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DisciplinaGeopolítica do Espaço Mundial5 materiais79 seguidores
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dos maiores bancos da 
China para 19,5%, em janeiro de 2011, sendo que este foi o oitavo aumento con-
secutivo, levando a taxa ao seu maior patamar histórico \u2013 para conter a aceleração 
da inflação em 2011 (WALDMEIR; COOKSO, 2011). Entre junho e novembro 
de 2010, o preço ao consumidor elevou-se de 3,3% para 5,1%, ao passo que o 
preço ao produtor se acelerou desde janeiro de 2010 (4,3%), atingindo o pico de 
7,1% em maio, desacelerando nos quatros meses seguintes e voltando a elevar-se 
em outubro (5%) e novembro (6,1%) de 2010 (gráfico 6).
64 A China na Nova Configuração Global: impactos políticos e econômicos
GRÁFICO 6
Evolução do preço ao consumidor e produtos na China \u2013 novembro de 2001-novembro 
de 2010 
(Em %)
4,3
5,4
5,9
6,8 7,1
6,4
4,8
4,3 4,3
5,0
6,1
1,5
2,7
2,4
2,8
3,1
2,9
3,3 3,5
3,6
4,4
5,1
1,7
-2,1
0,6
1,9
-2,5
-1,5
-0,5
0,5
1,5
2,5
3,5
4,5
5,5
6,5
7,5
No
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No
v./
20
10
Preço ao produtor Preço ao consumidor
Fonte: IFS/FMI. 
Elaboração do autor.
É evidente a preocupação do governo chinês com os impactos econômicos 
e políticos da elevação dos preços ao consumidor, sobretudo para os segmentos 
sociais que têm baixos salários. O repique inflacionário no fim da década de 1980 
e seus efeitos políticos à época \u2013 greves, protestos etc. \u2013 ainda está na memória do 
PCC. No entanto, isso não significa que o governo chinês vai abandonar o seu 
gradualismo na condução da política macroeconômica, pois o controle inflacio-
nário necessariamente deve vir acompanhado da manutenção do ritmo de desen-
volvimento estável e relativamente rápido \u2013 que garante a legitimidade interna 
do partido \u2013 em conformidade com o regime geral do Comitê Central do PCC e 
do Conselho de Estado. Isso significa afirmar que a economia dificilmente deverá 
crescer abaixo dos 7,5% estabelecidos no último plano quinquenal.
No outro polo da relação siamesa, a economia dos Estados Unidos, epicen-
tro da crise hipotecária, foi fortemente abalada. A elevada exposição dos grandes 
agentes financeiros às hipotecas subprime levou o sistema financeiro americano à 
beira do colapso. Neste sentido, o governo americano teve de realizar intervenção 
direta em instituições bancárias e não bancárias, que significou o aumento da 
65O Eixo Sino-Americano e as Transformações do Sistema Mundial\u2026
garantia sobre depósitos privados e sobre empréstimos bancários e a compra de 
ativos de valores duvidosos. Segundo dados do Gabinete de Gestão e Orçamento 
americano, as despesas executadas do governo federal aumentaram US$ 531,1 
bilhões entre 2008 e 2009, dos quais a função crédito habitacional e comercial \u2013 
salvamento do sistema financeiro \u2013 contribuiu com US$ 263,7 bilhões.
Além da intervenção direta no sistema financeiro, o governo americano 
adotou uma política monetária de forte injeção de liquidez na economia com o 
objetivo de recuperar o estado de confiança dos agentes econômicos \u2013 nos termos 
keynesianos. O Fed reduziu a taxa de juros básica (de 2,15 p.p. no primeiro tri-
mestre de 2008 para 0,14 p.p. no quarto trimestre de 2010), o que gerou forte 
elevação da base monetária (M1) em proporção do PIB (crescimento de 21% 
entre o primeiro trimestre de 2008 e o quarto trimestre de 2010) (tabela 17). 
No plano fiscal, o combate à crise se deu pela significativa expansão das 
despesas (de 30,9% em 2007 para 32,3% em 2008 e para 36,1% em 2009 em 
proporção do PIB) e redução das receitas (de 28,8% em 2007 para 27,8% em 
2008 e para 24,8% em 2009 em proporção do PIB), que, por sua vez, geraram a 
elevação do déficit público americano (de 2,1% em 2007 para 4,5% em 2008 e 
para 11,3% em 2009 em proporção do PIB). Essa evolução dos fluxos financei-
ros do setor público provocou o aumento na dívida líquida do setor público (de 
36,2% em 2007 para 53% em proporção do PIB em 2009) (tabela 16).
TABELA 16
Indicadores de finanças públicas dos Estados Unidos \u2013 2000-2010 
(Em % do PIB)
 Ano
Receitas Despesas Superávit/déficit (-)
Dívida líquida 
federalSetor público
Governo 
federal
Setor público
Governo 
federal
Setor público
Governo 
federal
2000 30,6 20,6 28,8 18,2 1,8 2,4 34,7
2001 29,5 19,5 29,2 18,2 0,3 1,3 32,5
2002 27,4 17,6 30,4 19,1 -3,0 -1,5 33,6
2003 26,0 16,2 31,3 19,7 -5,2 -3,4 35,6
2004 26,0 16,1 30,9 19,6 -4,8 -3,5 36,8
2005 27,5 17,3 31,0 19,9 -3,5 -2,6 36,9
2006 28,5 18,2 31,1 20,1 -2,6 -1,9 36,5
2007 28,8 18,5 30,9 19,6 -2,1 -1,2 36,2
2008 27,8 17,5 32,3 20,7 -4,5 -3,2 40,2
2009 24,8 14,8 36,1 24,7 -11,3 -9,9 53,0
2010¹ nd 14,8 nd 25,4 nd -10,6 63,6
Fonte: Gabinete de Gestão e Orçamento americano. 
Elaboração do autor.
Nota: ¹ Acumulado dos três primeiros trimestres
Obs.: nd = não disponível.
66 A China na Nova Configuração Global: impactos políticos e econômicos
Essas políticas de intervenção do governo americano conseguiram impedir o 
colapso do sistema financeiro. No entanto, elas ainda não conseguiram restabelecer 
o dinamismo da economia real \u2013 produto, investimento e emprego \u2013, a despeito da 
forte injeção de liquidez e da magnitude da política fiscal expansionista. A evolução 
das principais variáveis macroeconômicas evidencia: i) que o PIB e a produção in-
dustrial se recuperaram de forma lenta (de 3,5% e 6,4% entre o primeiro trimestre 
de 2009 e o terceiro trimestre de 2010), sendo que no terceiro trimestre de 2010 
ainda não tinham alcançado o valores pretéritos à crise; ii) o não restabelecimento 
da dinâmica dos investimentos \u2013 FBKF \u2013, pois se verificou trajetória de queda des-
de o primeiro trimestre de 2008 (20,1% do PIB) \u2013 que sofreu um lapso ainda maior 
no primeiro trimestre de 2009 (17,8% do PIB) \u2013 até o primeiro trimestre de 2010 
(16,6% do PIB), mantendo-se a partir daí estabilidade ou pequeno crescimento; 
iii) a redução do déficit comercial após o auge da crise (de US$ 250 bilhões no 
terceiro trimestre de 2008 para US$ 199 bilhões no terceiro trimestre de 2010);31 e 
iv) a forte elevação do desemprego (taxa de desemprego aberto saltou de 5,3%, no 
primeiro trimestre de 2008, para 9,1%, no quarto trimestre de 2010 (tabela 17).
TABELA 17
Indicadores macroeconômicos trimestrais selecionados \u2013 Estados Unidos, 1o trimestre 
de 2008-4o trimestre de 2010
Períodos
2008 
T1
2008 
T2
2008 
T3
2008 
T4
2009 
T1
2009 
T2
2009 
T3
2009 
T4
2010 
T1
2010 
T2
2010 
T3
2010 
T4
Taxa de juros1 2,15 1,64 1,66 0,39 0,23 0,18 0,17 0,07 0,10 0,14 0,15 0,14
Base Monetária (M1)/PIB (%) 9,8 9,7 9,9 11,5 11,3 11,8 11,6 12,1 12,0 11,9 11,8 nd
Exportações (bilhões US$) 318 344 341 299 247 252 265 294 297 315 319 nd
Importações (bilhões US$) 520 572 590 487 365 373 419 448 440 492 517 nd
Balança comercial (bilhões US$) -203 -228 -250 -188 -118 -122 -154 -154 -143 -177 -199 nd
PIB (média de 2005 = 100) 105,5 105,7 104,6 102,8 101,5 101,4 101,8 103,0 104,0 104,4 105,1 nd
Investimento (FBKF) (% PIB) 20,1 20,1 20,0 19,3 17,8 17,3 17,1 16,8 16,6 17,2 17,2 nd
Produção Industrial 
(média de 2005 = 100)
104,5 103,2 101,4 96,9 92,5 89,7 92,9 93,3 95,2 96,8 98,4 99,0
Índice de preço ao consumidor 
(2005 = 100)
108,6 111,0 112,3 109,1 108,6 109,7 110,5 110,7 111,1 111,7 111,8 112,1
Taxa de desemprego 5,3 5,2 6,0 6,6 8,8 9,1 9,6 9,5 10,4 9,5 9,5 9,1
Fonte: IFS/FMI.
Elaboração do autor.
Nota: ¹ Taxa de remuneração dos títulos do Tesouro.
Obs.: nd = não disponível.
31. Essa redução foi muito mais fruto da queda das importações \u2013 em outras palavras, reflexo da estagnação econô-
mica \u2013 do que do crescimento das exportações.
67O Eixo