USUCAPIÃO
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USUCAPIÃO


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da prescrição aquisitiva. A posse ad interdicta, justa, dá direito à proteção possessória, mas não gera usucapião. Segundo Lafayette, a posse jurídica é a base de toda prescrição aquisitiva; \u201cmas carece que ela seja adquirida de um modo justo, isto é, que não começasse por violência ou clandestinamente, ou a título precário. O vício da violência continua a subsistir, ainda que a posse no decurso da sua duração se torne pacífica; e, enquanto não é expurgado, impede a prescrição; mas não se transmite à posse do terceiro que em boa-fé recebe a coisa do esbulhador.\u201dCessadas a violência e a clandestinidade , a posse passa a ser \u201cútil\u201d, surtindo todos os efeitos, nomeadamente para a usucapião e para a utilização dos interditos.
Posse Ad Usucapionem (ARTS. 1238 A 1242 DO CC): contém os requisitos dos mencionados artigos. O primeiro deles é o ânimo de dono (animus domini). O segundo é que seja mansa e pacífica, ou seja, sem oposição. A oposição pode ser feita na área judicial e deverá ser séria e procedente. Poderá ser feita fora da justiça, mas deverá ser provado nos autos que houve oposição do dono do imóvel. O terceiro requisito é que a posse seja ininterrupta. O possuidor não pode possuir a coisa a intervalos, intermitentemente. Pode ser acrescida a posse dos antecessores à sua posse a fim de contagem do prazo prescricional. 
Tempo: a posse e o tempo são pressupostos estruturais da usucapião. A posse deve ter sido exercida durante todo o lapso temporal de modo contínuo, não interrompido e sem impugnação. O prazo é contado dia a dia. Não é contado o primeiro dia, por ser incompleto, mas conta-se o último dia. 
OBS: Os pressupostos acima identificados são obrigatórios em toda e qualquer espécie de usucapião.
Justo título: é todo ato formalmente adequado a transferir o domínio ou o direito real de que trata, mas que deixa de produzir tal efeito em virtude de não ser o transmitente, senhor da coisa ou do direito, ou de faltar-lhe o direito de alienar.
O justo título para originar a crença de que se é dono, deve revestir as formalidades externas e estar registrado no cartório de registro imobiliário. 
O decurso do tempo, a posse de dez anos e a ocorrência dos demais requisitos mencionados vêm sanar as eventuais irregularidades e defeitos desses títulos. O vício, contudo, não deve ser de forma, nem constituir nulidade absoluta. Se o título é nulo, não é justo. Somente o título anulável não impede a usucapião ordinária, visto 	que é título eficaz e produz efeitos, enquanto não se lhe decreta anulação.
Boa-fé \u2013 (Art. 1201 do CC ): diz-se que boa-fé é a crença de que o possuidor ignora o vício ou obstáculo que lhe impede a aquisição da coisa. Essa crença deve existir desde o início da posse e com ela perdurar durante todo o lapso temporal mínimo necessário à aquisição da propriedade. Uma vez provado o justo título, a boa-fé fica presumida. 
Causas Impeditivas	
Constituem causas impeditivas, a usucapião de bens: 
a) entre cônjuges, na constância do matrimônio; 
b) entre ascendente e descendente, durante o pátrio poder; 
c) entre tutelados e curatelados e seus tutores e curadores, durante a tutela e a curatela; 
d) em favor de credor pignoratício, do mandatário, e, em geral, das pessoas que lhe são equiparadas, contra o depositante, o devedor, o mandante, as pessoas representadas, os seus herdeiros, quanto ao direito e obrigações relativas aos bens, aos seus herdeiros, quanto ao direito e obrigações relativas aos bens confiados à sua guarda. 
E, ainda o artigo 1.244 do CC dispõe que as causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição também se aplicam à usucapião, e dessa forma não ocorrerá usucapião: 
a) contra os incapazes de que trata o art. 5° do Código Civil; 
b) contra os ausentes do país em serviço público da união, dos Estados, ou dos Municípios; 
c) contra os que se acharem servindo na armada e no exército nacionais, em tempo de guerra; 
d) pendendo condição suspensiva; 
e) não estando vencido o prazo; 
f) pendendo ação de evicção. 
5. Ação de usucapião 
A ação de usucapião deve ser proposta pelo atual possuidor do imóvel, que fará juntar à inicial a planta da área usucapienda e a sentença que a julgar será registrada, mediante mandado, no respectivo Registro de Imóveis, sendo certo que a intervenção do Ministério Público será obrigatória. 
Esta ação, por força do artigo 1.241 do CC, tem natureza declaratória, estando regulada no CPC pelos artigos 941 a 945, devendo ser ajuizada no foro da situação do imóvel, que será minuciosamente discriminado na inicial. 
ACESSÃO
Conceito
É o modo originário de aquisição da propriedade, em virtude do qual fica pertencendo ao proprietário tudo quanto se une ou adere ao seu bem. Compõe a espécie do gênero acessórios da coisa. Está regrada nos artigos 1248 à 1253.
ESPÉCIES: art. 1248
Formação de Ilhas (art. 1249): este artigo cuida da formação de ilhas em rios particulares, ou seja, dos rios não navegáveis, ou que banhem mais de um Estado, uma vez que tais correntes são públicas. A aquisição da propriedade das que se formaram por força natural ocorre de acordo com sua situação ou posição no leito dos rios.
As ilhas que se formarem no meio do rio se distribuem na proporção das testadas dos terrenos até a linha que dividir o álveo ou leito do rio em duas partes iguais; as que se formarem entre essa linha e uma das margens consideram-se acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado.
Aluvião (art. 1250): é o aumento insensível que o rio anexa às terras, tão vagarosamente que seria impossível, em dado momento, apreciar a quantidade acrescida. Esses acréscimos pertencem aos donos dos terrenos marginais, conforma a regra de que o acessório segue o principal. O favorecido não está obrigado a pagar indenização ao prejudicado.
As descobertas pela retração das águas dormentes, como lagos e tanques, são chamadas aluvião impróprio, que é admitido tacitamente como forma de aquisição da propriedade.
Avulsão (art. 1251): ocorre quando força súbita de corrente, ou qualquer força natural e violenta, arranca uma parte considerável de um prédio, arrojando-a sobre outro. Quando a avulsão é de coisa não suscetível de aderência natural, deverá ser devolvido ao dono. O dono do imóvel em que caírem deverá tolerar a busca e a retirada, mediante indenização se sofrer algum prejuízo. Cabe ao dono do prédio acrescido a opção: aquiescer a que se remova a parte acrescida, reclamada dentro de um ano, ou indenizar o reclamante. O prazo de um ano é decadencial. Passado esse prazo, considera-se consumada a incorporação, perdendo o proprietário prejudicado, o direito de reivindicar e o de receber indenização.
Álveo abandonado (art. 1252): álveo é a superfície que as águas cobrem sem transbordar para o solo natural e ordinariamente enxuto (definição do Código de Águas). O álveo abandonado, tanto de rio público, quanto de rio particular, pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, na proporção das testadas, até a linha mediana daquele. Os dono dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso não têm direito à indenização, uma vez que se está diante de um acontecimento natural.
Acessões industriais: construções e plantações (art. 1253 à 1259): construções e plantações são chamadas de acessões industriais ou artificiais, porque derivam de um comportamento ativo do homem. Presume-se que toda plantação existente em um terreno foi feita pelo seu proprietário e à sua custa. Essa presunção se ilide nas hipóteses de que:
O dono do solo edifica ou planta em terreno próprio, com sementes ou materiais alheios;
O dono das sementes ou materiais planta ou constrói em terreno alheio;
Terceiro planta ou edifica com sementes ou materiais alheios, em terreno igualmente alheio.
Para resolver esse problema é preciso avaliar a presença da boa ou má-fé. Na primeira hipótese, aquele que utilizou plantas ou materiais alheios deverá ressarcir o seu valor; se agiu de má-fé, responderá ainda