MariaHelenaDiniz.CursodeDireitoCivilBrasileiro-Vol.2TeoriaGeraldasObrigações(2007)
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caso de urgência) se conclui que a sua aplicação está restrita a situações 
iniciais, como no caso de alguém iniciar a construção de uma parede 
impeditiva de visão do prédio vizinho, ato a que se havia obrigado contra-
tualmente a não fazer. Nessa hipótese, não só pode, como deve o credor 
promover a demolição da construção, antes de sua conclusão". 
b.2. Obrigações quanto à liquidez do objeto 
b.2.1. Obrigação líquida 
A obrigação líquida é aquela obrigação certa, quanto à sua existência, e 
determinada quanto ao seu objeto. Seu objeto é certo e individuado; logo, 
sua prestação é relativa a coisa determinada quanto à espécie, quantidade e 
qualidade. É expressa por um algarismo, que se traduz por uma cifra. 
Pelo Código Civil, art. 397, o inadimplemento de obrigação positiva e lí-
quida, no seu termo, constitui de pleno direito o devedor em mora. Não haven-
do prazo assinado, começa ela desde a interpelação judicial ou extrajudicial. 
O termo inicial para contagem de juros, se se tratar de obrigação líqui-
da, decorre de acordo entre as partes, arbitramento ou sentença judicial, 
visto que o Código Civil, art. 407, estatui: "Ainda que se não alegue pre-
Teoria Geral das Obrigações 111 
juízo, é obrigado o devedor aos juros da mora que se contarão assim às 
dívidas em dinheiro, como às prestações de outra natureza, uma vez que 
lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial, arbitramento, 
ou acordo entre as partes". 
Na compensação, como veremos mais adiante, grande é a relevância da 
liquidez da obrigação, pois pelo Código Civil, art. 369, ela requer dívida lí-
quida, vencida e de coisas fungíveis. Igualmente, para que possa haver im-
putação do pagamento, será imprescindível que a relação obrigacional seja 
líquida, uma vez que pelo Código Civil, art. 352, a pessoa obrigada, por dois 
ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de indicar 
a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos. 
O Código Civil, art. 644, concede ao depositário o direito de retenção 
se houver liquidez da obrigação, ao prescrever: "O depositário poderá re-
ter o depósito até que se lhe pague a retribuição devida, o líquido valor 
das despesas, ou dos prejuízos a que se refere o artigo anterior, provando 
imediatamente esses prejuízos ou essas despesas". 
Além do mais, o Código de Processo Civil, art. 586, reza: "A execu-
ção para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título líquido, certo e 
exigível". E no art. 814,1, exige para a concessão do arresto prova literal 
da dívida líquida e certa. É preciso, ainda, não olvidar que, pelo Código 
de Processo Civil (arts. 890 e s.), a consignação em pagamento se funda 
em obrigação líquida, não comportando discussão sobre a existência da 
relação creditória e de seu montante. 
A decretação da falência baseia-se em obrigação líquida, não paga, sem 
relevante razão de direito, em seu vencimento, e constante de título pro-
testado, cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 salários-mínimos, que le-
gitime a ação executiva (Lei n. 11.101/2005, art. 95,1) 1 3 1 . 
b.2.2. Obrigação ilíquida 
A obrigação ilíquida é aquela incerta quanto à sua quantidade e que 
se torna certa pela liquidação, que é o ato de fixar o valor da prestação 
momentaneamente indeterminada, para que esta se possa cumprir; logo, 
131. W. Barros Monteiro, op. cit., p. 232-5; Carvalho de Mendonça, Tratado de direito comercial, 
v. 7, p. 212. Pelo art. 206, § 5 2 , 1 , do Código Civil, a pretensão de cobrança de dívidas líquidas 
constantes de instrumento público ou particular prescreve em 5 anos. 
112 Curso de Direito Civil Brasileiro 
sem liquidação dessa obrigação, o credor não terá possibilidade de cobrar 
seu crédito. Depende, portanto, de prévia apuração, por ser incerto o mon-
tante de sua prestação, tendendo a converter-se em obrigação líquida. Tal 
conversão se realiza, processualmente, mediante liquidação (CPC, art. 586 
e parágrafos), que lhe fixará o valor, mas pode advir de transação (CC, art. 
840), quando os transigentes acomodam seus interesses como julgarem 
conveniente, isto é, por força de ajuste entre as partes e de acordo com a 
lei (CC, arts. 948 a 954). A liquidação judicial dá-se sempre que não hou-
ver a legal e a convencional. 
Se o devedor não puder cumprir a prestação na espécie ajustada, pelo 
processo de liquidação fixa-se o valor, em moeda corrente, a ser pago ao 
credor (CC, art. 947). 
Sobre a liquidação, vide: CPC, arts. 219, 475-A, 475-C e 475-D, com 
redação da Lei n. 11.232/2005; e CC, arts. 397, 401, 404, 406 e 407. Pelo 
Código Civil, art. 397, na obrigação que se reveste de iliquidez não pode 
haver constituição em mora pleno iure, ante o princípio in illiquidis non 
fit mora, que compreende o caso em que é certa a existência do débito, 
embora incerto o seu quantum, a ser determinado oportunamente pela li-
quidação. Assim, é só depois do processo de liquidação que se têm os efei-
tos da mora. 
A obrigação ilíquida não comporta compensação (CC, art. 369), im-
putação do pagamento (CC, art. 352), consignação em pagamento e con-
cessão de arresto (CPC, art. 814,1). É suscetível de fiança, embora o fia-
dor só possa ser demandado depois que se tornar líquida e certa a obriga-
ção do principal devedor (CC, art. 821; AJ, 108:210). Ante a liquidez da 
obrigação, o depositário poderá exigir caução idônea do depositante, ou, 
na falta desta, a remoção da coisa para o depósito público, até que se li-
quide a despesa, não tendo, portanto, jus retentionis (CC, art. 644, pará-
grafo único) 1 3 2 . 
132. Álvaro Villaça Azevedo, Liquidação das obrigações, in Enciclopédia Saraiva do Direito, v. 
50, p. 133 e s.; W. Barros Monteiro, op. cit., p. 232-5; Polacco, Le obbligazioni nel diritto civile 
italiano, p. 523; Clóvis Beviláqua, Código Civil, cit., v. 4, p. 312; R. Limongi França, Liquidação 
das obrigações, in Enciclopédia Saraiva do Direito, v. 50, p. 127 e s.; Súmulas 163 e 255 do STF; 
Súmula 54 do STJ. 
Quadro sinótico 
Obrigações quanto ao seu Objeto 
O B R I G A Ç Õ E S 
ATINENTES À 
N A T U R E Z A DO 
O B J E T O 
Obr igação de dar 
Espécie de 
prestação 
de co isa 
Obr igação 
de dar co isa 
cer ta 
a) O b r i g a ç ã o 
de dar 
b) Obr igação de 
restituir 
c) Obr igação de 
contr ibuir 
É aque la em que a prestação do obr iga-
do é essencial à const i tu ição ou t ransfe-
rência do direito real sobre a coisa. 
É a que não tem por escopo t ransferência 
de propr iedade, dest inando-se apenas a 
proporcionar o uso, f ru ição ou posse dire-
ta da co isa , tempora r iamen te (CC, a r ts . 
238 a 242) . 
CC, arts. 1.315, 1.334, I, 1.336, I, § 1 2 , e 
1.568. 
d) Obr igação de solver d ív idas pecuniár ias, d ív idas de valor e 
d ív idas remuneratór ias. 
Concei to 
É aque la em que seu objeto é const i tuído por um 
corpo certo e determinado, estabelecendo entre as 
par tes um vínculo em que o devedor deverá entre-
gar ao credor uma coisa indiv iduada (CC, arts. 313 
e 233) . 
Conseqüênc ias da perda ou 
deter ioração da co isa cer ta 
C ô m o d o s n a o b r i g a ç ã o 
de dar co isa ce r ta 
I CC, arts. 234 a 236 . 
Cômodos são as vantagens pro-
duzidas pela co isa (CC, art . 237, 
parágra fo ún ico; Lei n. 492 /37 , 
art. 2 1 , § 2 2 ) . 
Obr igação 
de dar co isa 
incer ta 
O B R I G A Ç Õ E S 
ATINENTES À 
N A T U R E Z A 
D O O B J E T O 
Obr igação de dar 
Obr igação 
de solver 
d ív ida em 
dinheiro 
Obr igação 
de fazer Concei to 
Concei to 
Precei tos legais que 
. a discipl inam 
Consiste na relação obrigacional em que o objeto, 
indicado de fo rma genér ica no início da relação, 
vem a ser determinado mediante um ato de esco-
lha, por ocasião do adimplemento da obr igação. 
\u2014 CC, arts. 243 a 246 . 
CPC, arts. 629 e 630. 
Obr
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