FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011
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FISIOLOGIA III 01 - Neurofisiologia - COMPLETA - MED RESUMOS 2011


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III \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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Na sinapse química, o potencial de ação se move em ambos os lados da membrana e, quando chega na região 
adjacente à fenda sináptica, ativa canais de cálcio que, através da despolarização da membrana, se abrem deslocando 
cálcio para dentro da célula. Este influxo de cálcio nas imediações da membrana pré-sináptica causará, por atração 
iônica, o movimento de vesículas com neurotransmissores na direção da membrana pré-sináptica onde os 
neurotransmissores serão liberados para a fenda sináptica por exocitose. Esse movimento se dá a partir da interação do 
citoesqueleto (microtúbulo) do axônio, carreando as vesículas, com os íons cálcio. Na membrana pós-sinaptica, existe 
um grande número de proteínas receptoras de neurotransmissores; estes receptores sensíveis à voltagem são canais 
iônicos permeáveis ao íon sódio (quando o impulso é excitatório) e/ou ao íon cloreto (quando o impulso é inibitório).
Portanto, se os neurotransmissores ligarem-se aos canais iônicos permeáveis ao sódio, ocorrerá o influxo de 
sódio para dentro da célula. Consequentemente, será desencadeado um potencial de ação nesta célula. Se o 
neurotransmissor se ligar a canais iônicos permeáveis ao cloreto, causará o influxo deste íon para dentro da célula.
Como o cloreto é um ânion, ele não deixará que a célula gere um potencial de ação (uma vez que, para isso, o interior 
da célula deve estar repleto de cátions, e isento de ânions), gerando, assim, um impulso inibitório.
OBS12: Etapas de liberação do neurotransmissor. Despolarização \uf0e0 Entrada de cálcio no botão sináptico \uf0e0 Cálcio 
se liga aos sítios de liberação da membrana pré-sináptica \uf0e0 Exocitose da vesícula com neurotransmissores \uf0e0
Receptores deixam os neurotransmissores passarem \uf0e0 Reciclagem das vesículas com neurotransmissores \uf0e0 Remoção 
dos neurotransmissores do botão sináptico.
FENDA SINÁPTICA
A fenda sináptica é um espaço preenchido de fluído que separa os neurônios pré- dos pós-sinápticos. A 
transmissão através da fenda sináptica, na maioria das vezes, se faz através de um evento químico (quando em 
oposição a um evento elétrico) e garante a comunicação unidirecional entre os neurônios.
A transmissão do impulso se dá na seguinte sequência:
\uf0fc O impulso nervoso alcança o terminal axônico do neurônio pré-
sináptico e abre canais de cálcio.
\uf0fc O neurotransmissor é liberado na fenda via exocitose.
\uf0fc O neurotransmissor atravessa a fenda e liga-se ao receptor no 
neurônio pós-sináptico; 
\uf0fc Mudanças na permeabilidade da membrana pós-sináptica causam
um efeito excitatório ou inibitório.
CANAIS IÔNICOS
\uf0b7 Canais livres: sempre abertos e responsáveis pela permeabilidade 
da membrana e quase sempre específico para um tipo de íon.
\uf0b7 Canais iônicos com comporta: uns dependem do ligante (abrem ou 
fecham na presença do ligante); outros dependem de voltagem
(abrem ou fecham na presença de pequena variação da voltagem da 
membrana).
OBS13: Existem neurotransmissores excitatórios (quando se liga ao seu receptor, abre canais de sódio que 
despolarizam a fibra pós-sináptica, propagando o estímulo nervoso) e inibitórios (quando se liga ao seu receptor, 
abrem-se canais voltagem-dependentes de cloreto, hiperpolarizando a fibra pós-sináptica, retardando a propagação do 
impulso). O glutamato e o aspartato são aminoácidos que funcionam como neurotransmissores excitatórios que 
aumentam de concentração nas fendas sinápticas de pessoas epiléticas. O GABA e a glicina são os principais 
neurotransmissores inibitórios. É importante tomar conhecimento disso no estudo de medicamentos como os ansiolíticos 
(calmantes), pois eles se ligam aos canais de GABA e potencializam a sua ação, fazendo com que o indivíduo torne-se 
menos excitado.
POTENCIAL DE REPOUSO, DE AÇÃO E IMPULSO NERVOSO
A membrana plasmática do neurônio transporta alguns íons ativamente, do líquido extracelular para o interior 
da fibra, e outros, do interior, de volta ao líquido extracelular. Assim funciona a bomba de sódio e potássio, que 
bombeia ativamente o sódio para fora, enquanto o potássio é bombeado ativamente para dentro. Porém esse 
bombeamento não é equitativo: para cada três íons sódio bombeados para o líquido extracelular, apenas dois íons 
potássio são bombeados para o líquido intracelular.
Somando-se a esse fato, em repouso a membrana da célula nervosa é praticamente impermeável ao sódio, 
impedindo que esse íon se mova a favor de seu gradiente de concentração (de fora para dentro); porém, é muito 
permeável ao potássio, que, favorecido pelo gradiente de concentração e pela permeabilidade da membrana, se 
difunde livremente para o meio extracelular.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 FISIOLOGIA III \u2013 MEDICINA P3 \u2013 2008.2
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Como a sada de s‰dio nƒo „ acompanhada pela entrada de 
pot‚ssio na mesma propor†ƒo, estabelece-se uma diferen†a de cargas 
el„tricas entre os meios intra e extracelular: h‚ d„ficit de cargas 
positivas dentro da c„lula e as faces da membrana mantŽm-se 
eletricamente carregadas.
O potencial eletronegativo criado no interior da fibra nervosa 
devido ‡ bomba de s‰dio e pot‚ssio „ chamado potencial de 
repouso da membrana, ficando o exterior da membrana positivo e o 
interior negativo. Dizemos, entƒo, que a membrana est‚ polarizada. 
Ao ser estimulada, uma pequena regiƒo da membrana torna-
se perme‚vel ao s‰dio (abertura dos canais de s‰dio). Como a 
concentra†ƒo desse on „ maior fora do que dentro da c„lula, o s‰dio 
atravessa a membrana no sentido do interior da c„lula. A entrada de 
s‰dio „ acompanhada pela pequena sada de pot‚ssio. Esta inversƒo 
vai sendo transmitida ao longo do axnio, e todo esse processo „ 
denominado onda de despolarização. Os impulsos nervosos ou 
potenciais de ação sƒo causados pela despolariza†ƒo da membrana 
al„m de um limiar (nvel crtico de despolariza†ƒo que deve ser 
alcan†ado para disparar o potencial de a†ƒo). Os potenciais de a†ƒo 
assemelham-se em tamanho e dura†ƒo e nƒo diminuem na medida 
em que sƒo conduzidos ao longo do axnio, ou seja, sƒo de tamanho 
e dura†ƒo fixos. A aplica†ƒo de uma despolariza†ƒo crescente a um 
neurnio nƒo tem qualquer efeito at„ que se cruze o limiar e, entƒo, 
surja o potencial de a†ƒo. Por esta razƒo, diz-se que os potenciais de 
a†ƒo obedecem ‡ "lei do tudo ou nada".
Imediatamente ap‰s a onda de despolariza†ƒo ter se propagado ao longo da fibra nervosa, o interior da fibra 
torna-se carregado positivamente, uma vez que um grande n€mero de ons s‰dio se difundiu para o interior. Essa 
positividade determina a parada do fluxo de ons s‰dio para o interior da fibra, fazendo com que a membrana se torne 
novamente imperme‚vel a esses ons. Por outro lado, a membrana torna-se ainda mais perme‚vel ao pot‚ssio, que 
migra para o meio interno. Devido ‡ alta concentra†ƒo do Na+ no interior, muitos ons se difundem, entƒo, para o lado de 
fora. Isso cria novamente eletronegatividade no interior da membrana e positividade no exterior \u2013 processo chamado 
repolarização, pelo qual se restabelece a polaridade normal da membrana. 
A repolariza†ƒo normalmente se inicia no mesmo ponto onde se originou a despolariza†ƒo, propagando-se ao 
longo da fibra. Ap‰s a repolariza†ƒo, a bomba de s‰dio bombeia novamente os ons s‰dio para o exterior da membrana, 
criando um d„ficit extra de cargas positivas no interior da membrana, que se torna temporariamente mais negativo do 
que o normal. A eletronegatividade excessiva no interior atrai ons pot‚ssio de volta para o interior (por difusƒo e por 
transporte ativo). Assim, o processo traz as diferen†as inicas de volta aos seus nveis originais.
OBS14: Em resumo, tem-se que canais de K+ que sƒo abertos a favor de um gradiente. Com isso, h‚ entrada de K+ (on 
intracelular) e sada de Na+ (on extracelular). Quando h‚ um potencial de a†ƒo, ocorre o inverso: h‚ efluxo de K+ e 
influxo de Na+, abrindo tamb„m, canais de c‚lcio, que sƒo respons‚veis