FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011
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FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011


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hemisfério cerebral 
comanda os neurônios motores situados na medula do lado 
oposto, visando à realização de movimentos voluntários.
É fácil entender, assim, que uma lesão do tracto córtico-espinhal acima da decussação das pirâmides causa paralisia da 
metade oposta (contralateral) do corpo. O tracto córtico-espinhal anterior é muito menor que o lateral, sendo menos importante do 
ponto de vista clínico (pois termina ao nível da medula torácica). Já o tracto córtico-espinhal lateral atinge até a medula sacral e, como 
suas fibras vão pouco a pouco terminando na substancia cinzenta, quanto mais baixo, menor o número delas.
Vias descendentes Extrapiramidais
São os seguintes os tractos extrapiramidais da medula: tecto-espinhal, vestíbulo-espinhal, rubro-espinhal e retículo-
espinhal. Os nomes referem-se aos locais de onde se originam, e todos seguem até a medula em neurônios internunciais, através 
dos quais eles se ligam aos neurônios motores da coluna anterior e assim exercem sua função motora.
\uf0b7 Tracto tecto-espinhal: origina-se no tecto do mesencéfalo (colículo superior) e termina na medula espinhal em neurônios 
internunciais, através dos quais se ligam aos neurônios motores situados medialmente na coluna anterior, controlando a 
musculatura axial, ou seja, do tronco, assim como a musculatura proximal dos membros.
\uf0b7 Tracto rubro-espinhal: originam-se no núcleo rubro (situado no mesencéfalo) e se dirigem à medula espinhal alcançando 
neurônios internunciais, através dos quais se ligam aos neurônios motores localizados lateralmente na coluna anterior. Estes 
controlam os músculos responsáveis pela motricidade da parte distal dos membros (músculos intrínsecos e extrínsecos da 
mão e do pé).
\uf0b7 Tractos vestíbulo-espinhal medial e lateral: originam-se nos núcleos vestibulares, situados na área vestibular do quarto 
ventrículo, e irão ligar-se aos neurônios motores situados na parte medial da coluna anterior da medula espinhal, controlando 
a musculatura axial, ou seja, o tronco, assim como a musculatura proximal dos membros.
\uf0b7 Tracto retículo-espinhal anterior e lateral: aquele, de origem pontina e situa-se no funículo anterior da medula espinhal; e 
este, de origem bulbar, no funículo lateral. Suas fibras originam-se na formação reticular e terminam nos neurônios motores 
situados na parte medial da coluna anterior da medula espinhal, com funções semelhantes ao tracto vestíbulo-espinhal.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FISIOLOGIA III \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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Tracto córtico-nuclear.
O tracto c‰rtico-nuclear „ um correspondente funcional do tracto c‰rtico-espinhal, estando ele localizado no tronco encef‚lico. 
Desta forma, assim como o tracto c‰rtico-espinhal est‚ para os motoneurnios da medula espinhal, o tracto c‰rtico-nuclear est‚ para 
os neurnios motores dos nervos cranianos localizados no tronco encef‚lico.
O tracto c‰rtico-nuclear tamb„m se origina no c‰rtex motor prim‚rio, principalmente na ‚rea somatot‰pica relacionada ‡ 
cabe†a. Suas fibras descem pelo joelho da c‚psula interna e seguem ao longo do tronco encef‚lico, cruzando o plano mediano antes 
de se distribuir para todos os n€cleos motores som‚ticos de nervos cranianos, tais como:
\uf0fc N€cleo principal do nervo oculomotor: respons‚vel por inervar a maioria dos m€sculos relacionados com os movimentos dos 
olhos.
\uf0fc N€cleo do nervo abducente: respons‚vel por inervar o m€sculo reto lateral do olho.
\uf0fc N€cleo do nervo troclear: respons‚vel por inervar o m€sculo oblquo superior do olho.
\uf0fc N€cleo do nervo facial: respons‚vel por inervar a musculatura da face.
\uf0fc N€cleo motor do trigŽmeo: respons‚vel por inervar a musculatura da mastiga†ƒo.
\uf0fc N€cleo do hipoglosso: respons‚vel por inervar a musculatura da lngua.
SISTEMA MOTOR: VISÃO GERAL E PRINCÍPIOS
Ao fim deste t‰pico relacionado ‡ motricidade som‚tica, fica evidente notar o quƒo complexo „ o comando motor. 
Esta se†ƒo tem a finalidade de resumir e 
exemplificar a fun†ƒo de cada centro 
relacionado com a motricidade. Ao lado, 
podemos observar um esquema simplificado 
das estruturas anatmicas que participam do 
planejamento, programação, execução e 
controle (corre†ƒo) dos movimentos 
volunt‚rios.
Movimentos volunt‚rios sƒo 
planejados no c‰rtex de associa†ƒo do 
neoc‰rtex e na ‚rea motora secund‚ria (por 
exemplo, o desejo \u201cEu quero pegar o copo 
com gua\u201d). Os hemisf„rios cerebelares e os 
n€cleos da base programam paralelamente o 
comando motor (calculando a trajet‰ria 
correta do movimento, analisando quais 
grupos musculares devem ser ativados ou 
inativados, quais articula†…es devem ser 
movidas, etc.) e informam ao c‰rtex motor 
secund‚rio (‚rea pr„-motora) sobre o 
resultado deste planejamento.
O c‰rtex pr„-motor transmite a 
informa†ƒo ao c‰rtex motor prim‚rio (M1) 
que, por sua vez, conduz as informa†…es, por 
meio do tracto piramidal, ao neurnio motor 
\u3b1. A partir do neurnio motor, a musculatura 
esquel„tica transforma o programa motor em 
um movimento volunt‚rio.
Importantes mecanismos de 
retroalimenta†ƒo existem por meio da 
sensoriomotricidade (informando sobre a 
quantidade de movimento que j‚ foi 
avan†ada; quando a mƒo deve exercer para 
pin†ar o objeto; corre†ƒo de grupos 
musculares erroneamente ativados). Este 
mecanismo „ realizado gra†as as aferŽncias 
levadas pelo tracto espino-cerebelar anterior 
at„ o cerebelo interm„dio.
OBS54: Comparando a realiza†ƒo de um movimento com a constru†ƒo de um pr„dio, a ‚rea motora suplementar 
funciona como um arquiteto, que planeja a obra e envia para o cerebelo e n€cleos da base; estes funcionam como 
engenheiros, que modulam e estabelecem o programa motor para enviar de volta ao c‰rtex, o c‰rtex motor prim‚rio, por 
sua vez, funciona, nesta met‚fora, como o pe„o da obra, que realiza efetivamente a obra \u2013 a realiza†ƒo do movimento.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FISIOLOGIA III \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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NEUROFISIOLOGIA DA LINGUAGEM
A linguagem verbal é um fenômeno complexo do qual participam áreas corticais e subcorticais. Porém, sem 
menor dúvida, o córtex cerebral tem o papel mais importante. 
Admite-se, pois, a existência de apenas duas áreas corticais para a 
linguagem: uma anterior e outra posterior, sendo ambas de associação. A área 
anterior da linguagem corresponde à própria área de Broca (44 e 45 de Brodmann), 
estando relacionada com a expressão da linguagem. A área posterior da linguagem
situa-se na junção entre os lóbulos temporal e parietal e corresponde à parte mais 
posterior da área 22 de Brodmann (Área de Wernicke), estando relacionada 
basicamente com a percepção da linguagem.
Estas duas áreas estão ligadas pelo fascículo longitudinal superior
(fascículo arqueado), através do qual, informações relevantes para a correta 
expressão da linguagem passam da área de Wernicke para a área de Broca. Na 
fala, a região de Broca ativa as regiões da boca e da língua do giro pré-central 
(córtex motor). O giro angular coordena, por sua vez, as entradas no córtex visual, 
auditivo e somestésico para influenciar a região de Wernicke.
Lesões dessas áreas dão origem a distúrbios de linguagem denominados de afasias. Nas afasias, as perturbações da 
linguagem não podem ser atribuídas a lesões das vias sensitivas ou motoras envolvidas na fonação, mas apenas lesão 
das áreas corticais de associação responsáveis pela linguagem. Distinguem-se alguns tipos básicos de afasias:
\uf0b7 Afasia motora (afasias de expressão ou de Broca): a lesão ocorre na área de Broca, em que o indivíduo é 
ainda capaz de compreender a linguagem falada ou escrita (pois a área de Wernicke está intacta), mas tem 
dificuldade de se expressar adequadamente, falando ou escrevendo. Nos casos mais comuns, ele consegue 
apenas produzir poucas palavras com dificuldade e tende a encontrar as frases falando ou escrevendo de 
maneira telegráfica.
\uf0b7 Afasia sensitiva ou de percepção (afasias de Wernicke): a compreensão