MariaHelenaDiniz.CursodeDireitoCivilBrasileiro-Vol.2TeoriaGeraldasObrigações(2007)
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délie obbligazioni, v. 1, p. 4; W. Barros Monteiro, 
Curso de direito civil, 17. ed., São Paulo, Saraiva, 1982, v. 4, p. 3. 
8. Antunes Varela, op. cit., p. 57; W. Barros Monteiro, op. cit., p. 3. 
9. Saleilles, Étude sur la théorie générale de l'obligation, Paris, ns. 1 e 2. 
10. Inst. de obi. III, 13: "Obligatio est iuris vinculum, que necessitate adstringimur alicuius solvendae 
rei, secundum nostra iura civitatis". 
11. Orlando Gomes, Obrigações, 4. ed., Rio de Janeiro, Forense, 1976, p. 17; Serpa Lopes, Curso 
de direito civil, 4. ed., Freitas Bastos, 1966, v. 2, p. 9; Aliara, Nozionifondamentali di diritto civile, 
v. 1, p. 422; Pacchioni, Diritto civile italiano, v. 1, p. 4; Enneccerus, Kipp e Wolff, Tratado de 
derecho civil; derecho de obligaciones, v. 1, p. 5. 
28 Curso de Direito Civil Brasileiro 
sa uma servidão, mas em levar outrem em relação a nós a dar, fazer ou 
prestar qualquer coisa. Essa definição, além de descrever com precisão o 
conteúdo e o objeto do vínculo, possibilita concluir que a obrigação é di-
reito pessoal, pois há um ato que exige do devedor uma prestação de dar 
ou de fazer 1 2. 
O moderno conceito de obrigação gira em torno dessas idéias do di-
reito romano. Pothier 1 3 define-a como sendo um vínculo de direito, que nos 
obriga para com outrem a dar-lhe, fazer-lhe ou não fazer-lhe alguma coi-
sa. Nesse mesmo sentido, Lacerda de Almeida 1 4 considerou-a como "o vín-
culo jurídico pelo qual alguém está adstrito a dar, fazer ou não fazer algu-
ma coisa". Para Dernburg 1 5 a obrigação é uma relação jurídica consistente 
num dever de prestação, tendo valor patrimonial, do devedor ao credor. 
Semelhantemente, Polacco 1 6 apresenta a obrigação como uma relação ju-
rídica patrimonial, por força da qual uma pessoa (que se diz devedora) é 
vinculada a uma prestação (positiva ou negativa), em face de outra pessoa 
(que se diz credora). 
Em todas essas conceituações vislumbramos que na obrigação há uma 
pessoa, designada sujeito passivo ou devedor, adstrita a uma prestação 
positiva ou negativa em favor de outra, denominada sujeito ativo ou cre-
dor, que está autorizada a exigir seu adimplemento 1 7. 
A mais completa dessas definições é a de Clóvis: "Obrigação é a re-
lação transitória de direito, que nos constrange a dar, fazer ou não fazer 
alguma coisa economicamente apreciável, em proveito de alguém, que, por 
ato nosso, ou de alguém conosco juridicamente relacionado, ou em virtu-
de de lei, adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão" 1 8. Toda-
12. D., Liv. 44, Tít. 7, frag. 3: "Obligationum substantia non in eo consistit, ut aliquod corpus 
nostrum aut servitutem nostram faciat, sed ut alium nobis obstringat ad dandum aliquid vel 
faciendum vel praestandum". Vide observações de Ruggiero e Maroi, op. cit., v. 2, p. 2. 
13. Pothier (Traité des obligations, in Oeuvres, Paris, 1861, v. 2, p. 1) escreve que a obrigação é 
"un lien de droit, qui nous astreint envers un autre à lui donner quelque chose, ou à faire ou à ne pas 
faire quelque chose". Neste mesmo teor de idéias está a definição de Coelho da Rocha (Direito 
civil, § 112), pois para ele "obrigação é o vínculo jurídico pelo qual alguém está adstrito a dar, 
fazer ou não fazer alguma coisa". 
14. Lacerda de Almeida, Obrigações, 2. ed., § l 2 , p. 7, n. 6. 
15. Dernburg, Diritto dette obbligazioni, § l 2, p. 1. 
16. Polacco, Le obbligazioni nel diritto civile italiano, 2. ed., 1915, n. 1, p. 7, e n. 4. 
17. Vide Caio M. S. Pereira, op. cit., v. 2, p. 9; Manuel Andrade, Teoria geral da relação jurídica, 
n. 2. 
18. Clóvis Beviláqua, Obrigações, § l 2 . 
Teoria Geral das Obrigações 29 
via, por não mencionar a questão da responsabilidade do devedor inadim-
plente, preferimos o conceito de Washington de Barros Monteiro, segundo 
o qual "a obrigação é a relação jurídica, de caráter transitório, estabeleci-
da entre devedor e credor e cujo objeto consiste numa prestação pessoal 
econômica, positiva ou negativa, devida pelo primeiro ao segundo, garan-
tindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio" 1 9. Deveras, a obriga-
ção é uma relação jurídica, excluindo deveres alheios ao direito, como o 
de gratidão ou cortesia, visto que o devedor pode ser compelido a realizar 
a prestação. Possui caráter transitório, porque não há obrigações perpétuas; 
satisfeita a prestação prometida, amigável ou judicialmente, exaure-se a 
obrigação. O objeto da obrigação consiste numa prestação pessoal; só a 
pessoa vinculada está adstrita ao cumprimento da prestação. Trata-se de 
relação jurídica de natureza pessoal, pois se estabelece entre duas pessoas 
(credor e devedor), e econômica, por ser necessário que a prestação posi-
tiva ou negativa (dar, fazer ou não fazer) tenha um valor pecuniário, isto é, 
seja suscetível de aferição monetária. Tem o credor à sua disposição, como 
garantia do adimplemento, o patrimônio do devedor (CC, art. 391); assim, 
embora a obrigação objetive uma prestação pessoal do devedor, na execu-
ção por inadimplemento desce-se aos seus bens 2 0 . Desse modo, a essência 
da obrigação consiste no poder exigir de outrem a satisfação de um inte-
resse econômico, isto é, no direito de obter uma prestação do devedor 
inadimplente pela movimentação da máquina judiciária, indo buscar no seu 
patrimônio o quantum necessário à satisfação do crédito e à composição 
do dano causado 2 1. Daí a grande importância, no direito moderno, desta 
responsabilidade patrimonial, a ponto de haver quem afirme que a obriga-
ção é uma relação entre dois patrimônios, de forma que o caráter de vín-
culo entre duas pessoas, sem jamais desaparecer, vem perdendo, paulati-
namente, sua importância e seus efeitos 2 2. A obrigação funda-se no fato de 
o devedor obrigar-se, p. ex., num contrato, a realizar uma prestação ao cre-
dor; essa autovinculação é expressão da responsabilidade patrimonial do 
promitente, nela descansando a confiança que o credor lhe tem 2 3 . 
19. W. Barros Monteiro, op. cit., p. 8. 
20. W. Barros Monteiro, op. cit., p. 8-11. 
21. Vide Ferrara, Diritto civile, n. 79, p. 375; Larenz, Derecho de obligaciones, 1.1, p. 18; Enneccerus, 
Kipp e Wolff, op. cit., v. 1, p. 5; Serpa Lopes, op. cit., v. 2, p. 11. 
22. Gaudemet, Théorie genérale des obligations, p. 12; Orlando Gomes, Obrigações, cit., p. 21. 
23. Karl Larenz, Metodología de la ciencia del derecho, Barcelona, Ed. Ariel, 1966, p. 375-6. 
 
2. Elementos constitutivos da relação 
obrigacional 
Com base no conceito de obrigação poder-se-á examinar a estrutura 
dessa relação jurídica, ressaltando os seus elementos constitutivos essen-
ciais, que são: 
l 2 ) O pessoal ou subjetivo, pois requer duplo sujeito \u2014 o ativo e o 
passivo (embora um deles possa ser determinado apenas posteriormente) 
\u2014 não sendo indispensável a permanência dos sujeitos originários na re-
lação obrigacional, pois é permitida a mudança subjetiva, por transmissão 
da obrigação ou por sucessão, salvo na hipótese de obrigação personalís-
sima, sem que isso desnature o vínculo obrigacional, que se desloca da 
esfera jurídica do antigo para a do novo sujeito (CC, arts. 286 e s., 346 e 
s., 1.997, §§ l2 e 2 2 , 2.000; CPC, arts. 1.017 e 1.021). Os sujeitos preci-
sam ficar individuados para que se saiba a quem o devedor há de prestar 
ou de quem o credor há de receber; contudo, um deles pode estar 
indeterminado, caso em que é necessária sua determinabilidade, isto é, sob 
pena de não se ter vínculo obrigacional, exige-se que a indeterminação 
subjetiva seja apenas momentânea. O sujeito indeterminado no momento 
da constituição da obrigação deverá ser determinável posteriormente, por 
ocasião do adimplemento, e se porventura perdurar a incerteza, certas pro-
vidências serão tomadas, como, p. ex., no caso de o devedor não saber 
quem é o credor, poderá consignar em juízo a res debita, para que o ma-
gistrado decida quem tem o direito a levantá-la
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