FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011
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FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011


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involuntárias, rápidas, estereotipadas e, na maioria das 
vezes, com objetivo improvisado. Por exemplo: piscar, 
tossir, retirada brusca da mão sob uma chapa quente, 
movimento de chute com a perna quando mediante a 
percussão do joelho pelo neurologista. São, na maioria 
das vezes, desencadeados por determinados estímulos
sensitivos.
\uf0b7 Mistos ou posturais: são fenômenos rítmicos, pois 
combinam ações voluntárias e reflexos. Por exemplo: 
mascar chiclete, correr, andar, etc. São assim 
classificados pois são iniciados e terminados por decisão 
voluntária; mas uma vez iniciados, tornam-se repetitivos, 
reflexivos e envolvem outros grupos musculares que não 
necessitam de nosso comando voluntário.
A motricidade é, contudo, resultado de uma complexa interação entre estruturas que compõem o sistema motor 
somático. Este sistema tem, evidentemente, a contribuição cerebral associada a componentes medulares e musculares. 
Entretanto, a realização de um simples movimento requer o recrutamento de diversas entidades, como, basicamente:
PLANEJAMENTO\uf0e0 Córtex motor secundário \uf0e0 Núcleos da base e Cerebelo \uf0e0 Córtex motor primário \uf0e0
Vias descendentes\uf0e0 Neurônios motores do corno ventral da medula espinhal ou do tronco encefálico \uf0e0 Nervos \uf0e0
Junção neuromuscular \uf0e0 Músculo \uf0e0 AÇÃO
O movimento, ao ser iniciado, envolve estruturas articulares e grupos musculares 
oponentes, de modo que os músculos agonistas são os iniciadores do movimento e os 
músculos antagonistas exercem ação contrabalanceadora, que desacelera e regula o 
movimento.
Vale ressaltar que, na medula, os nervos motores apresentam seus corpos 
celulares (motoneurônios) agrupados no corno anterior (ventral) da medula espinhal, 
mantendo uma relação topográfica, de modo que: o pool de neurônios motores mais 
mediais do corno ventral, inervam a musculatura proximal; já os neurônios localizados 
mais lateralmente no corno ventral, inervam a musculatura distal dos membros (vide figura 
ao lado e observe a representação topográfica dos motoneurônios da medula espinhal).
TIPOS DE NEURÔNIOS MOTORES
\uf0b7 Neurônios motores anteriores (neurônios radiculares somáticos): estão 
localizados em cada segmento dos cornos anteriores da substância cinzenta da 
medula espinhal. Eles dão origem às fibras dos nervos motores que se originam 
da medula espinhal, deixando-a através das raízes anteriores, sendo 
responsáveis por inervar fibras musculares esqueléticas. Os neurônios podem ser 
de dois tipos: neurônios motores alfa e neurônios motores gama.
o Neurônios motores alfa: dão origem as grandes fibras nervosas motoras 
que se ramificam muitas vezes após entrarem no músculo e que inervam 
as grandes fibras musculares esqueléticas, estimulando a contração das 
mesmas.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FISIOLOGIA III \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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o Neur€nios motores gama: menores que os motores alfa, ficam localizados nos cornos anteriores da 
medula espinhal juntamente a eles. Essas fibras constituem o chamado fuso muscular, respons‚veis 
pela inerva†ƒo motora das fibras intrafusais. Tem papel fundamental na regula†ƒo da sensibilidade dos 
fusos neuromusculares.
\uf0b7 Interneur€nios: sƒo neurnios de axnio curto, localizados sempre dentro da substŠncia cinzenta da medula 
espinhal. Tem a fun†ƒo de estabelecer interconex…es entre os neurnios motores. Al„m disso, seus 
prolongamentos estabelecem conex…es entre as fibras aferentes, que penetram pelas razes dorsais, e os 
neurnios motores, interpondo-se, assim, em v‚rios arcos-reflexos medulares.
UNIDADE MOTORA
Uma fibra muscular „ inervada por um €nico motoneurnio, mas um 
motoneurnio pode enervar v‚rias fibras musculares (o que prova que a sec†ƒo de 
apenas um segmento medular nƒo corresponde, obrigatoriamente, ‡ paralisia de um 
m€sculo, mas apenas uma paresia, ou seja, fraqueza). Portanto, uma unidade motora 
pode ser definida como um s‰ neurnio motor alfa e as fibras musculares que ele 
inerva.
As fibras musculares de uma mesma unidade motora ficam muito dispersas por 
todo o m€sculo. Quando „ necess‚rio um controle muscular fino e preciso, tal como 
nos m€sculos extra-oculares ou nos pequenos m€sculos da mƒo, as unidades motoras 
s‰ tŽm poucas fibras musculares. Entretanto, nos grandes m€sculos dos membros, tais 
como o gl€teo m‚ximo, onde nƒo „ necess‚rio controle preciso, um nervo motor €nico 
pode inervar v‚rias centenas de fibras musculares. 
Dos diversos tipos de unidade, podemos destacar:
\uf0b7 Unidade motora R ou Fast fatigable (FF): fibra muscular de grande for†a e baixo tempo contr‚til; larga, grande 
e \u201cbranca\u201d. Apresenta motoneurnios grandes com axnios calibrosos, com alto limiar de excitabilidade, de 
condu†ƒo e de frequŽncia de disparo. Contudo, apresentam baixa resistŽncia ‡ fadiga. Realizam, praticamente, 
um metabolismo anaer‰bico (sendo muito pobre em mitocndrias e em mioglobinas e, por esta razƒo, sƒo
chamadas de fibras brancas), convertendo glicose at„ lactato.
\uf0b7 Unidade motora L ou Slow (S): fibra muscular de pequena for†a e tempo contr‚til; curta, fina e \u201cvermelha\u201d. 
Apresenta motoneurnios pequenos com axnios finos, com baixo limiar de excitabilidade, de condu†ƒo e de 
frequŽncia de disparo. Contudo, apresenta alta resistŽncia ‡ fadiga. Faz metabolismo aer‰bico (apresenta 
mitocndrias e mioglobina, demonstrando-se avermelhada), que quebra a glicose por meio do ciclo de Krebs e 
Cadeia respirat‰ria. Sƒo capazes tamb„m de consumir ‚cidos graxos por meio da \u3b2-oxida†ƒo.
\uf0b7 Unidade motora Intermediria ou Fast, Fatigable Resistent (FFR): intermedi‚ria entre as anteriores.
OBS45: O treinamento constante faz com que a fibra muscular produza mitocndrias cada vez mais, o que gera um 
condicionamento fsico adaptativo. Isto quer dizer que, com o passar do desenvolver da atividade fsica, o indivduo se 
torna cada vez mais capaz de realizar tal atividade com mais facilidade e menos desgaste fsico.
A regula†ƒo da for†a muscular se d‚ por meio do recrutamento progressivo das unidades motoras, por exemplo:
S (em p„) \u2192 FR (caminhando) \u2192 FF (correndo). Essas etapas atendem ao princpio do tamanho: menor o neurnio 
motor \u2192 menor o limiar \u2192 maior a resistŽncia. Pela varia†ƒo da frequŽncia, a soma†ƒo de sucessivas contra†…es leva:
contra†ƒo \u2192 Clonus vari‚vel \u2192 Clonus sustentado.
MOTONEUR‚NIOS
Como vimos anteriormente, os motoneur€nios \u3b1 apresentam grandes somas e uma vasta ‚rvore dendrtica.
Seu corpo celular est‚ localizado no corno anterior da medula espinhal e seu axnio emerge atrav„s das razes ventrais 
medulares at„ chegaram aos seus m€sculos correspondentes.
Antes de emergirem do SNC, emitem ramos colaterais chamados de recorrentes, que fazem sinapses com 
interneurnios da regiƒo do corno ventral que possuem fun†ƒo regulat‰ria (as c„lulas de Renshaw). Como a popula†ƒo 
de motoneurnios de cada m€sculo se estende por diversos segmentos da coluna, os axnios que inervam um mesmo 
m€sculo podem emergir de razes ventrais diferentes.
OBS46: Lesƒo de uma raiz ventral nƒo causa necessariamente paralisia do m€sculo, mas sim, uma paresia do grupo 
muscular correspondente. Isso porque a fibra muscular pode ser inervada por outros neurnios oriundos de uma coluna 
anterior de outro segmento da medula.
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JUNÇÕES NEUROMUSCULARES NO MÚSCULO ESQUELÉTICO
Assim que cada grande fibra mielinizada alfa chega a um m€sculo esquel„tico, ele se ramifica por v‚rias vezes. 
O n€mero de ramos depende das dimens…es da unidade motora.
Um ramo isolado, em seguida, termina sobre uma fibra muscular, no local referido como junção neuromuscular
(mioneural) ou placa motora. A maioria das fibras musculares „ inervada por apenas uma placa motora. Ao chegar ‡ 
fibra muscular, a fibra nervosa perde sua bainha de mielina e se ramifica em termina†…es muito finas. O axnio 
expandido e sem revestimento ocupa uma goteira na superfcie