FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011
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FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011


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esqueléticos, tendões e articulações, além de informações eletrofisiológicas 
dos tractos motores da medula. O trato espinocerebelar pode ser dividido em anterior e posterior (embora ambos 
seguem no funículo lateral da medula): 
o As fibras do tracto espino-cerebelar posterior seguem no funículo lateral do mesmo lado e penetram no cerebelo 
pelo pedúnculo cerebelar inferior, levando impulsos de propriocepção inconsciente originados em fusos 
neuromusculares e órgãos neurotendinosos (sensação que nos ajuda a manter-se em pé ou rígidos mesmo 
involuntariamente).
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FISIOLOGIA III \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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o As fibras do tracto espino-cerebrelar anterior ganham o funículo lateral do mesmo lado ou do lado oposto e 
penetram no cerebelo, principalmente pelo pedúnculo cerebelar superior. Admite-se que as fibras cruzadas na 
medula tornam a se cruzar ao entrar no cerebelo. O tracto espino-cerebelar anterior informa ao cerebelo e aos 
centros corticais dados sobre eventos eletrofisiológicos que ocorrem dentro da própria medula relacionados com a 
atividade elétrica do tracto córtico-espinhal (principal trato motor da medula). Essa informação é utilizada pelo 
cerebelo para controle e modulação da motricidade somática (daí a importância do cerebelo para o comando motor). 
OBS30: A somatotopia define que cada fibra aferente (sensitiva) que chega na raiz dorsal da medula é responsável por 
uma região específica do corpo (dermátomos), obedecendo a segmentação medular, assim como mostrado na figura 
abaixo. É baseando-se neste conhecimento que um neurologista é capaz de determinar, por meio de um simples exame 
clínico, o exato nível medular acometido por um traumatismo raquimedular, determinando, a partir do nível da lesão, qual 
a perda funcional, motora ou sensitiva, deste paciente. 
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OBS31: Dor visceral x Dor referida. A dor referida pode ser definida como uma sensação dolorosa superficial localizada 
a distância da estrutura profunda (visceral ou somática). Por vezes, um paciente pode referir dor em determinada região 
do corpo, mas cuja origem esteja relacionada a uma outra víscera ou estrutura. Como por exemplo, um paciente que 
sofre um infarto agudo do miocárdio pode não sentir dor no peito, mas referir apenas dor difusa na região do pescoço ou 
na face medial do braço (esquerdo, 
principalmente). A explicação para este fenômeno 
se dá devido à convergência de impulsos 
dolorosos viscerais e somáticos para 
interneurônios nociceptivos comuns localizados no 
corno dorsal da medula espinhal. Este 
interneurônio ativa, então, a mesma via 
ascendente, a qual leva ao cérebro, praticamente, 
a mesma informação de dor. Como as vias que 
levam essas informações a uma área de projeção 
cortical são praticamente as mesmas, o córtex 
somestésico interpreta como sendo originada de 
uma única região (que seria a que mais apresenta 
nociceptores). Como a região que capta a dor 
somática é muito mais rica em terminações 
nervosas nociceptivas, o cérebro (e, portanto, nós) 
interpretamos a dor visceral como sendo uma dor 
superficial em determinada região da pele. 
São exemplos de dor referida: dor na face medial do braço (dermátomo de T1) nos pacientes com infarto agudo do 
miocárdio; dor epigástrica ou periumbilical (dermátomos de T6 a T10) na apendicite; dor no ombro direito (dermátomo de 
C4) nos indivíduos com doença do diafragma ou da própria vesícula biliar (cujas afecções seguem pelo nervo frênico); 
etc.
VIAS SOMATOSENSORIAIS DOS NERVOS CRANIANOS
Do ponto de vista somático, apenas o nervo trigêmeo (V par de nervos cranianos) é responsável por levar 
informações da sensibilidade da pele (da cabeça, essencialmente) no que diz respeito a todos os nervos cranianos
(alguns outros, como o VII, IX e o X, levam informações somáticas de uma pequena região do pavilhão auricular). Por 
esta razão, as fibras sensitivas do nervo trigêmeo são conhecidas como fibras aferentes somáticas gerais. Os demais 
nervos cranianos sensitivos estão relacionados com a inervação de vísceras da cabeça e do restante do corpo (fibras 
aferentes viscerais gerais), além de levar ao SNC informações referentes aos sentidos especiais (fibras aferentes 
somáticas especiais e viscerais especiais). Estes serão detalhados em um tópico específico, logo adiante neste capítulo.
Portanto, no que diz respeito à inervação somática da pele da cabeça, falemos da importância do nervo 
trigêmeo, V par de nervos cranianos. Ele é dividido em três grandes ramos: o nervo oftálmico (V1), o nervo maxilar 
(V2) e o nervo mandibular (V3). De um modo geral, temos:
\uf0fc O nervo oftálmico, além de trazer informações sensitivas da pele da 
fronte (testa), está relacionado com a inervação somática da
conjuntiva e esclera do globo ocular (e, portanto, de nada tem a ver 
com o sentido especial da visão). Ele é responsável por levar ao 
SNC estímulos dolorosos e táteis de objetos que tocam o olho, por 
exemplo.
\uf0fc O nervo maxilar está relacionado com a inervação da pele de boa 
parte das bochechas e do lábio superior.
\uf0fc O nervo mandibular é um nervo misto: sua parte sensitiva está 
relacionada com a inervação da parte inferior das bochechas, lábio 
inferior e queixo; sua parte motora está relacionada com a 
inervação da musculatura da mastigação. Acredita-se que a 
sensibilidade somática da língua (como a dor por uma mordida, por 
exemplo) também é veiculada ao SNC por este ramo do V par 
craniano.
Além deste componente exteroceptivo, o nervo trigêmeo 
também apresenta vias proprioceptivas. Tais vias (relacionadas com 
o núcleo mesencefálico do trigêmeo) são responsáveis por captar 
informações nervosas oriundas de receptores na articulação 
temporomandibular e nos dentes (os quais veiculam informações 
sobre a posição da mandíbula e da força da mordida) e na língua 
(levando ao SNC informações sobre a posição da língua na boca).
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SENTIDOS ESPECIAIS
Do ponto de vista biol‰gico e de ciŽncias cognitivas, os sentidos representam o meio pelo qual os seres vivos
percebem e reconhecem outros organismos, al„m das caractersticas do meio ambiente em que se encontram, 
garantindo a melhor adapta†ƒo ao mesmo e facilitando a sobrevivŽncia da esp„cia. O adjetivo correspondente aos 
sentidos „, praticamente, sensorial.
Dentre os sentidos especiais e seus respectivos ‰rgƒos, 
podemos destacar:
\uf0fc Audi†ƒo, relacionada com a capta†ƒo de ondas sonoras pela 
cóclea, localizada no ouvido interno. O equilbrio, que 
tamb„m pode ser considerado como um sentido especial, 
est‚ relacioando ao aparelho vestibular, que est‚ associado 
‡ c‰clea tamb„m no ouvido interno.
\uf0fc Olfa†ƒo, relacionada com a capta†ƒo de partculas 
arom‚ticas pelo epitélio olfatório especial, localizado no 
teto da cavidade nasal, traduzindo, em nvel do SNC, o 
cheiro.
\uf0fc Gusta†ƒo (paladar), relacionado com a capta†ƒo de 
partculas qumicas de determinadas substŠncias e alimentos 
pelas papilas gustativas da língua, traduzindo, em nvel 
central, o gosto.
\uf0fc Visƒo, relacionada com a capta†ƒo de ondas luminosas pelo 
epitélio neurossensorial da retina, localizada no globo 
ocular.
Observe que existem receptores, altamente especializados, capazes de captar estmulos diversos e localizados 
nos respectivos ‰rgƒos dos sentidos. Tais receptores, chamados receptores sensoriais especiais, sƒo formados por 
c„lulas nervosas capazes de traduzir ou converter esses estmulos em impulsos el„tricos ou nervosos que serƒo 
processados e analisados em centros especficos do SNC, onde ser‚ produzida uma resposta (volunt‚ria ou 
involunt‚ria). A estrutura e o modo de funcionamento destes receptores nervosos especializados sƒo diversos.
AUDIÇÃO
A audição „ a capacidade de reconhecer o som emitido pelo ambiente. O ‰rgƒo respons‚vel