Nota de aula 13   Pol+¡tica macroecon+¦mia
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Nota de aula 13 Pol+¡tica macroecon+¦mia


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convencimento ocorre, a curva de oferta de curto prazo se 
deslocará de OACP2 para OACP1. 
No longo prazo, a economia retornará ao ponto A, com a taxa de inflação inicial. 
Dilema do Bacen: 
a) política monetária de acomodação elimina rapidamente o desemprego às custas de uma 
inflação mais elevada; 
b) política de não acomodação: o desemprego persistirá até convencer os agentes econômicas 
que o Bacen não abrirá mão de manter a taxa de inflação em \u3c01, ainda que as custas de um 
desemprego temporário. 
Quanto tempo durará o desemprego temporário? 
O tempo dependerá de como as pessoas esperam que o Bacen se comportará. 
Se as pessoas acreditam que, o Bacen manterá a meta de inflação inicial de \u3c01, considerarão a 
inflação \u3c02 temporária e manterão as suas expectativas de inflação em \u3c01. Quando isso ocorre, 
afirmamos que a inflação está ancorada em \u3c01. Portanto, os aumentos de salários e preços 
continuarão sendo baseadas na taxa de inflação \u3c01, e a curva de oferta agregada de curto prazo 
OACP2 voltará rapidamente para OACP1 (gráfico 5). 
 
 7 
 
Gráfico 4 \u2013 Política monetária sem acomodação frente ao dispêndio ao choque de oferta agregada 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A decisão do Bacen pode depender de quanto tempo demorará para a economia retornar do ponto 
B para o ponto A. Se o desemprego temporário for prolongado pode tender a optar por política de 
acomodação. Se for curto, pela não acomodação. 
4. Política monetária e o núcleo da inflação 
Considere uma economia com 5 bens cujos os preços são: 
P1, P2, P3, P4, P5 \uf0de inflação = variação no preço médio 
P1 sofre um grande aumento \uf0de aumento no preço médio (inflação) 
Se o Bacen quer evitar a inflação, será preciso provocar uma recessão para que os demais 
tenham redução de modo que o preço médio fique constante. Esta política terá um custo social 
alto. 
Ao invés desta política, o Bacen pode aceitar o aumento no preço médio (efeito de primeira 
ordem) , mas evitar que o aumento na taxa de inflação eleve a expectativa de inflação e se 
propague para os outros bens (efeito de segunda ordem). 
Então, a questão fundamental é como evitar que o efeito de primeira ordem não altere as 
expectativas de inflação. 
\uf070 
PIB real 
OACP1 
0 
OALP 
OACP0 
\uf0702 B 
H1 
\uf0701 
DA1 
A 
1 
2 
 8 
 
Para alcançar este objetivo, o Bacen pode focar o núcleo da inflação, isto é, o preço médio dos 
bens, exclusive o bem 1. Esta decisão não é feita a posteriori, mas anunciada antecipadamente. 
O Bacen avisa que medida de inflação relevante corresponde ao núcleo da inflação. Por exemplo, 
nos EUA, o núcleo da inflação corresponde ao aumento dos preços de todos os bens da cesta de 
consumo, exceto energia e alimentos. 
Assim, mesmo que ocorra um aumento no preço do bem 1, o Bacen mudará sua política 
monetária apenas se perceber que os demais preços também estão aumentando. 
5. Expectativas de inflação e credibilidade 
Como evitar que o aumento no preço do bem 1 contamine os preços dos demais bens? 
Isto significa que apesar do aumento do preço do bem 1, a elevação do preço dos demais bens se 
baseia em outro fator que é denominado âncora nominal. 
Por que os produtores seguiriam esta âncora nominal ignorando que o aumento no preço do bem 
1 e evitando as elevações generalizadas nos preços dos demais bens? 
Muitos economistas acreditam que depende da credibilidade da política monetária, isto é, o grau 
no qual as pessoas confiam na promessas do Bacen de manter a inflação baixa, mesmo que esta 
decisão talvez imponha custos sociais no curto prazo. 
Como o Bacen conquista esta credibilidade como garantidor de inflação baixa? 
Alguns requisitos: 
a) Banco Central independente do executivo 
A diretoria do Banco Central é nomeada pelo executivo por um mandato definido com a missão de 
manter uma inflação reduzida e não pode ser demitida, a não ser em casos justificados. 
Por exemplo, na ocorrência de um choque inflacionário, o executivo não pode ordenar ao Banco 
Central que adote uma política de acomodação. 
b) Anunciando uma meta de inflação 
O Bacen recebe como meta manter a inflação dentro de certos limites. Por exemplo, no Brasil, 
entre 2,5% e 6,5%, com centro em 4,5%. 
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Se o Bacen sempre procura manter a inflação em torno do centro da meta, não importa o custo 
social das medidas a serem adotadas, as pessoas passarão a ter a expectativa de inflação igual 
ao centro da meta. 
Assim, eventuais choques de oferta ou de demanda não serão capazes de alterar a expectativa de 
inflação, por que as pessoas sabem antecipadamente que o Bacen atuará para que a taxa de 
inflação retorne rapidamente ao centro da meta. 
Por que a meta de inflação não é zero? 
Algumas justificativas: 
a) como nunca o resultado é preciso, se a meta de inflação for zero, há o risco de uma inflação 
negativa, isto é, deflação que pode se acentuar. A experiência mostra que uma deflação pode 
causar mais danos ao produto do que a inflação; 
b) em situações excepcionais, a política monetária pode exigir uma taxa de juros real negativa. 
Como a taxa de juros nominal pode chegar no limite inferior a zero, se a inflação for nula nunca a 
taxa de juros real será negativa; 
c) medidas usuais de inflação superestimam a verdadeira inflação, portanto, uma inflação de 1% 
pode significar na realidade uma inflação de 0%; 
d) mudanças setoriais podem exigir menos salários reais em alguns setores. Como é difícil reduzir 
o salário nominal é necessária uma inflação para diminuir o salário real. 
6. Política fiscal versus inflação 
A política fiscal pode ser utilizada para combater um aumento no dispêndio agregado? 
Sim, se a curva de demanda agregada se desloca para a direita devido a maior confiança das 
famílias e das empresas sobre o futuro da economia, o governo pode compensar o aumento no 
consumo e no investimento, reduzindo os seus gastos. 
Na realidade, reduzir gastos do governo é uma tarefa politicamente difícil. 
Um grupo pequeno de economistas acredita que a política fiscal de redução dos impostos pode ter 
efeitos do lado da demanda e também do lado da oferta. 
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Por exemplo, se o governo reduz o imposto sobre o trabalho a demanda, a renda disponível se 
eleva e a oferta também por meio da maior disponibilidade para o trabalho, o que eleva o produto 
potencial (gráfico 6). 
 
Gráfico 6 \u2013 Impacto de uma redução no imposto sobre o trabalho 
 
 
 
 
 
 
 
 
Neste caso, o deslocamento das curvas de demanda agregada e da oferta agregada são iguais e 
a inflação se mantém constante. 
7. Execução da política monetária: arte ou ciência? 
A elaboração de uma política monetária perfeita exigiria o conhecimento dos seguintes elementos. 
a) Conhecimento preciso do estado atual da economia. 
As informações sobre o PIB e o nível de desemprego são obtidas com atraso e ainda estão 
sujeitas a revisão. 
b) Conhecimento do caminho futuro da economia se as mudanças políticas não forem 
implementadas. 
Se a economia alcançará o pleno emprego em tempo aceitável, não é prudente a adoção de 
medidas para estimular a economia. 
c) conhecimento preciso do produto potencial para calcular o hiato do produto. 
\uf070 
PIB real 0 
OALP 
\uf0701 
A 
0 
DA1 
B 
1 
2 
DA2 
 11 
 
Não se conhece com precisão o nível de produto potencial e da taxa de desemprego natural. 
d) controle completo e imediato das ferramentas da política fiscal e monetária. 
Há defasagens no tempo no manuseio das políticas fiscal e monetária. Por exemplo, entre elevar 
os gastos do governo e aumentar efetivamente os gastos demora um tempo. 
Os cálculos de qual é o aumento nos gastos necessário depende do multiplicador