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DisciplinaDireito Constitucional I57.742 materiais1.412.740 seguidores
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formais de toda extradição, quais sejam, a dúplice 
incriminação do fato imputado e o juízo estrangeiro sobre a seriedade da suspeita. No \u2018sistema belga\u2019, a que se filia o da lei 
brasileira, os limites estreitos do processo extradicional traduzem disciplina adequada somente ao controle limitado do pedido 
de extradição, no qual se tomam como assentes os fatos, tal como resultem das peças produzidas pelo estado requerente; 
para a extradição do brasileiro naturalizado antes do fato, porém, que só a autoriza no caso de seu \u2018comprovado 
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envolvimento\u2019 no tráfico de drogas, a Constituição impõe à lei ordinária a criação de um procedimento específico, que 
comporte a cognição mais ampla da acusação na medida necessária à aferição da concorrência do pressuposto de mérito, a 
que excepcionalmente subordinou a procedência do pedido extraditório: por isso, a norma final do art. 5º, LI, CF, não é regra 
de eficácia plena, nem de aplicabilidade imediata.\u201c (Ext. 541, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 18/12/92). No mesmo sentido: Ext 
934-QO, DJ 12/11/04.
\u201cO processo de extradição passiva \u2014 que ostenta, em nosso sistema jurídico, o caráter de processo documental \u2014 não 
admite que se instaure em seu âmbito, e entre as partes que nele figuram, qualquer contraditório que tenha por objeto os 
elementos probatórios produzidos na causa penal que motivou a postulação extradicional deduzida por Governo estrangeiro 
perante o Estado brasileiro. A natureza especial do processo de extradição impõe limitações materiais ao exercício do direito 
de defesa pelo extraditando, que, nele, somente poderá suscitar questões temáticas associadas à identidade da pessoa 
reclamada, ao defeito de forma dos documentos apresentados e/ou à ilegalidade da extradição.\u201d (Ext. 542, Rel. Min. Celso de 
Mello, DJ 20/03/92)
 
\u201cO brasileiro nato, quaisquer que sejam as circunstâncias e a natureza do delito, não pode ser extraditado, pelo Brasil, a 
pedido de Governo estrangeiro, pois a Constituição da República, em cláusula que não comporta exceção, impede, em 
caráter absoluto, a efetivação da entrega extradicional daquele que é titular, seja pelo critério do jus soli, seja pelo critério do 
jus sanguinis, de nacionalidade brasileira primária ou originária. Esse privilégio constitucional, que beneficia, sem exceção, o 
brasileiro nato, não se descaracteriza pelo fato de o Estado estrangeiro, por lei própria, haver-lhe reconhecido a condição de 
titular de nacionalidade originária pertinente a esse mesmo Estado. Se a extradição não puder ser concedida, por 
inadmissível, em face de a pessoa reclamada ostentar a condição de brasileira nata, legitimar-se-á a possibilidade de o 
Estado brasileiro, mediante aplicação extraterritorial de sua própria lei penal \u2014 e considerando, ainda, o que dispõe o 
Tratado de Extradição Brasil/Portugal \u2014, fazer instaurar, perante órgão judiciário nacional competente, a concernente 
persecutio criminis, em ordem a impedir, por razões de caráter ético-jurídico, que práticas delituosas, supostamente 
cometidas, no exterior, por brasileiros (natos ou naturalizados), fiquem impunes.\u201d (HC 83.113-QO, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 
29/08/03)
 
\u201cO fato do extraditando possuir domicílio no Brasil, não é causa impeditiva da extradição (Lei nº 6.815/80, art. 77). O 
casamento com mulher brasileira e a circunstância de ter filho brasileiro, não impede a extradição (STF, Súmula 421).\u201d (Ext 
766, Rel. Min. Nelson Jobim, DJ 10/08/00)
 
 \u201cA extradição não será concedida, se, pelo mesmo fato em que se fundar o pedido extradicional, o súdito reclamado estiver 
sendo submetido a procedimento penal no Brasil, ou já houver sido condenado ou absolvido pelas autoridades judiciárias 
brasileiras. Ninguém pode expor-se, em tema de liberdade individual, à situação de duplo risco. Essa é a razão pela qual a 
existência de situação configuradora de double jeopardy atua como insuperável causa obstativa do atendimento do pedido 
extradicional. Trata-se de garantia que tem por objetivo conferir efetividade ao postulado que veda o bis in idem.\u201d (Ext. 688, 
Rel. Min. Celso de Mello, DJ 22/08/97)
 
\u201cO pedido extradicional, deduzido perante o Estado Brasileiro, constitui \u2014 quando instaurada a fase judicial de seu 
procedimento \u2014 ação de índole especial, de caráter constitutivo, que objetiva a formação de título jurídico apto a legitimar o 
Poder Executivo da União a efetivar, com fundamento em tratado internacional ou em compromisso de reciprocidade, a 
entrega do súdito reclamado.\u201d (Ext 568-QO, Rel. Min. Celso de mello, DJ 07/05/93)
 
\u201cO indictment \u2013 que o Supremo Tribunal Federal já equiparou ao instituto processual da pronúncia (Ext. 280 - EUA, RTJ - 
50/299) \u2013 constitui título jurídico hábil que legitima, nos pedidos extradicionais instrutórios, o ajuizamento da ação de 
extradição passiva.\u201d (Ext. 542, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 20/03/92)
 
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LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião; 
 
"Extraditabilidade do terrorista: necessidade de preservação do princípio democrático e essencialidade da cooperação 
internacional na repressão ao terrorismo. O estatuto da criminalidade política não se revela aplicável nem se mostra 
extensível, em sua projeção jurídico-constitucional, aos atos delituosos que traduzam práticas terroristas, sejam aquelas 
cometidas por particulares, sejam aquelas perpetradas com o apoio oficial do próprio aparato governamental, à semelhança 
do que se registrou, no Cone Sul, com a adoção, pelos regimes militares sul-americanos, do modelo desprezível do 
terrorismo de Estado. A cláusula de proteção constante do art. 5º, LII da Constituição da República \u2014 que veda a extradição 
de estrangeiros por crime político ou de opinião \u2014 não se estende, por tal razão, ao autor de atos delituosos de natureza 
terrorista, considerado o frontal repúdio que a ordem constitucional brasileira dispensa ao terrorismo e ao terrorista. A 
extradição \u2014 enquanto meio legítimo de cooperação internacional na repressão às práticas de criminalidade comum \u2014 
representa instrumento de significativa importância no combate eficaz ao terrorismo, que constitui \u2018uma grave ameaça para 
os valores democráticos e para a paz e a segurança internacionais (...)\u2019 (Convenção Interamericana Contra o Terrorismo, Art. 
11), justificando-se, por isso mesmo, para efeitos extradicionais, a sua descaracterização como delito de natureza 
política." (Ext 855, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 01/07/05)
 
\u201cExtraditando acusado de transmitir ao Iraque segredo de estado do Governo requerente (República Federal da Alemanha), 
utilizável em projeto de desenvolvimento de armamento nuclear. Crime político puro, cujo conceito compreende não só o 
cometido contra a segurança interna, como o praticado contra a segurança externa do Estado, a caracterizarem, ambas as 
hipóteses, a excludente de concessão de extradição.\u201d (Ext 700-QO, Rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 05/11/99)
 
\u201cExtradição. Impossibilidade da renúncia ao benefício da lei. A concordância do extraditando em retornar ao seu país não 
dispensa o controle da legalidade do pedido pelo STF.\u201d (Ext. 643, Rel. Min. Francisco Rezek, DJ 10/08/95)
 
\u201cNão havendo a Constituição definido o crime político, ao Supremo cabe, em face da conceituação da legislação ordinária 
vigente, dizer se os delitos pelos quais se pede a extradição, constituem infração de natureza política ou não, tendo em vista 
o sistema da principalidade ou da preponderância.\u201d (Ext. 615, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 05/12/94)
 
\u201cO processo extradicional, que é meio efetivo de cooperação internacional na repressão à criminalidade comum, não pode 
constituir, sob o pálio do princípio da solidariedade, instrumento de concretização de pretensões,