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DisciplinaGeopolítica do Espaço Mundial5 materiais78 seguidores
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2000-2004 2005-2009
Mudança na posição da reserva (B.P.) 2.337,0 460,7 1.876,3
 1. Transações correntes 1.707,0 187,9 1.519,2
Participação do total acumulado (%) 73,0 40,8 81,0
Balança comercial 1.493,8 216,3 1.277,5
Participação do total acumulado (%) 63,9 47,0 68,1
(Continua)
55O Eixo Sino-Americano e as Transformações do Sistema Mundial\u2026
  2000-2009 2000-2004 2005-2009
 2. Conta capital e financeira 541,2 232,4 308,8
Participação do total acumulado (%) 23,2 50,4 16,5
Resultado IDE 596,8 222,0 374,8
Participação do total acumulado (%) 25,5 48,2 20,0
 3. Erros e omissões 88,8 40,4 48,4
Participação do total acumulado (%) 3,8 8,8 2,6
Fonte: IFS/FMI. 
Elaboração do autor.
Obs.: BP = balanço de pagamento.
É preciso ressaltar que existe significativa diferença da decomposição das 
reservas acumuladas ao longo desse período, a saber: i) entre 2000 e 2004, as 
transações correntes contribuíram com 40,8% das reservas acumuladas (de 
US$ 460,7 bilhões), sendo que a contribuição da balança comercial (47,%) 
foi maior do que a das transações correntes, o que evidencia que os outros 
componentes das transações correntes foram deficitários. Pelo lado da conta 
capital e financeira, verificou-se a contribuição de 50,4% do acúmulo de re-
servas, sendo que o ingresso líquido de IDE contribuiu com 48,2%; ii) entre 
2005 e 2009, o saldo nas transações correntes contribuíram com 81% das 
reservas (de US$ 1,519 trilhão). Desta conta, o componente que mais gerou 
reservas foi a balança comercial (68,1%). Quanto à conta capital e financei-
ra observou-se que ela proporcionou 16,5% das reservas que foi inferior ao 
resultado líquido do IED (20%), evidenciando, por sua vez, a ocorrência de 
uma saída de outros tipos de capitais (tabela 12).
Esse enorme aumento das reservas internacionais chinesas esteve associado 
ao acúmulo de títulos do Tesouro americano pela China. Entre dezembro de 2001 
e dezembro de 2010, verificou-se crescimento de 1.375% (de US$ 78,6 bilhões 
para US$ 1,160 trilhão) no estoque de títulos do Tesouro dos Estados Unidos em 
poder dos chineses. Essa evolução gerou significativa elevação da participação do 
total de títulos americanos em poder do governo chinês (de 7,6% para 26,1%) 
(gráfico 5). Inclusive, a partir de setembro de 2008 a China passou a ser o país 
com o maior estoque de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, ultrapassando o 
Japão. Vale ressaltar que, após a crise internacional de 2008, a China manteve o 
ritmo das compras dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
(Continuação)
56 A China na Nova Configuração Global: impactos políticos e econômicos
GRÁFICO 5
Evolução da posse e participação chinesa na propriedade de títulos do Tesouro dos 
Estados Unidos
118,4 159,0
222,9
310,0
396,9
727,4
894,8
1160,1
477,6
78,6
7,6
9,6
10,4
12,1
15,2
18,9
20,3
23,6 24,3
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Fonte: Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. 
Elaboração do autor.
Além dos títulos do Tesouro, a China elevou o seu estoque de títulos pri-
vados americanos entre março de 2000 e março de 2009, que passou de US$ 19 
bilhões para US$ 424 bilhões. Até meados de 2008, a China vinha também acu-
mulando de forma significativa títulos Government Sponsored Enterprises (GSE), 
tais como os de firmas do setor imobiliário \u2013 Fannie Mae, Freddie Mac (PRA-
SAD; SORKIN, 2009).
Esse acúmulo chinês de reservas soberanas na forma de títulos do Tesouro 
americano, entre outras estratégias, significa intervenção direta do Banco Central 
da China (Banco Popular da China \u2013 BCP) no mercado cambial que enseja re-
duzir a entrada de capital \u2013 dados os elevados superávits nas transações correntes 
e na conta capital e financeira (tabelas 8 e 9) \u2013, mantendo assim a estabilidade 
nominal de sua moeda \u2013 iuane \u2013 em relação ao dólar, preservando, por sua vez, a 
competitividade das exportações chinesas. A articulação entre a política cambial 
chinesa e os títulos do Tesouro americano reforça os elos da conexão entre a eco-
nomia chinesa e a americana.
57O Eixo Sino-Americano e as Transformações do Sistema Mundial\u2026
4 A DINÂMICA DA MACROECONOMIA MUNDIAL: O PAPEL DESEMPENHADO 
PELO EIXO SINO-AMERICANO NA PRIMEIRA DÉCADA DO SÉCULO XXI
A primeira década do século XXI foi marcada por dois momentos econômicos 
distintos: i) o extraordinário crescimento mundial entre 2002 e 2008 (tabela 1); 
e ii) a crise da economia mundial em 2008. Estes dois momentos históricos vêm 
gerando modificações estruturais no sistema econômico e político internacional 
que são fruto da configuração de uma nova divisão internacional do trabalho: 
globalização financeira e produtiva; e cadeias de produção global.
O período de extraordinário crescimento foi gerado pela configuração 
de novos fluxos comerciais, produtivos e financeiros que conectaram, por 
um lado, os Estados Unidos e, por outro, as economias do Sudoeste Asiático, 
especialmente a China. A dinâmica da acumulação capitalista passou a ser 
liderada pelo eixo sino-americano, e não mais pela tríade Estados Unidos, 
Alemanha e Japão (FIORI, 2010; PINTO, 2010a, 2010b; CARCANHOLO; 
FILGUEIRAS; PINTO, 2009).
Os dados da tabela 13 evidenciam a impressionante evolução da participa-
ção da China do PIB global em dólares correntes (de 1,9% em 1980 para 9,3% 
em 2010, tornando-se a segunda maior participação \u2013 fruto do denominado \u201cmi-
lagre chinês\u201d) e pequena perda na participação dos Estados Unidos (de 26,1% 
em 1980 para 23,6% em 2010). Estas duas economias juntas detiveram 32,9% 
do PIB global em 2010. A despeito do tão propalado avanço das economias em 
desenvolvimento, verifica-se que, ao se retirar desse grupo a China, o aumento da 
participação desses países foi pequeno (de 21,7% em 1980 para 24,2% em 2010), 
sendo que parte dessa dinâmica foi fruto de diversos mecanismos de transmissão 
gerados pela dinâmica chinesa.
TABELA 13
Participação no PIB global \u2013 1980-2010 
(Em %)
Região/país 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2007 2008 2009 2010¹
Países desenvolvidos 76,4 78,9 79,7 81,7 79,9 76,2 65,2 68,9 68,9 66,5
Alemanha 7,7 5,4 7,0 8,5 5,9 6,1 5,4 6,0 5,8 5,3
Estados Unidos 26,1 35,4 26,2 25,0 31,0 27,8 23,0 23,5 24,4 23,6
Japão 9,9 11,3 13,7 17,7 14,5 10,0 7,2 8,0 8,8 8,7
União Europeia 34,2 25,6 31,8 30,9 26,5 30,3 27,8 30,0 28,4 26,0
Países em desenvolvimento 23,6 21,1 20,3 18,3 20,1 23,8 25,7 31,1 31,1 33,5
África subsaariana 2,5 1,6 1,3 1,1 1,0 1,4 1,3 1,5 1,5 1,7
América Latina e Caribe 7,9 6,5 5,3 6,1 6,5 5,8 6,0 7,0 6,9 7,6
(Continua)
58 A China na Nova Configuração Global: impactos políticos e econômicos
Região/país 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2007 2008 2009 2010¹
Ásia 6,2 7,0 5,1 6,2 7,3 8,9 9,9 12,2 13,6 14,7
China 1,9 2,6 1,8 2,5 3,7 5,0 5,7 7,4 8,6 9,3
Estados Unidos + China 28,0 37,9 28,0 27,4 34,7 32,7 28,7 30,9 33,0 32,9
Países em desenvolvimento 
\u2013 exceto China
21,7 18,5 18,5 15,8 16,4 18,8 20,0 23,7 22,4 24,2
Fonte: FMI (2010). 
Elaboração do autor.
Nota: ¹ Estimativa.
Além do aumento da participação do PIB global, o G-2 \u2013 China e Estados 
Unidos \u2013 também contribuiu de forma significativa para o crescimento do PIB 
global,