brasil e china multipolaridade
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brasil e china multipolaridade


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da ABIQUIM - Associação Brasileira da Indústria Química,
ao abrigo do Acordo de Cooperação Econômica e Tecnológica, e com o
apoio da Embaixada do Brasil em Pequim, identificar as reais possibilidades
de colocação dos produtos petroquímicos brasileiros, em especial as resinas
sintéticas, e de forma permanente, no mercado chinês.
3. Programas conjuntos de pesquisa e desenvolvimento (P&D)
É reconhecida mundialmente a capacidade intelectual da indústria
química chinesa, fato decorrente do elevado nível educacional e dos elevados
recursos investidos em universidades e centros de P&D, o que acaba se
refletindo na oferta de diversos produtos com elevado teor tecnológico e em
condições comerciais competitivas.
O Brasil, com a implementação, no início dos anos 90, do programa
de desestatização na indústria petroquímica, o qual reduziu substancialmente
a participação da empresa brasileira de petróleo nos negócios petroquímicos,
acabou reduzindo igualmente os seus investimentos de P&D em
petroquímica, que eram predominantemente realizados por empresas com
participação estatal.
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Em particular, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras
(CENPES), líder em P&D em petroquímica no Brasil, reduziu drasticamente
as suas atividades em petroquímica, como decorrência da menor participação
da Petrobras na indústria petroquímica, através de sua subsidiária Petroquisa.
Hoje, com a redefinição dos interesses da Petrobras em petroquímica,
é esperada uma retomada das atividades em petroquímica no CENPES.
Assim sendo, nos parece interessante e recomendável uma maior
aproximação entre o CENPES e os diversos centros de P&D e universidades
chinesas, com o objetivo de aprofundar os conhecimentos mútuos e identificar
áreas de cooperação. Alguns temas já estão sendo explorados, mas
acreditamos haver um enorme potencial a ser desenvolvido.
Da mesma forma, os grupos privados nacionais atuantes em
petroquímica, preocupados com a evolução tecnológica de suas atividades,
poderiam buscar sinergias com as universidades e centros de P&D da China.
Alguns temas, que já são claramente identificados como de interesse
mútuo, precisam ser melhor explorados:
- catalisadores;
- desenvolvimento de processos e tecnologias;
- desenvolvimento de novos tipos e especificações de produtos.
4. Fertilizantes
Brasil e China têm na agricultura um importante suporte para o
desenvolvimento de suas economias. Dessa forma, necessitam dispor de
uma indústria de fertilizantes que garanta elevados níveis de produtividade.
A China é atualmente o país com maior consumo de fertilizantes,
importando parcela substancial de suas necessidades.
Em função da demanda sazonal no Brasil, eventuais excessos de
oferta poderiam ser exportados do Brasil para a China.
Há, igualmente, a possibilidade de cooperação em futuros projetos
de revamp das unidades industriais existentes no Brasil, tendo em vista a
larga experiência acumulada pela indústria chinesa, em especial na
engenharia, montagem, fabricação de equipamentos e na produção de
catalisadores.
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Tem sido identificado, também, interesse por parte da China de vir a
participar de novos empreendimentos na área de fertilizantes no Brasil.
5. Proteção ambiental
Devido à extensa capacitação acumulada pela indústria química
brasileira nas questões associadas à proteção ambiental, e por ser esse um
assunto relativamente novo para a indústria química chinesa, acreditamos
que possa haver grandes possibilidades de cooperação nessa área.
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Petróleo no Brasil e na China e possibilidades de
cooperação
João C. A. Figueira*
Introdução
A China é o 5o maior produtor de petróleo do mundo com cerca de
3,2 milhões de barris diários. Suas reservas provadas montam a 24 bilhões
de barris1 em 1/1/1998. Entretanto, passou a importar petróleo desde
1993 para atender as suas demandas domésticas. Cerca de 20%, ou 800
mil barris diários, são importados. A tendência é a de aumento das
importações, dado o nível e o ritmo de crescimento da sua economia, que
alcança 7 a 8% ao ano, a menos que ocorra uma substancial reposição
das reservas.
O Brasil, através da Petrobras, produz 1,1 milhão de barris diários e
suas reservas provadas são de 8,8 bilhões de barris de óleo equivalente em
31/12/1998. Tal como a China, o Brasil também importa petróleo para suprir
seu consumo interno, hoje na faixa dos 1,79 milhão de barris diários. As
projeções do Planejamento Estratégico da companhia apontam para a
ampliação das suas reservas provadas para 13 bilhões de barris de óleo
equivalente e uma produção de 1,99 milhão de barris diários em 2005, dos
quais 1,85 milhão produzidos pela Petrobras. O consumo diário em 2005 é
estimado em 2,18 milhões de barris. Além da produção doméstica, o
Planejamento Estratégico objetiva a ampliação das reservas provadas para
1,3 bilhão de barris e a produção de 300 mil barris de óleo equivalente por
dia, no exterior.
* Diretor de Exploração e Produção da PETROBRAS INTERNACIONAL S.A. - BRASPETRO
1 Energy Information Administration, United States, June 1999
A Petrobras realizou investimentos na China nos anos 80, porém
não foi bem sucedida. Entretanto, está aberta a voltar a aplicar investimentos
no país. Tanto que o seu Planejamento Estratégico contempla para a China
a monitoração do mercado e a avaliação de oportunidades. As estatais
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CNOOC2 & CNPC3 e Petrobras poderiam desenvolver esforços no sentido
de identificar sinergias que permitam formação de parcerias e alianças para
a atuação conjunta no setor, tanto na China como no Brasil, particularmente
nas atividades e exploração e produção.
A Petrobras na China
Upstream
A Petrobras, através da Braspetro, participou do esforço exploratório
quando da abertura do mar territorial chinês ao investimento estrangeiro no
fim do anos setenta.
Em 1979 a Braspetro participou de um pool de companhias
internacionais que realizaram um extenso levantamento sísmico que totalizou
107.000 km lineares de dados sísmicos 2D que cobriu toda a plataforma
continental do Mar do Sul da China. Esta etapa pré-qualificou a Braspetro
para as licitações de blocos que se seguiram.
Em 1982, visando a participar da 1a Rodada de Licitações na bacia
da Foz do Rio Pérola e do Mar Amarelo, a Braspetro formou uma joint
venture constituída pelas seguintes companhias (ver figura em anexo e
quadro seguinte):
2 CNOOC = China National Offshore Oil Corporation
3 CNPC = China National Petroleum Corporation
oiRodzoF
aloréP
raM
oleramA
ortepsarB %0,51 %0,51
muelortePhsitirB %0,54 %0,05
PHB %0,02 %0,02
adanacorteP %0,01 %5,7
liOregnaR %0,01 %5,7
O grupo desenvolveu trabalhos exploratórios em 6 blocos, sendo 4
situados na Foz do Rio Pérola, 1 no Mar Amarelo e 1 no Golfo de Beibu.
Foram levantados 12.100 km de dados sísmicos 2D de detalhe e perfurados
14 poços pioneiros. Este esforço requereu um investimento de US$ 203
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milhões (100%) em moeda da época, que, atualizados para janeiro e 1999,
correspondem a US$ 310 milhões.
Não houve descoberta econômica de petróleo pelo grupo. Os poços
mostraram a existência de reservatórios na bacia da Foz do Rio Pérola.
Contudo, revelaram problemas de geração de petróleo e de sincronismo
entre a formação das estruturas e a migração do óleo. No Mar Amarelo, ao
contrário, foi constatada a ocorrência de rocha geradora, porém não foram
encontrados bons reservatórios nos poços perfurados.
Após a campanha exploratória do offshore, no período de 1983 a
1988, a Braspetro manteve atividades na China, desta feita em um projeto
de estudos objetivando a avaliação do potencial petrolífero da província de
Xinjiang, no onshore chinês. Naquela altura, a indústria do petróleo aguardava
a abertura das áreas das bacias de Junggar e Tarim ao investimento
estrangeiro. Os estudos objetivavam uma melhor compreensão destas bacias,