FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011
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FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011


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determinando a BHE, criando uma resistência para penetração de substâncias tóxicas através do parênquima 
cerebral. Quanto mais hidrofóbica (mais lipídica e menos polar) for a substância que alcançar a circulação 
cerebral, mais fácil será sua difusão através da BHE.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FISIOLOGIA III \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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OBS6: Os atrocitomas, tumores cerebrais oriundos dos astrócitos, constituem o grupo neoplásico mais comum do SN. 
Infelizmente, o glioblastoma multiforme (GBM) é um dos piores tumores do ponto de vista prognóstico, mas sendo o 
astrocitoma mais comum.
Células epidermóides (Ependimárias).
Recebem esse nome por lembrarem o formato de células epiteliais. Margeiam os ventrículos cerebrais e o canal 
central da medula espinhal e ajudam formar o plexo coróide, estrutura responsável por secreta e produzir o líquor (LCR).
Micróglia.
Os microgliócitos ou micróglia são as menores células da neuróglia, mas sendo muito ramificadas. Possuem 
poder fagocitário e desenvolvem, no tecido nervoso, um papel semelhante ao dos macrófagos.
Oligodendrócitos.
Os oligodendrócitos (ou oligodendróglia) são as células da neuróglia responsáveis pela formação e 
manutenção das bainhas de mielina dos axônios dentro do SNC, função executada pelas células de Schwann no SNP 
(só que apenas um oligodendrócito contribui para formação de mielina em varios neurônios, ao contrario da célula de 
Schwann, que mieliniza apenas parte de um axônio). 
Sem os oligodendrócitos, os neurônios não sobrevivem em meio de cultura. Em suas características físicas, os 
oligodendrócitos mostram um corpo celular arredondado e pequeno, com poucos prolongamentos, curtos, finos e pouco 
ramificados (daí o termo: oligo= pouco; dendro= ramificação). Assim, como em diversas células do corpo humano, os 
oligodendrócitos podem ser geradores neoplasias (tumores), que neste caso são os oligodedrogliomas.
Células de Schwann.
Células semelhantes aos oligodendrócitos, mas que se enrolam em torno de uma porção de um axônio de 
neurônios do SNP, formando a bainha de mielina nesta divisão do SN (ver OBS7).
Células satélites.
Encontradas eventualmente no SNP envolvendo o corpo celular de neurônios nos gânglios, para fornecer 
suporte estrutural e nutricional.
OBS7: Os axônios atuam como condutores dos impulsos nervosos. Em 
toda sua extensão de alguns neurônios, o axônio é envolvido por um tipo 
celular denominado célula de Schwann. Em muitos axônios, as células de 
Schwann determinam a formação da bainha de mielina - invólucro lipídico 
que atua como isolante elétrico e facilita a transmissão do impulso nervoso. 
Entre uma célula de Schwann e outra, existe uma região de descontinuidade 
da bainha de mielina, que acarreta a existência de uma constrição 
(estrangulamento) denominada n„dulo de Ranvier. A parte celular da 
bainha de mielina, onde estão o citoplasma e o núcleo da célula de 
Schwann, constitui o neurilema. Por tanto, os axônios podem ser 
mielinizados (a mielina protege e isola os axônios) e amielinizados.
OBS8: Por vezes, o axônio sofre degeneração, mas pode realizar regeneração. O crescimento do neurônio se dá de 
forma caudal: na extremidade axônica, existe uma secreção de fatores de crescimento (hormônios como o NCAM) que 
estimulam a diferenciação dessa região, partindo então do soma (corpo) em direção à extremidade do axônio. Os 
axônios periféricos têm capacidade regenerativa relativamente maior que os corticais. A neuroexcitotoxicidade é um 
caso de excitação exacerbada no crescimento do axônio, havendo então uma destruição dessa extremidade axônica. 
Isso acontece porque, nestes casos, há uma diminuição do pH na extremidade do axônio. 
OBS9: Como o SNC depende exclusivamente do metabolismo aeróbico, quando o neurônio realiza glicólise por 
metabolismo anaeróbico, produz grandes concentrações de ácido láctico. Por esta razão, ocorre degeneração ácida das
células nervosas, diminuindo a capacidade de regeneração do axônio. Isso exemplifica os quadros de sequelas por falta 
de oxigenação cerebral.
OBS10: Caso a degeneração seja em nível de gânglios, a regeneração passa a ser mais precária, uma vez que se trata 
de uma região com alta concentração de corpos neuronais, região de maior complexidade da célula.
OBS11: A oximetria é um parâmetro fundamental para o SNC, uma vez que suas células principais realizam quase que 
exclusivamente o metabolismo aeróbico da glicose, ou seja, via Ciclo de Krebs. Essa é a explicação do fato de os 
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neurnios possurem grandes quantidades de mitocndrias. Para que o Ciclo de Krebs (CK) funcione adequadamente e 
o SNC produza ATP em quantidade ideal, „ necess‚ria uma grande quantidade de O2, uma vez que o CK produz uma 
grande quantidade de coenzimas reduzidas que necessitam do oxigŽnio para aceptar seus el„trons e, s‰ assim,
oxidarem novamente para participarem de um novo CK. Isso explica o fato de um êmbolo na corrente sangunea 
cerebral (causando um acidente vascular cerebral) poder prejudicar diretamente a funcionalidade de uma determinada 
regiƒo: o CK tende a parar devido a carŽncia de O2 para restaurar as coenzimas. A €nica maneira que a c„lula teria de 
renovar as coenzimas nessa situa†ƒo seria transformar piruvato em ‚cido l‚ctico, realizando, assim, glic‰lise anaer‰bica, 
o que „ uma situa†ƒo de risco para o SNC.
FISIOLOGIA DAS SINAPSES NERVOSAS E NEUROTRANSMISSORES
Sinapse „ a defini†ƒo para a jun†ƒo celular que medeia a transferŽncia de informa†ƒo de um neurnio para outro 
neurnio ou para uma c„lula efetora, como por exemplo, na placa miomotora, que determina a a†ƒo da c„lula muscular 
ap‰s um impulso nervoso. As sinapses dependem de dois tipos de neurnios: um neurônio pré-sináptico (que conduz 
o impulso para a sinapse) e um neurônio pós-sináptico (transmite o impulso para al„m da sinapse).
A transmissƒo do estmulo sin‚ptico pode ocorrer de v‚rias formas, a depender das estruturas neuronais 
envolvidas na sinapse e da natureza da sinapse (el„trica ou qumica).
TIPOS DE SINAPSES 
\uf0b7 Axodendrítica: sinapse entre 
o axnio de um neurnio e o 
dendrito de outro.
\uf0b7 Axosomática: sinapse entre 
o axnio de um neurnio e a 
soma (corpo) de outro.
\uf0b7 Outros tipos de sinapses 
incluem:
\uf0fc Axoaxônica (axnio \u2013
axnio)
\uf0fc Dendrodendrítica
(dendrito \u2013 dendrito)
\uf0fc Dendrosomática
(dendritos \u2013 soma)
SINAPSES ELÉTRICAS
Sƒo menos comuns do que as sinapses qumicas. Neste tipo de sinapse, as c„lulas possuem um ntimo contato 
atrav„s jun†…es abertas ou do tipo gap junctions, que permitem o livre transito de ons de uma membrana a outra. Desta 
maneira, o potencial de a†ƒo passa de uma c„lula para outra de um modo muito mais r‚pido do que na sinapse qumica, 
mas de um modo que nƒo pode ser bloqueado.
Ocorre, por exemplo, em m€sculos lisos e cardaco, onde a contra†ƒo ocorre por um todo em todos os 
sentidos. No SNC, sƒo importantes para as seguintes fun†…es: despertar do sono; aten†ƒo mental; emo†ƒo e mem‰ria; 
homeostase da ‚gua e ons.
SINAPSES QUÍMICAS
ˆ caracterizada pela propaga†ƒo do potencial 
de a†ƒo, ou seja, do impulso atrav„s de um mensageiro 
qumico, chamado de neurotransmissor, que se liga a 
um receptor (protena) localizado na membrana p‰s-
sinaptica.
O impulso „ transmitido em uma €nica dire†ƒo, 
podendo ser bloqueado, diferentemente do que ocorre 
com as sinapses el„tricas. Contudo, a sinapse qumica 
„ muito mais lenta.
Em outras palavras, sƒo sinapses 
especializadas em liberar e captar neurotransmissores. 
Quase todas as sinapses do SNC sƒo qumicas.
Tipicamente, as sinapses sƒo compostas por duas partes: 
\uf0fc O terminal axnico do neurnio pr„-sin‚ptico cont„m vesculas sin‚pticas; 
\uf0fc Regiƒo receptora no(s) dendrito(s) ou soma do neurnio p‰s-sin‚ptico.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FISIOLOGIA