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DisciplinaDireito Constitucional I53.130 materiais1.383.232 seguidores
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apontada pelo recorrente se o seu silêncio não constituiu a base da condenação, mas sim o 
conjunto de fatos e provas autônomos e distintos, considerados suficientes pelo Tribunal a quo e cujo reexame é vedado nas 
instância extraordinária." (SÚM. 279)
 
"Do plexo de direitos dos quais é titular o indiciado \u2014 interessado primário no procedimento administrativo do inquérito 
policial \u2014, é corolário e instrumento a prerrogativa do advogado de acesso aos autos respectivos, explicitamente outorgada 
pelo Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/94, art. 7º, XIV), da qual \u2014 ao contrário do que previu em hipóteses assemelhadas 
\u2014 não se excluíram os inquéritos que correm em sigilo: a irrestrita amplitude do preceito legal resolve em favor da 
prerrogativa do defensor o eventual conflito dela com os interesses do sigilo das investigações, de modo a fazer impertinente 
o apelo ao princípio da proporcionalidade. A oponibilidade ao defensor constituído esvaziaria uma garantia constitucional do 
indiciado (CF, art. 5º, LXIII), que lhe assegura, quando preso, e pelo menos lhe faculta, quando solto, a assistência técnica do 
advogado, que este não lhe poderá prestar se lhe é sonegado o acesso aos autos do inquérito sobre o objeto do qual haja o 
investigado de prestar declarações. O direito do indiciado, por seu advogado, tem por objeto as informações já introduzidas 
nos autos do inquérito, não as relativas à decretação e às vicissitudes da execução de diligências em curso (cf. L. 9296, 
atinente às interceptações telefônicas, de possível extensão a outras diligências); dispõe, em conseqüência a autoridade 
policial de meios legítimos para obviar inconvenientes que o conhecimento pelo indiciado e seu defensor dos autos do 
inquérito policial possa acarretar à eficácia do procedimento investigatório." (HC 82.354, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 
24/09/04)
 
\u201cCondenado submetido a sindicância para apuração de falta disciplinar de natureza grave. Defesa técnica. Formalidade a ser 
observada, sob pena de nulidade do procedimento \u2014 que pode repercutir na remição da pena, na concessão de livramento 
condicional, no indulto e em outros incidentes da execução \u2014, em face das normas do art. 5º, LXIII, da Constituição, e do art. 
59 da LEP, não sendo por outra razão que esse último diploma legal impõe às unidades da Federação o dever de dotar os 
estabelecimentos penais de serviços de assistência judiciária, obviamente destinados aos presos e internados sem recursos 
financeiros para constituir advogado.\u201d (HC 77.862, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 02/04/04)
\u201cA nova Constituição do Brasil não impõe à autoridade policial o dever de nomear defensor técnico ao indiciado, 
especialmente quando da realização de seu interrogatório na fase inquisitiva do procedimento de investigação. A lei 
fundamental da República simplesmente assegurou ao indiciado a possibilidade de fazer-se assistir, especialmente quando 
preso, por defensor técnico. A Constituição não determinou, em conseqüência, que a autoridade policial providenciasse 
assistência profissional, ministrada por advogado legalmente habilitado, ao indiciado preso. Nada justifica a assertiva de que 
a realização de interrogatório policial, sem que ao ato esteja presente o defensor técnico do indiciado, caracterize 
comportamento ilícito do órgão incumbido, na fase pré-processual, da persecução e da investigação penais. A confissão 
policial feita por indiciado desassistido de defensor não ostenta, por si mesma, natureza ilícita.\u201d (RE 136.239, Rel. Min. Celso 
de Mello, DJ 14/08/92)
 
"A autodefesa consubstancia, antes de mais nada, direito natural. O fato de o acusado não admitir a culpa, ou mesmo atribuí-
la a terceiro, não prejudica a substituição da pena privativa do exercício da liberdade pela restritiva de direitos, descabendo 
falar de 'personalidade distorcida'. " (HC 80.616, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 12/03/04)
 
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STF - Constituição
\u201cO privilégio contra a auto-incriminação, garantia constitucional, permite ao paciente o exercício do direito de silêncio, não 
estando, por essa razão, obrigado a fornecer os padrões vocais necessários a subsidiar prova pericial que entende lhe ser 
desfavorável.\u201d (HC 83.096, Rel. Min. Ellen Gracie, DJ 12/12/03)
\u201cDiante do princípio nemo tenetur se detegere, que informa o nosso direito de punir, é fora de dúvida que o dispositivo do 
inciso IV do art. 174 do Código de Processo Penal há de ser interpretado no sentido de não poder ser o indiciado compelido 
a fornecer padrões gráficos do próprio punho, para os exames periciais, cabendo apenas ser intimado para fazê-lo a seu 
alvedrio.\u201d (HC 77.135, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 06/11/98)
 
\u201cJuizados especiais criminais. Não tendo sido o acusado informado do seu direito ao silêncio pelo Juízo (art. 5º, inciso LXIII), 
a audiência realizada, que se restringiu à sua oitiva, é nula.\u201d (HC 82.463, Rel. Min. Ellen Gracie, DJ 19/12/02). No mesmo 
sentido: RHC 79.973, DJ 13/10/00.
\u201cGravação clandestina de \u2018conversa informal\u2019 do indiciado com policiais. Ilicitude decorrente \u2014 quando não da evidência de 
estar o suspeito, na ocasião, ilegalmente preso ou da falta de prova idônea do seu assentimento à gravação ambiental \u2014, de 
constituir, dita \u2018conversa informal\u2019, modalidade de \u2018interrogatório\u2019 sub-reptício, o qual \u2014 além de realizar-se sem as 
formalidades legais do interrogatório no inquérito policial (C.Pr.Pen., art. 6º, V) \u2014, se faz sem que o indiciado seja advertido 
do seu direito ao silêncio. O privilégio contra a auto-incriminação \u2014 nemo tenetur se detegere \u2014, erigido em garantia 
fundamental pela Constituição \u2013 além da inconstitucionalidade superveniente da parte final do art. 186 C.Pr.Pen. importou 
compelir o inquiridor, na polícia ou em juízo, ao dever de advertir o interrogado do seu direito ao silêncio: a falta da 
advertência \u2014 e da sua documentação formal \u2014 faz ilícita a prova que, contra si mesmo, forneça o indiciado ou acusado no 
interrogatório formal e, com mais razão, em \u2018conversa informal\u2019 gravada, clandestinamente ou não.\u201d (HC 80.949, Rel. Min. 
Sepúlveda Pertence, DJ 14/12/01). No mesmo sentido: HC 69.818, DJ 27/11/92.
\u201cInformação do direito ao silêncio (Const., art. 5º, LXIII): relevância, momento de exigibilidade, conseqüências da omissão: 
elisão, no caso, pelo comportamento processual do acusado. O direito à informação da faculdade de manter-se silente 
ganhou dignidade constitucional, porque instrumento insubstituível da eficácia real da vetusta garantia contra a auto-
incriminação que a persistência planetária dos abusos policiais não deixa perder atualidade. Em princípio, ao invés de 
constituir desprezível irregularidade, a omissão do dever de informação ao preso dos seus direitos, no momento adequado, 
gera efetivamente a nulidade e impõe a desconsideração de todas as informações incriminatórias dele anteriormente obtidas, 
assim como das provas delas derivadas.\u201d (HC 78.708, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 16/04/99)
 
\u201cA ilicitude da escuta e gravação não autorizadas de conversa alheia não aproveita, em princípio, ao interlocutor que, ciente, 
haja aquiescido na operação; aproveita-lhe, no entanto, se, ilegalmente preso na ocasião, o seu aparente assentimento na 
empreitada policial, ainda que existente, não seria válido.\u201d (HC 80.949, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 14/12/01)
 
"(...) convocação para depor na CPI. Habeas corpus preventivo deferido, parcialmente, tão-só, para que seja resguardado 
aos acusados o direito ao silêncio, por ocasião de seus depoimentos, de referência a fatos que possam constituir elemento 
de sua incriminação." (HC 80.584, Rel. Min. Néri da Silveira, DJ 06/04/01)
\u201cO privilégio contra a auto-incriminação \u2014 que é plenamente invocável perante as Comissões Parlamentares de Inquérito \u2014 
traduz direito público subjetivo assegurado a qualquer pessoa, que, na condição de testemunha,