FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011
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FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011


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escleral), conduzindo, al„m das fibras sensitivas relacionadas com a visƒo, os vasos que entram no bulbo do 
olho (como a art„ria central da retina, um ramo da art„ria oft‚lmica).
\uf0b7 Mácula lútea: lateralmente ao disco ‰ptico, ocupando exatamente o p‰lo posterior do globo ocular, encontramos 
a mácula lútea (do latim, ponto amarelo), uma pequena ‚rea oval da retina, com cones fotorreceptores especiais 
e em maior n€mero, sendo assim, uma ‚rea especializada para acuidade visual. No centro da m‚cula l€tea, h‚ 
uma pequena depressƒo denominada de fóvea central (do latim, depressƒo central), a ‚rea de visƒo mais 
aguda e apurada (tanto „ que o objetivo da focaliza†ƒo ocular „ projetar a imagem dos objetos justamente na 
m‚cula l€tea). Os motivos que fazem com que a m‚cula l€tea seja a ‚rea de melhor acuidade visual sƒo:
\uf0fc Presen†a de um maior n€mero de cones fotorreceptores especiais.
\uf0fc Propor†ƒo de um cone para cada c„lula ganglionar. Nas demais regi…es da retina, existem v‚rios 
bastonetes convergindo para uma €nica c„lula bipolar.
\uf0fc Presen†a da f‰vea, que nada mais „ que o afastamento centrfugo das demais camadas retinianas, 
fazendo com que a luz incida diretamente na camada de c„lulas fotorreceptoras.
Etapas críticas da visão.
Para entendermos o mecanismo fisiol‰gico da visƒo, devemos tomar conhecimento que a visƒo „ dividida em 
trŽs etapas: 
\uf0fc A etapa óptica, que depende basicamente dos sistemas de lentes do bulbo ocular (c‰rnea, humor aquoso, 
cristalino e humor vtreo); 
\uf0fc A etapa fotoquímica, em que o estmulo luminoso „ convertido em impulso nervoso, em nvel das c„lulas 
fotorreceptoras; 
\uf0fc A etapa neurossensorial, que representa o percurso que o estmulo nervoso atravessa ao longo do sistema 
nervoso, desde as fibras do nervo ‰ptico at„ os l‚bios do sulco calcarino do lobo occipital.
Retina.
A retina consiste em um epit„lio nervoso transparente especializado, sendo formada essencialmente por fibras 
nervosas, que cobre a face interna do globo ocular. Constituinte da camada interna do globo ocular, a retina „ formada 
por v‚rias camadas \u2013 em torno de 10. Contudo, em todas estas camadas, trŽs grupos de c„lulas se destacam \u2013 sƒo 
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elas: c„lulas fotorreceptoras ou fotossensveis (neurnios de 1 ordem), c„lulas bipolares (neurnios de 2 ordem) e 
c„lulas ganglionares (neurnios de 3 ordem). Destas, brotam os axnios que formam o nervo ‰ptico.
Como vimos anteriormente, a regiƒo de maior acuidade visual se faz na chamada fóvea central da retina, onde 
encontramos a maior concentra†ƒo das as c„lulas respons‚veis pela capta†ƒo da luz:
\uf0b7 Cones (6 milhões): c„lulas mais centrais, com baixa sensibilidade ‡ luz, sendo respons‚veis pela percep†ƒo 
das cores. Apresentam alta acuidade e alta concentra†ƒo na f‰vea.
\uf0b7 Bastonetes (125 milhões): c„lulas mais perif„ricas, com alta intensidade ‡ luz, e nƒo sƒo sensveis ‡ cor. 
Apresentam baixa acuidade e alta concentra†ƒo na periferia da retina. 
Conhecendo a distribui†ƒo das c„lulas nas trŽs principais camadas da retina, podemos perceber que o trajeto do 
raio luminoso se faz de modo contr‚rio ao trajeto do impulso nervoso: as ondas luminosas passam por todas as 
camadas da retina para, s‰ entƒo, alcan†arem a camada dos fotorreceptores. Ao chegar nesta camada, ocorre a etapa 
fotoqumica da visƒo, em que h‚ a transdução do sinal luminoso \u2013 a energia luminosa „ convertida em impulso nervoso.
Da, os cones e bastonetes funcionam como neurnio de 1 ordem e se conectam ‡s c„lulas bipolares, que 
funcionam como neurnios de 2 ordem e que se ligam ‡s c„lulas ganglionares, que funcionam como neurnios de 3 
ordem e formam os axnios do nervo ‰tico, que percorre toda a camada cncava da retina para convergir na papila 
‰ptica e deixar o globo ocular e seguir o caminho da via ‰ptica.
Transdução do sinal luminoso.
A transdu†ƒo do sinal corresponde ‡ etapa fotoqumica da 
visƒo. Gra†as a ela, a energia luminosa „ convertida em estmulo 
eletro-qumico por meio das c„lulas fotorreceptoras: os cones e os 
bastonetes.
No nosso organismo, o \u3b2-caroteno que ingerimos na dieta „ 
clivado dando origem a duas mol„culas chamadas de retinol 
(vitamina A). Este retinol, por ser lipossol€vel, „ absorvido no 
intestino junto aos quilomicrons e transportado at„ o fgado. Este 
‰rgƒo „ capaz de produzir uma substŠncia capaz de transportar o 
retinol para todo o corpo. Nos demais tecidos, o retinol sofre 
oxida†ƒo, saindo da forma alco‰lica para uma forma aldedica 
(retinal), podendo ser transformado tamb„m em uma forma ‚cida 
(‚cido retin‰ico). No olho, o retinol transforma-se em retinal, 
composto insaturado que pode se apresentar em uma configura†ƒo 
trans ou cis (sendo mais comumente classificado como retinal 11-
cis, em que a dupla liga†ƒo est‚ entre o carbono 11 e 12).
Na membrana plasm‚tica das c„lulas receptoras existe uma 
protena chamada opsina, que tem uma afinidade pelo retinal 11-
cis. Ao se ligar a este composto, forma a conhecida rodopsina, que 
„ uma protena de membrana que possui o retinal 11-cis em sua 
constitui†ƒo. Quando a luz incide na retina, o retinal perde sua 
configura†ƒo cis e passa a apresentar uma conforma†ƒo trans, 
perdendo a afinidade pela opsina. 
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Com isso, a opsina sofre uma mudan†a conformacional, formando a metarrodopsina, que ativa uma protena G, 
ativando a subunidade alfa, que por sua vez, ativa a guanilato ciclase, controlando a concentra†ƒo de GMPc. Contudo, 
diferentemente das demais c„lulas excit‚veis, as fotorreceptoras se ativam quando estƒo hiperpolarizadas, obtendo 
este estado por meio do fechamento de canais de s‰dio e da excre†ƒo ativa destes ons, o que faz com que o interior da 
c„lula torne-se mais negativo que o comum.
Via óptica.
A retina pode ser dividida em duas por†…es: uma 
mais medial, chamada de retina nasal (que capta raios 
luminosos do campo temporal); e uma mais lateral, 
chamada de retina temporal (que capta raios luminosos 
do campo nasal). 
Os sinais nervosos visuais partem das retinas, 
passando retrogradamente pelos nervos ‰pticos (II par 
craniano). Dentro do crŠnio, os dois nervos ‰pticos se 
unem no chamado quiasma óptico, onde ocorre o 
cruzamento das fibras oriundas da retina nasal; as fibras 
oriundas da retina temporal nƒo cruzam no quiasma, e 
seguem do mesmo lado em que se formaram.
Ap‰s o quiasma ‰ptico, formam-se os tractos 
ópticos, com fibras j‚ cruzadas da retina nasal. As fibras de 
cada tracto ‰ptico, em seguida, fazem sinapse com 
neurnios de 4 ordem no n€cleo geniculado lateral
(localizado no mesenc„falo), e, da, partem as fibras que 
formam a radiação óptica (ou tracto geniculocalcarino) que 
segue at„ o c‰rtex visual prim‚rio, nos l‚bios do sulco 
calcarino do lobo occipital (‚rea 17 de Brodmann). 
Outra parte das fibras oriundas do corpo geniculado lateral tamb„m seguem para o colculo superior, tamb„m no 
mesenc„falo, estabelecendo conex…es importantes para o controle dos movimentos direcionais r‚pidos dos dois olhos.
Sistema de Lentes do Olho.
Todas as lentes que comp…em o sistema de lentes do olho devem agir em conjunto e em harmonia para que o 
feixe luminoso seja projetado exatamente sobre na retina. Para esta fun†ƒo, como vimos anteriormente, disponibilizamos 
de v‚rios meios refringentes, tais como: c‰rnea, humor aquoso, cristalino e humor vtreo. Cada um imp…e uma unidade 
refrativa diferente.
Para que a luz oriunda do infinito seja projetada exatamente na retina, necessitamos de um conjunto de lentes 
que, juntas, apresentem o poder de 59 dioptrias (ver OBS39).
OBS39: Dioptrias „ a unidade de medida que afere o poder de refra†ƒo de um 
sistema ‰ptico (m-1). Exprime a capacidade de um meio transparente de 
modificar o trajeto da luz. Na ˜ptica, „ a unidade