Modulo_I - CURSO_DE_TEORIA_DOS_RECURSOS_CIVEIS
55 pág.

Modulo_I - CURSO_DE_TEORIA_DOS_RECURSOS_CIVEIS


DisciplinaDireito Processual Civil I37.288 materiais700.318 seguidores
Pré-visualização10 páginas
inclusive com a improcedência do pedido.
4. DOS MEIOS DE IMPUGNAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL.
4.1. Recursos \u2013 remédio voluntário idôneo a ensejar, dentro do mesmo processo, a reforma, a invalidação, o esclarecimento ou a integração de decisão judicial que se impugna. (BARBOSA MOREIRA, Comentários ao Código de Processo Civil, 13ª ed. Forense: Rio de Janeiro, 2006. p. 229).
Voluntariedade \u2013 decorre do princípio dispositivo. A vontade é tão importante para o recurso que o recorrente pode desistir do recurso a qualquer momento, independentemente da anuência do recorrido. (Art. 501 do CPC).
Previsão em lei - O agravo regimental, embora tenha o procedimento disciplinado no regimento do tribunal, possui sua previsão em lei;
Mesmo processo \u2013 prolonga a relação processual. Retoma o seu curso.
Objetiva a reforma, a invalidação, o esclarecimento ou a integração.
	CAUSA DE PEDIR
	PEDIDO
	Error in iudicando
	Reforma
	Error in procedendo
	Invalidação
	Obscuridade ou contradição
	Esclarecimento
	Omissão
	Integração
4.2. Ações autônomas de impugnação \u2013 diferenciam-se dos recursos por inaugurarem uma nova relação processual, um novo processo. Ex: Ação rescisória, querella nullitatis, etc.
4.3. Sucedâneos recursais \u2013 Buscam impugnar as decisões judiciais, dentro do mesmo processo, todavia sem se configurarem em recurso.
a) reexame necessário \u2013 trata-se de privilégio legal dado à fazenda pública, em que as sentenças proferidas contra a referida pessoa não produzem efeito enquanto não confirmada pelo tribunal, conforme redação do Art. 475 do CPC.[2: No CPC de 1939, o art. 822 se referia ao reexame necessário como apelação necessária.]
Pergunta: Qual a natureza jurídica do reexame necessário? 
Não se trata de recurso, mas de sucedâneo recursal. Por essa razão, indevida a denominação corrente de \u201crecurso obrigatório\u201d ou \u201crecurso de ofício\u201d. No sentido: FREDIE DIDIER JR., DANIEL NEVES, BARBOSA MOREIRA, NELSON NERY JR., MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES etc. Contra: ARAKEN DE ASSIS e MISAEL MONTENEGRO. 
Súmula nº 423 do STF: Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso ex officio, que se considera interposto ex lege.
Pergunta: Possui o reexame necessário efeito suspensivo?
 Não é adequado se falar em efeito suspensivo, haja vista não se tratar de recurso. O correto é entendê-lo como condição de eficácia da sentença, impeditiva do trânsito em julgado.
Pergunta: Existem contrarrazões no reexame necessário?
Não. 
Pergunta: Só se aplica o reexame necessário às sentenças condenatórias?
Não. Aplica-se a qualquer tipo de sentença. O texto da norma fala em condenação ou direito controvertido.
Pergunta: Aplica-se a proibição da reformatio in pejus no reexame necessário?
Embora o princípio da reformatio in pejus seja próprio dos recursos, entendeu o STJ pela sua aplicabilidade: \u201cNo reexame necessário, é defeso, ao tribunal, agravar a condição imposta à fazenda pública\u201d. (Súmula nº 45)
b) pedido de reconsideração \u2013 embora não haja previsão legal, possui ampla aplicação na prática forense. Trata-se de mera petição dirigida ao juiz que proferiu a decisão, em que se requer a sua reconsideração pelas razões declinadas. Não possui efeito suspensivo nem interruptivo do prazo, consoante remansosa jurisprudência do STJ. Ex: REsp 843.450/SP, rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJ 02.06.2008:
DIREITO ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. MILITAR. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. INTERRUPÇÃO OU SUSPENSÃO DO PRAZO RECURSAL. NÃO-OCORRÊNCIA. PRECEDENTE. AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO NA ORIGEM. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E IMPROVIDO.
1. O pedido de reconsideração não interrompe nem suspende o prazo para interposição de recurso. Precedente.
2. Hipótese em que o prazo para a interposição do agravo de instrumento deve ser contado da data em que o Juízo da execução autorizou a expedição do ofício requisitório, e não do pronunciamento judicial que apenas rejeitou o pedido de reconsideração da recorrente.
3. Recurso especial conhecido e improvido.
Há a possibilidade legal de apresentação de pedido de reconsideração na hipótese do art. 527, parágrafo único do CPC, segundo o qual as decisões monocráticas do relator que converte o agravo de instrumento em retido ou indefere o pedido de tutela de urgência são irrecorríveis, facultando ao relator a sua reconsideração.
c) correição parcial \u2013 medida que busca atacar decisões do juiz que cause confusão procedimental. Possui, na verdade, natureza administrativa. No Código de 1939, tinha maior utilidade, haja vista a inexistência de previsão legal de recursos para algumas decisões. Com a amplitude que os agravos têm no atual ordenamento, não mais se justifica a permanência deste sucedâneo.
Entretanto, aponta-se uma hipótese residual para a correição parcial. Trata-se da situação em que o juiz deixa de proferir uma decisão que era devida naquele momento processual. Ante a impossibilidade de agravo, cabível a correição parcial. Ex: a parte formula pedido de antecipação da tutela e o juiz simplesmente não aprecia, ou afirma que apreciará por ocasião da sentença.
HUMBERTO THEODORO JR. defende a manutenção do instituto. Segundo ele, \u201cpor mais completo que seja o sistema recursal do Código, hipóteses haverá em que a parte sentirá a iminência de sofrer prejuízo, sem que haja um remédio específico para sanar o dano que o juiz causou a seus interesses em litígio.\u201d Segundo ele, trata-se de uma \u201cprovidência assemelhada ao recurso, sempre que o ato do juiz for irrecorrível e puder causar dano irreparável para a parte.\u201d (p. 607-608).
5. CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS.
5.1. Quanto ao objeto imediato do recurso.
a) recursos ordinários \u2013 são aqueles que buscam proteger o interesse particular do recorrente, o seu direito subjetivo. Atém-se à justiça do caso concreto.
b) recursos extraordinários \u2013 são aqueles cuja finalidade é a proteção do direito objetivo. Sua preocupação direta é a segurança jurídica, com a uniformização da jurisprudência. Não se atém à justiça do caso concreto.
5.2. Quanto à fundamentação recursal.
a) fundamentação vinculada \u2013 as matérias que podem ser alegadas no recurso são expressamente previstas em lei. Aplica-se aos recursos especial, extraordinário e embargos de declaração.
b) fundamentação livre \u2013 não há um limite legal prévio acerca das matérias que podem ser alegadas no recurso. A situação prática, entrementes, irá limitar o que pode ser alegado, ante os limites objetivos da lide.
5.3. Quanto à abrangência da matéria impugnada.
a) recurso total \u2013 existem duas acepções. A primeira, de BARBOSA MOREIRA, segundo a qual o recurso é total quando impugna tudo quanto possa ser impugnado. A segunda, de DINAMARCO, que reza que o recurso total é aquele que impugna toda a decisão.
b) recurso parcial \u2013 a depender da corrente adotada, será parcial o recurso que impugnar apenas parte daquilo que poderia ter sido impugnado, ou será parcial que impugnar apenas parte da decisão.
\u201cO que determina ser um recurso total ou parcial não é a identidade plena entre o objeto do recurso e da decisão impugnada, mas a identidade do objeto recursal com a sucumbência gerada pela decisão impugnada.\u201d (NEVES, Daniel. p. 576).
5.4. Quanto à independência/subordinação do recurso.
a) recurso independente ou principal \u2013 é aquele interposto dentro do prazo legal, para o qual não interessa a postura da parte adversa.
b) recurso subordinado ou adesivo \u2013 é aquele oferecido no prazo das contrarrazões do recurso interposto pela parte adversa. Seu fundamento é a vontade inicial de não impugnar a decisão, desejando o trânsito em julgado.
Entenda: Como o propósito inicial do recorrente adesivo era não se insurgir contra a decisão, a fim de permitir o trânsito em julgado, o que não ocorreu em decorrência da interposição do recurso principal, a legislação faculta a possibilidade de apresentação do recurso adesivo, condicionando-o à admissibilidade do recurso principal.
Art. 500 CPC. Cada parte interporá o recurso, independentemente,