Nota de aula 6 Oferta de Moeda
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Nota de aula 6 Oferta de Moeda


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como os bancos afetam os depósitos bancários, vamos considerar inicialmente 
que os bancos são obrigados a manter a totalidade dos depósitos em seus cofres na forma de 
reservas bancárias. Logo, ele não concede empréstimos. 
Considere um indivíduo que deposita R$ 100 no Banco Um que passa a ter a seguinte situação 
contábil. 
 
 
 
 
Nota 4: Cartões de crédito e de débito 
O limite de crédito disponível nos cartões de crédito não é considerado meio de 
pagamento. O argumento é que o cartão de crédito apenas posterga o momento do 
pagamento, isto é, seria apenas um empréstimo de curto prazo. No vencimento do cartão, 
o proprietário deve efetuar o pagamento por meio de papel moeda ou débito em sua conta 
corrente. 
O cartão de débito é apenas um substituto do cheque, sendo o desconto na conta corrente 
imediato. 
No entanto, apesar de não serem incluídos na oferta de moeda, os cartões de crédito e de 
débito reduzem a necessidade de moeda (demanda). As pessoas que possuem estes 
cartões andam com menos dinheiro no bolso, isto é, requerem uma menor quantidade de 
moeda. 
Banco Um 
Depósitos 100 
Passivo Ativo 
Reservas 100 
7 
 
 
Se o banco não pode efetuar empréstimos, não consegue afetar o volume de depósitos. 
Agora, considere um sistema de reservas fracionárias. Neste regime, os bancos mantêm 
obrigatoriamente como reservas no Banco Central um percentual dos depósitos e o restante 
pode ser emprestado ou aplicado em títulos, ambos rendendo juros. Na prática, apesar dos 
depositantes poderem exigir seu dinheiro depositado em qualquer momento do tempo, 
geralmente em cada dia há sempre depósitos e retiradas, ocasionando pequenos superávits \u2013 
depósitos maiores que as retiradas - ou déficits reduzidos \u2013 depósitos inferiores que os saques. 
Assim, os bancos mantêm apenas um percentual dos depósitos em caixa para cobrir eventuais 
déficits. Além disso, os bancos têm capital que é o valor mínimo necessário para abrir um 
banco. 
Eventualmente, se ocorrer um déficit maior do que o dinheiro em caixa, os bancos podem 
emprestar de outros bancos que tiveram superávits ou recorrer ao Banco Central que funciona 
como o banco dos bancos. 
O balancete mais completo do Banco Um ficaria da seguinte forma. 
 
 
 
 
 
 
O Banco Central geralmente fixa o percentual mínimo de reservas obrigatórias. Os bancos 
podem manter reservas em excesso, mas deixam de ganhar juros ao não aplicarem estes 
recursos. 
Suponha que este percentual seja de 10%. Assim, o Banco Um que recebeu o depósito de R$ 
100, mantém. R$ 10 como reservas e empresta R$ 90. Para simplicidade, utilizamos o 
balancete contábil simplificado que fica da seguinte forma. 
 
Depósitos 100 
 
Capital 5 
(patrimônio líquido) 
Passivo Ativo 
Caixa 2 
Reservas 10 
Empréstimos 63 
Títulos 30 
Banco Um 
8 
 
 
 
 
 
 
 
O indivíduo que recebe o empréstimo deposita no Banco Dois antes de efetuar suas despesas. 
Este banco recebe então um depósito de R$ 90, guarda como reservas 10% deste depósito no 
valor de R$ 9 e empresta R$ 81. O balancete do Banco Dois é mostrado a seguir. 
 
 
 
 
O indivíduo que recebe o empréstimo de R$ 81 deposita no Banco Três e o processo de 
ampliação dos depósitos ocorrerá em várias etapas sempre em valores decrescentes até 
atingir zero, conforme ilustrado a seguir. 
Depósito no Banco Um = 100 = 100 = 100 
Depósito no Banco Dois = 0,9*100 = 90 = 0,9*100 = 0,9*100 
Depósito no Banco Três = 0,9*90 = 81 = 0,9*0,9*100 = 0,9
2
*100 
Depósito no Banco Quatro = 0,9*81 = 72,90 = 0,9*0,9*0,9*100 = 0,9
3
*100 
...................................... ...................... ....................... 
Se há n bancos, temos: 
Soma dos depósitos = 100 + 0,9*100 + 0,9
2
*100 + 0,9
3
*100 + ........................... .+ 0,9
n
*100 
Soma dos depósitos = (1 + 0,9 + 0,9
2
 + 0,9
3
 + ........................... .+ 0,9
n
)100 
Esta soma é uma série geométrica infinita cuja soma é dada por: 
Depósitos 100 
Passivo Ativo 
Reservas 10 
Empréstimos 90 
Depósitos 90 
Passivo Ativo 
Reservas 9 
Empréstimos 81 
Banco Dois 
Banco Um 
9 
 
 
Soma = 
 
 
*100 = 1.000 
Soma = 
 
 
 *100 = 1.000 
Denominamos 
 
 
, multiplicador bancário que é igual a recíproca do percentual da reservas. 
Note que este resultado é obtido mesmo que o depósito seja efetuado no mesmo banco. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6. Banco Central e o controle da oferta da moeda 
O Banco Central pode controlar a quantidade de moeda na economia de várias maneiras: 
a) operações no mercado aberto 
Considere o balancete contábil mais completo do Banco Um. 
 
 
 
 
Nota 5: para qualquer |x| < 1, faça com que 
z = 1 + x + x
2
 + x
3
 + ................ 
Multiplicando ambos os lados por x, temos: 
zx = x + x
2
 + x
3
 + x
4
 + ........... 
Subtraindo a primeira equação da segunda, temos: 
z \u2013 zx = 1 
z(1 - x) = 1 
z = 
 
 
 
Depósitos 100 
 
Capital 5 
(patrimônio líquido) 
Passivo Ativo 
Caixa 2 
Reservas 10 
Empréstimos 63 
Títulos 30 
Banco Um 
10 
 
 
 
O governo compra títulos do banco no valor de 10 e paga aumentando as reservas deste 
banco depositadas no Banco Central. 
O Banco Um passa a ter mais reservas do que o exigido pelo Banco Central, conforme 
ilustrado abaixo. 
 
 
 
 
 
 
Como o excesso de reservas não rende juros, o banco faz empréstimos e o multiplicador 
bancário eleva os depósitos que fazem parte do M1. 
Portanto, o Banco Central aumenta M1. 
Se o governo aumenta o percentual de reservas, o M1 diminui. 
Lembrando que: 
R = r*D 
onde 
R = reservas bancárias no Banco Central; 
r = fração dos depósitos bancários que deve ser depositada no Banco Central, e 
D = volume de depósitos nos bancos comerciais. 
D = 
 
 
 *R \uf0de \uf044D = 
 
 
 *\uf044R 
Assim, o governo pode controlar o volume de depósitos por meio da variação das reservas 
bancárias. 
Depósitos 100 
 
Capital 5 
(patrimônio líquido) 
Passivo Ativo 
Caixa 2 
Reservas 20 
Empréstimos 63 
Títulos 20 
Banco Um 
11 
 
 
No entanto, M1 = Mp + D, resta mostrar como o governo pode influenciar Mp. 
Quando um indivíduo recebe um empréstimo, ele pode manter uma parte em sua posse e o 
restante como depósito no banco. 
A escolha depende de vários fatores, tais como a criminalidade e a confiança nos bancos. 
Represente por k a proporção entre a moeda mantida em seu poder e o depósito bancário: 
k = 
 
 
 \uf0de Mp = kD 
Então, podemos definir M1 da seguinte forma: 
M1 = kD + D \uf0de M1 = (k + 1)D 
Agora, vamos introduzir um novo conceito: 
BM = Mp + R 
onde 
BM = base monetária 
Substituindo temos: 
BM = kD + rD \uf0de BM = (k + r)D 
Dividindo M1 por BM, temos: 
 
 
 = 
( ) 
( ) 
 \uf0de M1 = 
( )
( )
*BM 
( )
( )
 = multiplicador monetário 
Portanto, dado k e r, o governo pode controlar M1 ajustando BM. 
b) taxa de redesconto 
Esta é a taxa de juros cobrada pelo Banco Central para empréstimos aos bancos comerciais 
que estão necessitando de recursos temporariamente (curto prazo). 
Se a taxa de redesconto se eleva, os bancos farão menos empréstimos para não terem que 
recorrer ao Banco Central em caso de necessidade. 
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c) variação das reservas bancárias e pagamento de juros 
Como vimos, o governo influencia o multiplicador bancário manipulando a proporção dos 
depósitos bancários que devem ser depositados no Banco Central. 
Se o governo paga juros sobre reservas bancárias, diminui o interesse