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DisciplinaGeopolítica do Espaço Mundial5 materiais78 seguidores
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de 2000, e também nos intensivos em 
trabalho, especialmente nos anos 1990.
33O Eixo Sino-Americano e as Transformações do Sistema Mundial\u2026
Os atentados de 11 de Setembro de 2001 significaram uma nova reaproxima-
ção das relações políticas entre a China e os Estados Unidos, ao longo da década de 
2000, que perdurou até a crise internacional de 2008. Esta reaproximação foi possí-
vel com o apoio chinês na empreitada americana de combate ao terrorismo interna-
cional, sobretudo no Afeganistão e Iraque, e com a assinatura do presidente George 
W. Bush do acordo de apoio americano ao ingresso da China na OMC. Após a 
crise internacional de 2008, contudo, essa aproximação política passou a enfrentar 
sérias conturbações, devido à elevação das tensões comerciais \u2013 \u201cguerra cambial\u201d e 
elevados déficits americanos com a China \u2013, em um contexto em que a economia 
americana apresenta baixo crescimento do produto e elevado desemprego. 
No plano das relações econômicas entre China e Estados Unidos, verificou-
-se que os fluxos comerciais e financeiros durante a década de 2000 aproximaram 
ainda mais as economias desses dois países devido à maior integração produtiva em 
curso. Parece que a crise internacional de 2008 acelerou o processo de integração 
econômica entre esses dois países, reforçando a importância do eixo sino-america-
no em suas complementaridades econômicas \u2013 comercial, produtiva e financeira. 
Por um lado, a crise internacional também provocou o aumento da competição 
entre os Estados Unidos e a China pela acumulação de poder mundial.
3 AS DIMENSÕES COMERCIAIS, PRODUTIVAS E FINANCEIRAS DO EIXO 
SINO-AMERICANO NO INÍCIO DO SÉCULO XXI
A dinâmica de acumulação de riqueza e poder no âmbito mundial, ao longo 
da década de 1990, configurou uma relação siamesa no âmbito econômico \u2013 
comercial, produtivo e financeiro \u2013 entre a economia americana e a chinesa. 
Vejamos agora de forma mais detalhada as relações de complementaridade e 
de competição entre China e Estados Unidos no plano comercial, produtivo 
e financeiro, bem como como estas dimensões se articulam.
3.1 O comércio: \u201ca ponta do iceberg\u201d
No plano comercial, a relação sino-americana ao longo da década de 2000 foi marcada 
pelo i) aumento da corrente de comércio (exportações + importações) \u2013 acima da cor-
rente mundial; pela ii) elevação do déficit comercial americano com a China; pelo iii) 
aumento das exportações de produtos de baixo valor agregado dos Estados Unidos para 
a China, especialmente as de produtos não industriais; e pela iv) expansão explosiva 
da participação de produtos de maior valor agregado das exportações chinesas para os 
Estados Unidos. Na verdade, essas mudanças foram o reflexo do processo de ampliação 
da integração comercial nos anos 2000, que conectou novos fluxos centrados no im-
pressionante crescimento das exportações e importações chinesa e americana.
Assim como nas últimas duas décadas do século XX, a dinâmica do comércio 
internacional, entre 2000 e 2009, apresentou crescimento elevado (de 9,4% e de 9,3% 
para as exportações e importações, respectivamente, em médias anuais \u2013 tabela 2), mui-
34 A China na Nova Configuração Global: impactos políticos e econômicos
to superior ao crescimento do produto mundial no mesmo período (3,6% em médias 
anuais). Para Macedo e Silva (2010, p. 144), essa maior dinâmica do comércio em 
relação ao produto deriva do processo de crescente integração comercial entre os países 
desde o início da década de 1980, sendo este um dos elementos que caracterizam a 
era da globalização: liberalização financeira, integração produtiva e abertura comercial.
A despeito da manutenção dessa particularidade do comércio mundial, o 
período compreendido entre 2000 e 2009 foi marcado por mudanças significativas 
no processo de integração comercial tanto no que diz respeito ao seu volume quan-
to à localização dos seus fluxos. Se, por um lado, verificou-se crescimento explosivo 
das exportações (de US$ 249 bilhões em 2000 para US$ 1,202 trilhão em 2009) e 
das importações (de US$ 225 bilhões em 2000 para US$ 1,004 trilhão em 2009) 
chinesas para o mundo, por outro lado, observou-se também baixo crescimento 
das exportações (3,5% em médias anuais) e das importações (2,7% em médias 
anuais) americanas destinadas ao conjunto de todos os países. Crescimentos estes 
inferiores à elevação das taxas de exportações e importações mundiais (tabela 2).
TABELA 2
Evolução das exportações e importações \u2013 mundo, Estados Unidos e China, 1980-2010 
(Em US$ bilhões correntes) 
Exportações Importações
  China \u2013 Mundo Estados Unidos \u2013 Mundo Mundo China \u2013 Mundo Estados Unidos \u2013 Mundo Mundo
média 
(1980-1989)
31 250 2.169 35 351 2.214
média 
(1990-1999)
129 552 4.525 114 737 4.665
2000 249 782 6.360 225 1.259 6.594
2001 266 729 6.127 244 1.179 6.377
2002 326 693 6.419 295 1.200 6.615
2003 438 725 7.465 413 1.303 7.729
2004 593 819 9.123 561 1.525 9.458
2005 762 907 10.437 660 1.735 10.744
2006 969 1.038 12.107 792 1.918 12.331
2007 1.218 1.163 13.826 956 2.020 14.303
2008 1.429 1.301 15.975 1.132 2.169 16.509
2009 1.202 1.057 12.353 1.004 1.605 12.735
média 
(2000-2009)
678 863 9.780 611 1.565 10.101
20101 990 823 9.474 886 1.277 9.824
Fonte: Direção de Estatísticas Comerciais/FMI.
Elaboração do autor.
Nota: ¹ Acumulado dos três primeiros trimestres do ano.
35O Eixo Sino-Americano e as Transformações do Sistema Mundial\u2026
Essa dinâmica das exportações e importações chinesas e americanas provo-
cou mudanças significativas em seus respectivos market-share. Neste sentido, a 
China passou à condição de maior exportador e de segundo maior importador 
mundial. Os dados na tabela 3 evidenciam a extraordinária mudança de posição 
chinesa em tão pouco tempo. Em 2000, 3,9% e 3,4% das exportações e im-
portações de bens, respectivamente, originavam-se da China, ao passo que em 
2008 essa participação saltou para 8,9% e 6,9%. Cabe observar que após a crise 
internacional de 2008 essa tendência se acelerou, pois a participação chinesa nas 
exportações e importações mundiais saltou de 9,7% em 2009 para 10,4% em 
2010 e de 7,9% em 2009 para 9% em 2010, respectivamente. Quanto aos Es-
tados Unidos, verificou-se perda substancial de market-share das exportações (de 
12,3% em 2000 para 8,7% em 2010) e das importações (de 19,1% em 2000 para 
13% em 2010) mundiais. 
TABELA 3
Participação nas exportações e importações globais \u2013 em US$ correntes \u2013 Estados 
Unidos e China, 1980-2010 
(Em %)
Exportações Importações
  Estados Unidos China Estados Unidos China
1980-1989 11,6 1,4 15,9 1,6
1990-1999 12,2 2,9 15,6 2,6
2000 12,3 3,9 19,1 3,4
2001 11,9 4,3 18,5 3,8
2002 10,8 5,1 18,1 4,5
2003 9,7 5,9 16,9 5,3
2004 9,0 6,5 16,1 5,9
2005 8,7 7,3 16,1 6,1
2006 8,6 8,0 15,6 6,4
2007 8,4 8,8 14,1 6,7
2008 8,1 8,9 13,1 6,9
2009 8,6 9,7 12,6 7,9
2010¹ 8,7 10,4 13,0 9,0
Fonte: Direção de Estatísticas Comerciais/FMI. 
Elaboração do autor.
Nota: ¹ Acumulado nos três primeiros trimestres do ano.
Além da alteração do market-share mundial, a elevação das importações e das 
exportações chinesas transformou a corrente de comércio mundial. Entre 2000 
e 2009, a corrente aumentou 4,6 vezes entre a China e o mundo, 1,3 vez entre 
36 A China na Nova Configuração Global: impactos políticos e econômicos
os Estados Unidos e o mundo, 1,9 vez no mundo e 3,1 vezes entre os Estados 
Unidos e a China (gráfico 1). Essa evolução evidencia que a China foi a grande 
responsável pela mudança recente dos fluxos comerciais mundiais (gráfico 1).
GRÁFICO 1
Evolução da corrente de comércio¹ \u2013 mundo, Estados Unidos e China, 2000-2009 
(2000 = 100) 
(Em US$ correntes)
50 
100 
150 
200 
250 
300 
350 
400 
450 
500 
550 
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 
 
China\u2013mundo Estados