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DisciplinaGeopolítica do Espaço Mundial5 materiais78 seguidores
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teia, não necessariamente planejada, de interesses norte-americanos e chi-
neses muito difícil de ser desfeita e, em boa medida, responsável pelas mudanças 
do sistema econômico e político mundial \u2013 novos fluxos comerciais, produtivos e 
financeiros \u2013 que têm se acelerado após a crise internacional de 2008. Por fim, afir-
ma que a conjuntura econômica e política internacional posterior à crise de 2008 
configurou-se como ponto de bifurcação histórica em que estão abertas as possibi-
lidades para que alguns Estados consigam subir na hierarquia do sistema mundial. 
No segundo capítulo, A ascensão chinesa: implicações para as economias da 
Europa, Sandra Poncet analisa a relação estabelecida entre a China e a Europa, 
destacando os diversos canais dos impactos \u2013 positivos e negativos \u2013 comerciais, 
econômicos e sociais dessa maior aproximação. Em primeiro lugar, avaliam-se os 
efeitos da concorrência nos mercados de exportação entre China e União Europeia 
para o desempenho comercial dos países europeus, estabelecendo comparações 
entre a Alemanha e a França. Os dados primários sugerem que os países euro-
peus resistiram bem à concorrência da China, já que as indústrias manufatureiras 
da Europa deixaram de produzir bens menos sofisticados, passando a engendrar 
16 A China na Nova Configuração Global: impactos políticos e econômicos
produtos de mais alta qualidade. Em segundo lugar, discutem-se os impactos eco-
nômico e social da internacionalização das empresas europeias na China, obser-
vando como os canais comerciais afetam o mercado de trabalho europeu e quais 
os principais fatores explicativos do declínio de produção na Europa.
No terceiro capítulo, A articulação produtiva asiática e os efeitos da emergência 
chinesa, Rodrigo Pimentel Ferreira Leão apresenta as características da articulação 
produtiva na Ásia que foi e vem sendo responsável pelo acelerado desenvolvimento 
econômico da região, desde os anos 1950 até o momento presente. Desenvolvi-
mento este que pode ser dividido em duas etapas diferenciadas: a capitaneada pelo 
Japão \u2013 entre 1950 e meados dos anos 1990 \u2013 e a liderada pela China \u2013 pós-crise 
asiática de 1997 até dos dias atuais. O autor explora a diferenciação entre essas duas 
etapas. Primeiramente, o foco é compreender o caminho percorrido pela China 
para deixar de ser mais uma nação que se beneficiou da articulação produtiva asiáti-
ca, tornando-se um ator protagonista dessa articulação. Posteriormente, enfatiza as 
modificações no comércio e no investimento direto estrangeiro (IDE) na década de 
2000, período em que a China se tornou o centro dinâmico regional.
No quarto capítulo, China e Índia no mundo em transição: o sistema sinocêntri-
co e os desafios indianos, Diego Pautasso analisa a evolução e as mudanças políticas e 
econômicas nas relações sino-indianas (China e Índia) entre 1991 e 2011. O pano 
de fundo utilizado para explicar essas mudanças é a ideia de que se enfrenta, desde 
a década de 1970, uma transição de longa duração do sistema mundial, ao estilo 
Wallerstein/Arrighi, da hegemonia americana para a chinesa, isto é, estar-se-ia a ca-
minho de um sistema sinocêntrico. A partir dessa premissa, o capítulo realiza breve 
histórico das relações sino-indianas para, em seguida, analisar a ascensão da China e 
sua aproximação com a Índia, sobretudo no plano econômico, a partir da mudança 
operada pelo fim da bipolaridade e da rivalidade sino-soviética.
No quinto capítulo, A ascensão chinesa e a nova geopolítica e geoeconomia das 
relações sino-russas, William Vella Nozaki, Rodrigo Pimentel Ferreira Leão e Aline 
Regina Alves Martins investigam as contradições e as complementaridades sub-
jacentes à aproximação recente entre China e Rússia, levando em conta tanto as 
desconfianças históricas entre esses países como a reaproximação em um contexto 
de ascensão chinesa e de reestruturação do Estado russo. Os autores ressaltam 
ainda que a análise da relação sino-russa só pode ser feita à luz de suas decisões 
estratégicas associadas a: i) busca pela afirmação nacional na região eurasiática; ii) 
movimentações de aproximação e de distanciamento com os Estados Unidos; e 
iii) questões militares e energéticas.
No sexto capítulo, A expansão da China para a África: interesses e 
estratégias, Padraig Carmody e Francis Owusu investigam as estratégias 
geoeconômicas \u2013 de comércio e de investimento \u2013 chinesas para a África, 
17Introdução
buscando mostrar que essa região passou a ter importância central para as 
políticas globais de segurança energética \u2013 particularmente os combustíveis 
fósseis \u2013 dos Estados Unidos e, sobretudo, da China. A princípio, discute-
se a aproximação e a estratégia chinesa para o continente africano realizada 
partir de 2000 para, em seguida, analisar os impactos econômicos dessa 
expansão, ressaltando os efeitos desse processo para o sistema político e 
para a reestruturação dos Estados africanos.
No sétimo capítulo, China e América Latina na nova divisão internacional 
do trabalho, Alexandre de Freitas Barbosa realiza um panorama das relações 
econômicas entre a China e os países da América Latina na década de 2000, 
ensejando mostrar que a ascensão chinesa \u2013 ao criar nova divisão internacional 
do trabalho \u2013 configurou novos dilemas estruturais para os países da região 
que, necessariamente, são refletidos na agenda do desenvolvimento de cada 
país. Neste sentido, descrevem-se as diferentes estratégias de inserção exter-
na da China e da América Latina nos anos 1990, bem como a evolução das 
relações econômicas \u2013 fluxo de comércio e de capitais \u2013 entre 1998 a 2008. 
A após realizar uma tipologia, ao estilo histórico-estrutural, para identificar as 
diferentes formas de relação entre a China e os países da região, o capítulo dis-
cute os vários desafios estruturais que estão postos e que recolocam a questão 
do desenvolvimento nacional a partir da ótica cepalina.
Por fim, no oitavo capítulo, China e Brasil: oportunidades e desafios, Luciana Acioly, 
Eduardo Costa Pinto e Marcos Antonio Macedo Cintra apresentam os desafios que 
o Brasil terá de enfrentar com a ampliação de suas relações comerciais, produtivas e 
financeiras com a potência em ascensão chinesa. Relações estas que evoluíram acelera-
damente ao longo da década de 2000 e que tendem a se aprofundar ainda mais após 
a crise internacional de 2008, em virtude da tentativa do governo chinês de mudar 
seu padrão de crescimento conforme exposto no XII Plano Quinquenal (2011-2015). 
O capítulo afirma que a aproximação com a China cria oportunidades de curto e de 
médio prazo \u2013 melhora dos termos de troca, utilização do funding chinês, possíveis 
acordos de cooperação tecnológica etc. \u2013 para o Brasil que, se não forem bem aprovei-
tadas, poderão representar ameaças no longo prazo, em virtude: i) da perda de partici-
pação das exportações brasileiras em terceiros mercados para a China; ii) dos efeitos da 
concorrência chinesa para a estrutura produtiva nacional; e iii) da perda do controle 
estratégico sobre fontes de energia (petróleo) e de recursos naturais (terras e minas). 
Boa leitura! 
Rodrigo Pimentel Ferreira Leão
Eduardo Costa Pinto
Luciana Acioly
Organizadores
18 A China na Nova Configuração Global: impactos políticos e econômicos
REFERÊNCIAS
DIEGUEZ, F. Subelevação na Ásia. Retrato do Brasil, n. 42, p. 34-38, 
jan. 2011.
PEYREFITTE, A. O império imóvel ou o choque dos mundos. Rio de Janeiro: 
Casa Jorge Editorial, 1997.
CAPÍTULO 1
O EIXO SINO-AMERICANO E AS TRANSFORMAÇÕES DO 
SISTEMA MUNDIAL: TENSÕES E COMPLEMENTARIDADES 
COMERCIAIS, PRODUTIVAS E FINANCEIRAS
Eduardo Costa Pinto*
1 INTRODUÇÃO
A primeira década do século XXI foi marcada por importantes transformações 
no sistema econômico e político internacional. Os atentados de 11 de Setembro 
de 2001 foram o marco para a mudança na conjuntura internacional da década