MariaHelenaDiniz.CursodeDireitoCivilBrasileiro-Vol.2TeoriaGeraldasObrigações(2007)
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DisciplinaDireito Civil II11.411 materiais122.968 seguidores
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degraus acentuados, com a roçada da vegetação (que, em alguns locais, invadiria a 
pista) do acostamento e faixa de domínio, medidas que deveriam ser adotadas principalmente nas 
proximidades dos kms. 196 e 230; d) levantamento da situação e imediata reforma/construção de 
cercas nas margens da rodovia. 
Ademais, ordenou o órgão julgador, em sede liminar, que a União Federal, por meio da 
Polícia Rodoviária Federal: a) fosse compelida a realizar fiscalização ostensiva, preferencialmen-
te nos locais de maior risco; b) promovesse medidas educativas, em âmbito regional, minimizándo-
se os riscos de trafegar na referida rodovia. 
Com o escopo de garantir a efetiva aplicação de tais providências pelo Poder Público, restou 
fixada astreinte, nos seguintes termos: a) as medidas atribuídas, pela decisão, à Polícia Rodoviária 
Federal deveriam ter início no prazo de 5 (cinco) dias, a contar da ciência que a União Federal 
tivesse do provimento, sob pena de multa diária fixada em R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais); b) 
as obras imputadas ao DNER haveriam que ser iniciadas em 90 (noventa) dias, a contar da ciência 
do decisório, sob pena de multa diária fixada em R$ 100.000,00 (cem mil reais). 
Inconformada, a União Federal agravou de instrumento (n. 1999.03.00.033282-8), recurso 
distribuído à relatoria da E. Desembargadora Federal Therezinha Cazerta, componente, à época, 
da Quarta Turma deste Tribunal, a qual indeferiu o pleito de atribuição de efeito suspensivo. 
Por outra parte, o DNER ofertou o agravo n. 2000.03.00.029262-8, de relatoria da E. 
Desembargadora Federal Salette Nascimento, com requerimento de suspensão do gravame, provi-
dência também não atendida. 
Em agosto de 2002, em face da criação do DNIT, restou solicitada e deferida sua inclusão no 
pólo passivo da ação civil pública subjacente, sobrevindo a interposição do agravo de instrumento 
n. 2002.03.00.046102-0 \u2014 em cujo âmbito resultou desacolhida a solicitação de empréstimo de 
efeito suspensivo \u2014 e a oferta do presente pedido de suspensão, objetivando cassar os efeitos da 
liminar concedida em junho de 1999. 
A promovente alegou, em síntese, inexistir qualquer resistência à pretensão deduzida, visto 
já haver instaurado procedimento licitatório para os serviços de manutenção da Rodovia 
Transbrasiliana, o qual se encontra em fase de adjudicação e contratação. 
Sustentou a impossibilidade da adoção das providências requeridas pelo Ministério Público 
Federal, em prazo tão exíguo, já que suas obras dependem da aprovação orçamentária e procedi-
mento licitatório. 
Outrossim, asseriu ser exorbitante a quantia fixada a título de multa, revestindo-se de 
potencialidade lesiva à ordem e à economia públicas, citando a existência de jurisprudência no 
sentido de inadmitir a cominação em obrigações de fazer, em face do Poder Público, afirmando 
que, mesmo as decisões favoráveis, fazem-no em face de autarquias com dotação própria, o que 
não seria o caso do DNIT. 
Teoria Geral das Obrigações 101 
A fls. 121/128, o MPF ofertou manifestação, noticiando, através de tabelas e quadros com-
parativos entre os anos de 1999 e 2000, a redução, após a concessão da liminar guerreada, do 
número de óbitos, ocasionados por acidentes, na rodovia em questão, à base de 47,4%. Por sua 
vez, os acidentes graves diminuíram 14,6% e os leves, 22,8%. 
O promovente ofertou petição a fls. 131/139, refrisando a necessidade de suspensão do 
provimento preambular, mormente no que toca ao estabelecimento de astreinte, ante a escassez 
orçamentária e a ausência dos procedimentos licitatórios impostos pela lei. 
Nova petição do pleiteante foi agilizada a fls. 142/163, asseverando decorrer a redução do 
número de acidentes e mortes na rodovia BR-153 das providências tomadas pela Administração, 
antes mesmo da fixação da multa diária, carreando relatórios referentes aos meses de julho e 
agosto de 1999, a fim de corroborar tal assertiva. 
A fls. 166, o DNIT coligiu documento, donde se constata a execução dos serviços de manu-
tenção e conservação da rodovia Transbrasiliana, por parte do Ministério da Defesa \u2014 Exército 
Brasileiro, em caráter emergencial, tratando-se, a seu sentir, de mais um argumento à paralisação 
dos efeitos do decisório refutado. 
Por derradeiro, a fls. 171/183, o demandante apresentou petição, melhor esclarecendo a 
participação do Ministério da Defesa \u2014 Exército Brasileiro nos serviços supramencionados. 
Passo a decidir. 
Por primeiro, tem-se por oportuno consignar que, consoante assentado na jurisprudência, o 
excepcional juízo em tomo de pedido de suspensão, seja de liminar, tutela antecipada ou de sen-
tença, destina-se, propriamente, à avaliação da possibilidade e efetiva demonstração de sobrevir 
grave lesão a interesses privilegiados, consistentes na ordem, saúde, segurança ou economia pú-
blicas, em decorrência de provimento exarado pelo órgão judicante singular. Vale atentar, ainda, 
que o conceito de ordem pública vem sendo elastecido, de molde a compreender a ordem adminis-
trativa em geral, é falar, a normal execução do serviço público e o regular exercício das funções da 
Administração Pública. 
Conforme se vê, tais feitos não se constituem no foro adequado a indagações acerca da 
legalidade ou juridicidade do decisum impugnado, descabendo analisar, com profundidade, as 
questões de fundo envoltas na lide, comportando, somente, e se as especificidades do caso assim 
exigirem, juízo de delibação acerca do mérito da questão envolvida. 
Com esses apontamentos, passo à matéria de fundo. 
De pronto, não merece guarida a afirmação de que se torna necessário o término do procedi-
mento licitatório para que o DNIT cumpra sua função precípua, que é a de manter as estradas 
federais em bom estado de conservação, postergando, assim, ainda mais, a preservação da vida 
humana. 
Com efeito, o direito à vida humana acha-se consagrado no Texto Constitucional (art. 5 a , 
caput), e, de nada adiantariam os demais direitos assegurados nos diplomas legais, bem como se os 
complexos procedimentos licitatórios, se não restasse, devidamente, protegida sua inviolabilidade. 
A essa altura, observe-se que, conforme dados fornecidos pela Procuradoria-Geral da Re-
pública, após o compelimento por meio da liminar ora guerreada, através das medidas adotadas 
pelo requerente, é indiscutível que o número de mortes na Rodovia BR-153 teve substancial 
decréscimo. 
Dessarte, a medida de suspensão tem por escopo evitar dano à sociedade, e, ao contrário do 
que alega o promovente, a manutenção da liminar faz-se imperiosa, inclusive para proteger o 
interesse público. 
De outro lado, quanto à alegação de incabimento da fixação de astreinte, para garantir o 
cumprimento da medida liminar hostilizada, a jurisprudência pátria tem prestigiado a tese do 
cabimento da multa diária em face da Fazenda Pública, como, de resto, já decidido pelo Colendo 
Superior Tribunal de Justiça, in verbis: 
102 Curso de Direito Civil Brasileiro 
"AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. PREQUES-
TIONAMENTO. AUSÊNCIA. OBRIGAÇÃO DE FAZER. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚ-
BLICO. ASTREINTES. POSSIBILIDADE. 
Não se conhece do recurso especial quanto a questões carentes de prequestionamento. 
Em conformidade com o entendimento assentado em ambas as Turmas da Terceira Seção 
desta col. Corte de Justiça, o juiz de ofício ou a requerimento da parte, pode fixar as denominadas 
astreintes contra a Fazenda Pública, com o objetivo de forçá-la ao adimplemento da obrigação de 
fazer no prazo estipulado. Agravo regimental a que se nega provimento" (AGA n. 476719/RS, 6a 
Turma, Rei. Min. Paulo Medina, j. 13-5-2003, v. u., DJ 9-6-2003, p. 318 \u2014 destaquei). 
Demais, no que tange ao valor da astreinte, não há que se falar em prejuízos ao Erário, diante 
dos direitos a que se visa tutelar, cabendo trazer à colação trecho da ementa extraída do acórdão 
prolatado
Eliza
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perfeito
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