assim, tornar-se-á liquida a sentença após a liquidação, que conforme prevê o CPC poderá ocorrer duas espécies, por artigos, e, ou por arbitramento. 
		8.1 - Liquidação por artigos
		A liquidação por artigos esta prevista no art. 475-E, e se faz necessário para determinar o valor da condenação, exista necessidade de alegar e provar fato novo.\ufffd 
		\u201dArt. 475-E. Far-se-á a liquidação por artigos, quando, para determinar o valor da condenação, houver necessidade de alegar e provar fato novo.\u201d
		O procedimento da liquidação por artigos deve observar os critérios do art. 475-F. Vejamos: 
		\u201cArt. 475-F. Na liquidação por artigos, observar-se-á, no que couber, o procedimento comum (art. 272).\u201d\ufffd
		
		8.2 - Liquidação por arbitramento
Já a liquidação por arbitramento se dá quando a apuração do \u201cquantum\u201d da condenação dependa da realização de perícia por arbitramento.
É um trabalho feito por perito que tenha conhecimento técnico em determinada área de conhecimento, podendo assim determinar o valor da condenação. 
\u201c A liquidação por arbitramento submete-se a um procedimento extremamente simples. Uma vez requerida a liquidação pela parte interessada, o juiz nomeia o perito e fixa prazo para a entrrega do laudo pericial. Depois de apresentado o laudo, as partes são intimadas e tem prazo de dez dias para se manifestar sobre o laudo. A seguir, o juiz proferirá a sentença, a qual, apenas se necessário, será antecedida de audiência de instrução e julgamento.(art. 475-D)\u201d\ufffd
Da impugnação 
		A defesa do executado, por meio da impugnação prevista no artigo 475- J, § 1º do CPC prevê uma forma processualmente mais simplificada para o demandado se opor à fase do cumprimento da sentença de pagar quantia certa. 
		Vejamos:
		\u201cArt. 475-J. Caso o devedor, condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação, não o efetue no prazo de quinze dias, o montante da condenação será acrescido de multa no percentual de dez por cento e, a requerimento do credor e observado o disposto no art. 614, inciso II, desta Lei, expedir-se-á mandado de penhora e avaliação.  
§ 1o Do auto de penhora e de avaliação será de imediato intimado o executado, na pessoa de seu advogado (arts. 236 e 237), ou, na falta deste, o seu representante legal, ou pessoalmente, por mandado ou pelo correio, podendo oferecer impugnação, querendo, no prazo de quinze dias. \u201d
		O executado impugna nos próprios autos da execução de sentença, substituindo, assim os embargos à execução, que eram distribuídos em apenso à ação principal. 
               A doutrina diverge quanto à natureza jurídica da impugnação, entretanto o entendimento majoritário é sua trata de defesa do executado, pois inclusive conta com prazo especial, ou seja, o prazo da impugnação será dobrado para aqueles que litigarem em litisconsórcio, e com procuradores diferentes. 
		E, em caso de oferecimento da impugnação pelo Executado, deverá ser dado ao Exeqüente o direito de réplica, pelo mesmo prazo processual.
          Entretanto o objeto da execução é chamar o executado para o cumprimento da obrigação, e não a se defender, contudo, com o instituto da impugnação, temos plenamente configurado o contraditório e ampla defesa, que trata-se de garantia Constitucional do devido processo legal, não cabendo limitação, conforme artigo 5º, inciso LV da Carta Magna:
         LV \u2013 "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes";
         	 Em análise ao art. 475, J, § 1º cabe tecer alguns comentários, tendo em vista que após o transito em julgado da sentença, instaura-se o procedimento para o seu cumprimento, este devendo ser requerido pelo interessado, assim, o executado será intimado e não citado, na pessoa de seu advogado ou pessoalmente, caso não tenha procurador.
        	         O parágrafo primeiro do artigo em comento nos reporta a efetuar uma interpretação extensiva, haja vista,  que a impugnação tendo natureza de defesa, deve ser o instrumento hábil para o executado aduzir todas as matérias, inclusive as de ordem pública, no prazo de 15 dias, contados da intimação, e em caso de inércia, o direito o demandado sofrerá os efeitos da preclusão. 
	          Outro aspecto relevante, com a mudança trazida pela Lei Federal 11.232/05, é o fato do oferecimento da impugnação tenha que ser precedido por penhora, mas a Lei Federal nº 11.382/2006 que alterou o regime jurídico dos embargos do devedor, não mais se fala em garantia como requisito de admissibilidade da defesa do executado. 
       		  Assim, o executado, uma vez intimado, terá o ônus de se defender