Nota de aula 5   Crescimento econ+¦mico
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Nota de aula 5 Crescimento econ+¦mico


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Universidade do Estado do Rio de Janeiro 
Faculdade de Ciências Econômicas 
Introdução à Economia II 
1º. semestre 2014 
 
Nota de aula 5 \u2013 Crescimento econômico 
Honorio Kume 
1. Importância do crescimento econômico 
A tabela 1 apresenta para um grupo de 13 países o período de análise de aproximadamente um 
século, as rendas per capita no início do período e no final do período e as taxas de crescimento 
anual da renda per capita. 
 
Tabela 1 \u2013 Renda per capita e taxa de crescimento do PIB: países escolhidos 
País Período PIB per capita no início 
do período (US$ 2008) 
PIB per capita no 
final do período 
(US$ 2008) 
Taxa de 
crescimento anual 
(%) 
Japão 1890-2008 1.504 35.220 2,71 
Brasil 1900-2008 779 10.070 2,40 
México 1900-2008 1.159 14.270 2,35 
Alemanha 1870-2008 2.184 35.940 2,05 
Canadá 1870-2008 2.375 36.220 1,99 
China 1900-2008 716 6.020 1,99 
Estados Unidos 1870-2008 4.007 46.970 1,80 
Argentina 1900-2008 2.293 14.020 1,69 
Reino Unido 1870-2008 4.808 36.130 1,47 
Índia 1900-2008 675 2.960 1,38 
Indonésia 1900-2008 891 3.830 1,36 
Paquistão 1900-2008 737 2.700 1,21 
Bangladesh 1900-2008 623 1.440 0,78 
Fonte: Mankiw, p. 223. 
 
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Observando a tabela 1, temos: 
i) países ricos em 2008 como os Estados Unidos (renda per capita de US$ 46.970), Japão (US$ 
35.220), Reino Unido (US$ 36.130), Alemanha (US$ 35.940) e Canadá US$ 36.220); 
ii) países pobres como Bangladesh (US$ 1.440), Paquistão (US$ 2.700), Índia (US$ 2.960) e 
Indonésia (US$ 3.830); 
iii) grandes diferenças entre países ricos e pobres: os Estados Unidos tem uma renda per capita 32,6 
vezes maior do a de Bangladesh; a do Canadá é 13,4 vezes maior do a do Paquistão; 
iv) estas diferenças na renda per capita eram menores no início do período: os Estados Unidos 
tinham uma renda per capita 6,4 vezes maior do a de Bangladesh; a do Canadá é 3,2 vezes maior do 
a do Paquistão; 
v) países com rendas per capita menores podem se tornar ricos: o Japão tinha no início do período 
uma renda per capita de US$ 1.504, inferior a da Argentina de US$ 2.293. Em 2008, a renda per 
capita do Japão de US$ 35.220 é 2,5 vezes superior a da Argentina de US$ 14.020. Isto significa que 
países pobres podem se tornar ricos; 
vi) o Reino Unido tinha no início do período uma renda per capita 20% maior do que a dos Estados 
Unidos. Em 2008, o Reino Unido tem uma renda per capita 23% inferior a dos Estados Unidos. Isto 
mostra que países muito ricos podem se tornar menos ricos. 
O que causa estas mudanças? 
A resposta está nas taxas de crescimento anual no período apresentadas última coluna da tabela 1. 
O Japão cresceu 2,7%, Estados Unidos 1,8% enquanto Bangladesh 0,8%, Paquistão 1,2%, Indonésia 
1,4% e Índia 1,4%. 
Vale notar que as diferenças nas taxas de crescimento anual da renda per capita são pequenas. Por 
exemplo, o Japão com renda per capita de US$ 1.504, em 1890, cresceu 2,7% ao ano e alcançou, 
em 2008, uma renda per capita de US$ 35.220. O México tinha uma renda per capita, em 1990, de 
US$ 1.159 e atingiu US$ 14.270, em 2008, com crescimento anual de 2,35%. É certo que há uma 
diferença de 10 anos no período de análise, mas a diferença é de apenas 0,35% por ano. 
Portanto, pequenas diferenças nas taxas de crescimento anual da renda per capita em longos 
períodos tem grande importância. 
 
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Isto já foi visto quando estudamos a regra de 72: dividindo-se este número sobre a taxa de 
crescimento anual em percentagem, obtemos em quantos a renda per capita duplica. A tabela 2 
ilustra esta regra para diversas taxas de crescimento anual. 
 
 
 
Tabela 2 - Importância das pequenas diferenças nas taxas de crescimento econômico 
Taxa de crescimento anual do PIB (%) PIB dobra em (anos) 
1 72 
2 36 
3 24 
4 18 
5 14,4 
6 12 
7 10,3 
8 9 
9 8 
10 7,2 
 Fonte: Elaboração própria. 
 
A tabela 2 indica que se a taxa de crescimento da renda per capita aumentar de 2% para 3%, a renda 
per capita duplica em 24 anos ao invés de 36 anos. 
O gráfico 1 apresenta a taxa de variação anual do PIB para os países do BRICS (denominação do 
grupo de países emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no período 2000-2012. 
Nota-se no gráfico 1 diferenças importantes nas taxas de crescimento anual do PIB. A China 
apresenta as maiores taxas de crescimento seguidas pela Índia.e Rússia. O Brasil e a África do Sul 
mostram taxas de crescimento menores e mais similares. 
 
Nota: alguns livros textos denominam de regra de 70 ao invés de 72. Assim, dividem 70 pela taxa 
crescimento da renda per capita anual em percentagem. Os resultados não diferem de forma 
importante. 
 
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Gráfico 1 \u2013 Taxa de variação anual do PIB dos BRICS: 2000-2012 
 
Fonte: Banco Mundial. Elaboração própria. 
 
 
O objetivo deste capítulo é entender o que provoca as diferenças nas taxas de crescimento 
econômico. Há uma disciplina específica para tratar deste tema chamada Desenvolvimento 
Econômico I. A área de pesquisa é Crescimento Econômico e tem muitos economistas trabalhando 
sobre este tema. 
2. Fontes do crescimento econômico 
Vamos representar o PIB pela função de produção: 
Y = f(L, K, Tec) 
onde 
Y = PIB medido em bilhões de reais; 
L = horas agregadas de trabalho; 
K = quantidade de capital físico; e 
Tec = nível tecnológico. 
-10
-5
0
5
10
15
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Brasil China Índia África do Sul Rússia
 
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2.1 Aumento das horas agregadas de trabalho 
O aumento das horas agregadas ocorre devido a elevação do número de pessoas ocupadas 
decorrente de: 
a) entrada no país de trabalhadores estrangeiros; 
b) redução do desemprego estrutural devido a qualificação da mão de obra; 
c) transferência de trabalhadores ociosos da zona rural para o setor urbano; 
d) aumento da idade para aposentadoria. 
O impacto do aumento da oferta de trabalho sobre o PIB é ilustrado no gráfico 2. 
Gráfico 2 \u2013 Oferta de trabalho e efeito no PIB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
W 
W1 
W2 
O1 O2 
D 
L 
L1 L2 
Y 
L1 L2 
L 
Y1 
Y2 
Y = f(L, K1, Tec1) 
 
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O aumento das horas de trabalho eleva o PIB, mas o salário cai. 
Note que a produtividade do trabalho = 
 
 
 também diminui 
Este processo de aumento do PIB não é sustentável devido a lei dos rendimentos decrescentes. 
2.2 Aumento do capital 
O estoque de capital em um determinado tempo é igual a soma dos investimentos realizados: 
K = \u2211 
ou Kt = Kt-1 + It \u2013 Depreciação 
ou Kt = Kt-1 + ILt 
onde ILt = investimento líquido no ano t. 
O aumento de K desloca a função de produção para cima. Assim, com a mesma quantidade trabalho, 
o produto aumenta (gráfico 3). 
Gráfico 3 \u2013 Aumento no estoque de capital e impacto sobre a produção 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No entanto, o capital também enfrenta rendimentos decrescentes. Portanto, mantido os demais 
fatores constantes, incrementos iguais no K provocam aumentos menores no PIB. 
Nota-se que a produtividade do trabalho se eleva. 
L 
Y 
L1 
Y3 
Y2 
Y = f(L, K3, Tec1) 
Y1 
Y = f(L, K2, Tec1) 
Y = f(L, K1, Tec1) 
\uf044Y 
\uf044Y 
 
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Como podemos aumentar o capital? 
Elevando a poupança: 
Y = C + I + G + X 
S = Y \u2013 C \u2013 G 
S = I + X 
A entrada de capital estrangeiro pode contribuir para aumentar o estoque de capital doméstico. 
2.3 Progresso tecnológico 
O que é tecnologia? 
A definição é difícil por ser muito abrangente. 
Definição ampla: qualquer fator