FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011
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FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011


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OBS57: Hipótese da aromatização e comportamento sexual. Existem v‚rios n€cleos hipotalŠmicos tanto em machos 
como em fŽmeas que apresentam receptores para os estrogŽnios. E, portanto, „ o estrogŽnio que masculiniza o 
hipot‚lamo. Nƒo ocorre masculiniza†ƒo nas fŽmeas devido a AFP que sequestra o estrogŽnio na vida fetal, nƒo 
permitindo sua passagem para o tecido cerebral pela barreira hemato-encef‚lica.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FISIOLOGIA III \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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SISTEMA NERVOSO AUT‰NOMO
O sistema nervoso autônomo (SNA), também conhecido como visceral ou da vida vegetativa, é responsável por 
coordenar a inervação das estruturas viscerais, sendo ele muito importante para a integração da atividade das vísceras 
no sentido da manutenção da homeostase.
O componente aferente deste sistema é responsável por conduzir impulsos nervosos originados em receptores 
viscerais (visceroceptores) a áreas específicas do sistema nervoso central. O componente eferente traz impulsos de 
certos centros até as estruturas viscerais, terminando, pois, em músculos lisos, músculo cardíaco ou glândulas. Por 
definição neuroanatômica, denomina-se sistema nervoso autônomo apenas o componente eferente deste sistema 
visceral, que se divide em simpático e parassimpático. O principal objetivo deste tópico é, pois, apontar as principais 
características das vias eferentes do SNA.
GENERALIDADES DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO
O sistema nervoso autônomo está diretamente relacionado com o controle das funções corporais, pois é o 
responsável pelas respostas reflexas de natureza automática e controla a musculatura lisa, a musculatura cardíaca e as 
glândulas exócrinas. Desta maneira, é ele quem realiza, por exemplo, o controle da pressão arterial, aumento da 
frequência respiratória, os movimentos peristálticos, a excreção de determinadas substâncias, entre outros fenômenos.
Apesar de ser denominado como sistema nervoso autônomo, ele não é independente do restante do sistema 
nervoso: na verdade, ele é interligado ao hipotálamo e á formação reticular, centros que coordenam respostas 
comportamentais e viscerais para garantir a homeostasia do organismo.
Portanto, o SNA controla toda a nossa fisiologia interna, regulando a atividade de órgãos, sistemas e glândulas. 
Neurônios pré e pós-ganglionares são os elementos fundamentais da organização do componente periférico do sistema 
nervoso autônomo. No tronco encefálico, os corpos dos neurônios pré-ganglionares se agrupam formando alguns 
núcleos de origem de alguns nervos cranianos, como o nervo vago (tais núcleos estão organizados na chamada coluna 
eferente visceral geral). Na medula, eles ocorrem do 1º ao 12º segmentos torácicos (T1 a T12), nos dois primeiros 
segmentos lombares (L1 e L2) e nos segmentos sacrais S2, S3 e S4.
Cada axônio pré-ganglionar (quase sempre fibras B mielinizadas de condução lenta, que fazem sinapse com 
corpos celulares localizados fora do SNC) diverge para cerca de oito ou nove neurônios pós-ganglionares. Os axônios 
pós-ganglionares (compostos, principalmente, por fibras C não mielinizadas) terminam nos órgãos viscerais. A eferência 
autônoma é dividida em Simpática e Parassimpática, que no trato gastrointestinal as duas se comunica com o sistema 
nervoso entérico.
Convém lembrar que existem áreas no telencéfalo e no diencéfalo que regulam as funções viscerais, sendo o 
hipotálamo e o chamado sistema límbico os mais importantes. Impulsos nervosos neles originados são levados por 
fibras especiais (da formação reticular) que terminam fazendo sinapse com os neurônios pré-ganglionares do tronco 
encefálico e da medula. Por este mecanismo, o sistema nervoso central influencia o funcionamento das vísceras.
ARCO REFLEXO AUTÔNOMO E UNIDADE FUNCIONAL DO SNA
O SNA é organizado com base no arco reflexo: impulsos iniciados nos 
receptores viscerais são transmitidos para o SNC por vias específicas, integrados e 
interpretados. Feito isso, vias eferentes são responsáveis por transmitir respostas para 
os efetores viscerais (que são, basicamente, o músculo liso, cardíaco e glândulas).
Desta forma, podemos resumir que a unidade funcional do SNA se resume nos 
dois neurônios principais de suas vias eferentes: 
\uf0fc O primeiro neurônio (chamado de pré-ganglionar) tem seu corpo celular 
localizado no cérebro ou na medula espinal. Seu axônio deixa o SNC para 
fazer sinapse com o 2º neurônio localizado em gânglios nervosos autonômicos.
\uf0fc O segundo neurônio (chamado de pós-ganglionar) tem seu corpo celular 
localizado em gânglios fora do SNC. Seus axônios alcançam o órgão visceral. 
DIVISÃO DO SNA E DIFERENÇAS ENTRE O SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO E PARASSIMPÁTICO
Como já foi mostrado antes, o SNA apresenta dois componentes: a divisão simpática e a divisão parassimpática. 
Ambas as partes coordenam os aspectos fisiológicos que ocorrem continuamente no dia-a-dia do ser humano, 
adaptando-o as mais adversas situações que ocorrem no meio.
Embora sejam duas partes de um mesmo sistema, os componentes simpático e parassimpático diferem em 
muitos pontos, sejam eles anatômicos, bioquímicos ou funcionais. Basicamente, o SNA simpático medeia reações de 
luta e estresse, enquanto que o SNA parassimpático medeia reações de repouso e digestão.
Em resumo, falemos agora das principais diferenças entre estes dois componentes, ressaltando:
\uf0fc Diferenças anatômicas;
\uf0fc Diferenças bioquímicas ou farmacológicas;
\uf0fc Diferenças funcionais ou fisiológicas.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FISIOLOGIA III \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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Diferenças anatômicas.
Do ponto de vista anatmico, as duas divis…es do sistema nervoso autnomo podem ser diferenciadas 
observando-se a localiza†ƒo dos seus neurnios pr„-ganglionares, o tamanho de cada uma de suas fibras e a 
localiza†ƒo dos neurnios p‰s-ganglionares.
\uf0b7 Posição dos neurônios pré-ganglionares: no sistema nervoso simp‚tico, os neurnios pr„-ganglionares 
localizam-se no corno lateral da medula tor‚cica e lombar alta (entre T1 e L2). Diz-se, pois, que o sistema 
nervoso simp‚tico „ tóraco-lombar. No sistema nervoso parassimp‚tico, eles se localizam no tronco encef‚lico 
(dentro do crŠnio, em n€cleos eferentes viscerais gerais dos nervos cranianos) e na medula sacral (S2, S3 e S4). 
Diz-se, pois, que o sistema nervoso parassimp‚tico „ crânio-sacral.
\uf0b7 Posição dos neurônios pós-ganglionares: no sistema nervoso simp‚tico, os neurnios p‰s-ganglionares, ou 
seja, os gŠnglios, localizam-se longe das vsceras-alvo e pr‰ximo da coluna vertebral, formando os gŠnglios 
paravertebrais e pré-vertebrais. No sistema nervoso parassimp‚tico, os neurnios p‰s-ganglionares localizam-
se pr‰ximo ou dentro das vsceras (como ocorre com o plexo de Meissner e o de Auerbach, situados na pr‰pria 
parede do tubo digestivo).
\uf0b7 Tamanho das fibras pré e pós-ganglionares: em consequŽncia da posi†ƒo dos gŠnglios, o tamanho das fibras 
pr„ e p‰s-ganglionares dos dois sistemas sƒo diferentes: a pr„-ganglionar do SN simp‚tico „ curta e a p‰s „ 
longa; a pr„-ganglionar do SN parassimp‚tico „ longa e a p‰s „ curta.
Diferenças bioquímicas.
As diferen†as bioqumicas sƒo as mais importantes do ponto de vista farmacol‰gico, pois dizem respeito ‡ a†ƒo 
das drogas em nvel do SNA: as drogas que imitam a a†ƒo do sistema nervoso simp‚tico sƒo denominadas 
simpatomiméticas, ao passo em que as drogas que imitam a†…es do parassimp‚tico sƒo chamadas de 
parassimpatomiméticas.
Podemos destacar as seguintes diferen†as bioqumicas:
\uf0b7 Neurotransmissores:
\uf0fc Os neurotransmissores do simp‚tico sƒo predominantemente representados pela noradrenalina (com 
afinidade significativa pelos receptores \u3b11, \u3b12 e \u3b21). Note que nƒo se tem fibras adren„rgicas no SNP, 
apenas no SNC. Por„m, as c„lulas cromafins da medula adrenal tŽm a capacidade de secretar adrenalina 
diretamente na corrente sangunea (e nƒo em outras fibras nervosas), isso devido a presen†a da