MariaHelenaDiniz.CursodeDireitoCivilBrasileiro-Vol.2TeoriaGeraldasObrigações(2007)
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t a -
b e l e c e n d o c e r t a s g a r a n t i a s o u l a n ç a n d o m ã o d e 
o u t r o s m e i o s de d i r e i t o ; e d i s cu t i r os p r o b l e m a s de 
sua t r a n s m i s s ã o . 
É a Teor ia Gera l das O b r i g a ç õ e s q u e c o n s t r ó i um 
s i s t ema ana l í t i co c o n t e n d o u m a exp l i cação j u r í d i ca 
desses t rês t e m a s . 
O d i r e i t o d a s o b r i g a ç õ e s e s t á q u a s e q u e 
su f i c ien temen te regu lado pelas n o r m a s ju r íd icas , não 
t e n d o s o f r i d o g r a n d e s a l te rações , po is os p r i nc íp i os 
q u e o n o r t e i a m v ê m - s e r e p e t i n d o d e l o n g a d a t a . 
P o r é m , m e s m o a s s i m n ã o s e p o d e r i a p r e s c i n d i r , 
a t e n d e n d o - s e à s e x i g ê n c i a s d a v i d a m o d e r n a , d o 
e x a m e das d i ve rsas co r ren tes f o r m a d a s não só pe la 
d o u t r i n a n a c i o n a l c o m o t a m b é m pe la a l i e n í g e n a , 
t o m a d a s c o m o aux i l i a res n a in te rp re tação d o s t e x t o s 
l e g a i s r e f e r e n t e s à o b r i g a ç ã o à luz d a s n o v a s 
t e n d ê n c i a s do d i r e i t o , de f o r m a a poss ib i l i t a r u m a 
e x p o s i ç ã o s i s t e m á t i c a , o r d e n a d a e c o e r e n t e d o 
assun to . 
É i negáve l a i m p o r t â n c i a da s i s tema t i zação j u r í d i c a 
vo l t ada para o d i n a m i s m o do d i re i to , q u e , s e n d o u m a 
rea l idade , está s e m p r e a c o m p a n h a n d o as re lações 
h u m a n a s . Destar te , as n o r m a s , po r m a i s c o m p l e t a s 
XVI Curso de Direito Civil Brasileiro 
q u e s e j a m , são a p e n a s u m a pa r te d a e x p e r i ê n c i a 
j u r í d i ca , q u e c o n t é m u m a i m e n s i d ã o d e d a d o s . Por 
estas razões ser ia i n ó c u o um e s t u d o q u e s o m e n t e se 
l im i tasse à super f í c ie dos f e n ô m e n o s j u r í d i cos , s e m 
p r o c u r a r a t i n g i r seus f u n d a m e n t o s . Desse m o d o , 
i n te rp re ta r não ser ia fazer uso de abs t rações , m a s 
p e r s c r u t a r as n e c e s s i d a d e s da v i d a e a r e a l i d a d e 
s o c i a l , p o r q u e o f i m da n o r m a n ã o d e v e r á se r a 
cr is ta l ização da v i da soc ia l , m a s o a c o m p a n h a m e n t o 
de sua evo lução . 
O c a r á t e r p r e d o m i n a n t e m e n t e d i d á t i c o d e s t a 
o b r a l evou -nos a ident i f i car e a i n te rp re ta r as n o r m a s 
a t i n e n t e s à s r e l a ç õ e s o b r i g a c i o n a i s c o m o f i r m e 
p r o p ó s i t o de s i s t e m a t i z á - l a s s o b c r i t é r i o l ó g i c o e 
o b j e t i v o , v o l t a d o à rea l idade soc ia l . 
M a r i a He lena Diniz 
Capítulo I 
INTRODUÇÃO AO 
DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 
1. Conceito de direito das obrigações 
O direito das obrigações consiste num complexo de normas que re-
gem relações jurídicas de ordem patrimonial, que têm por objeto presta-
ções de um sujeito em proveito de outro 1. Visa, portanto, regular aqueles 
vínculos jurídicos em que ao poder de exigir uma prestação, conferido a 
alguém, corresponde um dever de prestar, imposto a outrem, como, p. ex., 
o direito que tem o vendedor de exigir do comprador o preço convencio-
nado ou o direito do locador de reclamar o aluguel do bem locado 2. Infe-
re-se daí que esse ramo do direito civil trata dos vínculos entre credor e 
devedor, excluindo de sua órbita relações de uma pessoa para com uma 
coisa 3. O direito obrigacional ou de crédito contempla as relações jurídi-
cas de natureza pessoal, visto que seu conteúdo é a prestação patrimonial, 
ou seja, a ação ou omissão da parte vinculada (devedor) tendo em vista o 
interesse do credor, que por sua vez tem o direito de exigir aquela ação ou 
omissão, de tal modo que, se ela não for cumprida espontaneamente, po-
derá movimentar a máquina judiciária para obter do patrimônio do deve-
dor a quantia necessária à composição do dano 4. 
1. Conceito baseado em Clóvis Beviláqua, Código Civil comentado, v. 4, p. 6. 
2. J. M. Antunes Varela, Direito das obrigações, Rio de Janeiro, Forense, 1977, p. 15-6. 
3. Paulo Salvador Frontini, Direito das obrigações: por uma atualização autenticadora, Revista da 
Fundação Instituto de Ensino para Osasco, n. 1, 1973, p. 101. 
4. Orlando Gomes, Obrigações, 4. ed., Rio de Janeiro, Forense, 1976, p. 17, 19 e 21. Vide, ainda, 
sobre o assunto: Larenz, Derecho de obligaciones, t. 1, p. 18; Enneccerus, Kipp e Wolff, Tratado 
de derecho civil; derecho de obligaciones, v. 1, p. 5; Bassil Dower, Curso moderno de direito civil, 
São Paulo, Nelpa, v. 2, p. 5; Gaudemet, Théorie genérale des obligations, Paris, Sirey, 1965, p. 9 
e 12; Savigny, Ledroitdes obligations, v. 1, p. 11; Luiz A. Scavone Jr., Obrigações, São Paulo, Ed. 
Juarez de Oliveira, 2000; Giselda Maria Fernandes Novaes Hironaka, Direito das obrigações: o 
caráter de permanência dos seus institutos, as alterações produzidas pela lei civil brasileira de 
2002 e a tutela das gerações futuras, in Delgado e Figueiredo Alves, Novo Código Civil \u2014 ques-
tões controvertidas, São Paulo, Método, 2005, v. 4, p. 15-32; Anderson Rocco, Direito civil \u2014 
obrigações, Porto Alegre, Síntese, 2004. 
2. Importancia dos direitos obrigacionais 
na atualidade 
Desse conceito fácil é vislumbrar a grande importância do direito das 
obrigações nos dias atuais, ante a freqüência de relações jurídicas obriga-
cionais. Deveras, o homem moderno vive numa "sociedade de consumo", 
onde os bens ou novos produtos da tecnologia moderna lhe são apresenta-
dos mediante uma propaganda tão bem elaborada, que o leva a sentir ne-
cessidades primárias ou voluptuárias nunca antes experimentadas, como, 
p. ex., a de substituir um carro novo por um "zero km" que, embora su-
pérfluo, virá satisfazer um anseio de status. A ânsia de atender aos mais 
variados requintes de bem-estar e de vaidade transforma-o num autômato, 
que age em função da ganância de novos mercados, de maiores lucros e 
da satisfação de seus desejos e ambições, justificáveis ou artificiais, fazen-
do-o desenvolver uma atividade econômica intensa5. 
Essa intensificação da atividade econômica, provocada pela urbanização, 
pelo progresso tecnológico, pela comunicação permanente, causou grande 
repercussão nas relações humanas, que por isso precisaram ser controla-
das e regulamentadas por normas jurídicas 6, que compõem o direito das 
obrigações. 
5. Emani Vieira de Souza, Obrigação, in Enciclopédia Saraiva do Direito, v. 55, p. 263-4; Frontini, 
op. cit., p. 102-4. 
6. Frontini, op. cit., p. 103-4. Vide Lei n. 8.078/90, que dispõe sobre a proteção e defesa do consu-
midor. 
Teoria Geral das Obrigações 5 
Realmente, é na seara do direito creditório que a atividade econômica 
do homem encontra sua ordenação, visto que esse ramo do direito civil 
tem por escopo equilibrar as relações entre credor e devedor, mediante as 
quais o indivíduo exerce seu direito de contrair certas obrigações para aten-
der às suas necessidades, buscando os bens e os serviços que lhe dêem 
satisfação7. É indubitável que o direito das obrigações intervém na vida 
econômica não só na produção (compra de matéria-prima; associação da 
técnica e da mão-de-obra ao capital, mediante contrato de trabalho ou de 
locação de serviço; reunião do capital da empresa por meio de contrato de 
sociedade etc) , mas também no consumo dos bens (por meio de compra e 
venda, de troca etc.) e na distribuição ou circulação (mediante contratos 
de venda, feitos aos armazenistas ou revendedores) 8. 
Como se vê, nele se contêm as normas reguladoras das relações entre 
credor e devedor, que delineiam, p. ex., certos conceitos jurídicos de obri-
gações, das várias espécies de contrato, de cessão, de responsabilidade ci-
vil e t c , possibilitando a formulação de contratos válidos, a apreciação da
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