brasil e china multipolaridade
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brasil e china multipolaridade


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muita pressa para superar as
enormes distâncias que ainda os separa dos países mais desenvolvidos.
Entre outros aspectos, é essa pressa que aproxima os dois povos na
procura da ajuda mútua, onde a troca de experiências nos campos de
excelência respectiva pode ser extremamente benéfica para as partes, pela
grande economia de tempo e de outros recursos advinda da cooperação.
No entanto, do ponto de vista energético os quadros apresentados
pelo Brasil e China são bastante distintos, tanto em termos quantitativos,
quanto qualitativos. Existem diferenças desde as reservas de combustíveis
fósseis, passando pela produção e o consumo energético, até o aproveitamento
hidráulico. Os valores do balanço energético da China são significativamente
maiores que os brasileiros (consumo de 870 milhões de toneladas
equivalentes de petróleo (tep) da China contra 220 tep do Brasil, ambos em
1997). Assim, fica claro é o relevante papel da China no contexto energético
mundial, como o segundo maior consumidor, atrás apenas dos Estados Unidos
da América.
Também há grandes diferenças entre as fontes energéticas em uso
pelos dois países. Predominam na China as fontes energéticas não renováveis
(aproximadamente 90%), com domínio absoluto do carvão mineral, que
responde por, cerca de 74% do consumo energético final. Já no Brasil, a
* Gerente de Tecnologia GNV, Petrobras Gás S. A. - GASPETRO
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energia primária não renovável corresponde a 42%, cabendo às fontes
primárias renováveis os restantes 58%, com destaque para a hidráulica com
36% do consumo total.
No entanto, apesar de apresentarem perfis energéticos tão distintos,
os dois países têm programas para a implementação e desenvolvimento de
uma indústria de gás natural, que apresentam diversas semelhanças, a começar
pela participação atual do gás natural nas respectivas matrizes de energia,
na China de apenas 2% e no Brasil de 2,8%, ambos em 1997.
Se o programa brasileiro prevê um crescimento que quadruplicará
essa participação, no horizonte de uma década, o chinês projeta, no mesmo
horizonte, o triplo do uso atual desse combustível. Em valores absolutos,
evidentemente, trata-se de números bem diferentes, uma vez que, enquanto
o Brasil consome, hoje, mais ou menos, 13 milhões de m³/dia de gás natural,
a China demanda uma quantidade quatro vezes maior (cerca de, 60 milhões
de m³/dia).
Será explorando tais similaridades, e algumas outras, entre o nosso
Brasil e uma China cada vez mais próxima de ideais comuns aos dois povos,
que desenvolveremos nosso tema, procurando as afinidades que nos permitam
uma parceria produtiva nos respectivos programas de uma maior inserção
do gás natural como fonte de energia.
A matriz energética brasileira
Por considerarmos que este assunto poderá ser tratado com mais
profundidade em outros trabalhos de espectro mais amplo que o presente,
apenas faremos algumas considerações gerais, que julgamos pertinentes para
melhor situar o publico quanto à questão específica do gás natural.
O Brasil é mundialmente conhecido pelas realizações e esforços
desenvolvidos no bom uso de suas fontes combustíveis renováveis, em que se
destacam a hidráulica, voltada principalmente à geração elétrica, os resíduos e
derivados da industria sucro-alcooleira e a lenha. Algumas destas fontes são
objeto de programas específicos para ampliação da sua produção e consumo,
embora algumas delas venham enfrentando problemas quanto à sua
economicidade intrínseca, confiabilidade de suprimento, danos ambientais,
distâncias e custos de transporte/transmissão crescentes etc.
No entanto, apesar dos períodos extremamente difíceis quanto à
escassez dos recursos públicos ou privados necessários à infra-estrutura de
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suporte do desenvolvimento de nossa produção industrial, ampliação dos serviços
públicos e melhoria das condições sócio-econômicas em geral, nosso país os
tem enfrentado com criatividade, ousadia e trabalho.
Apesar de alguns aspectos que poderiam empanar parte de algumas
das vitórias obtidas com a privatização dos serviços públicos em setores
estratégicos como telecomunicações, transporte e energia, sua melhoria e maior
democratização de acesso somente virão em médio e longo prazos. Serão
conseqüência natural de um maior volume de investimentos em ampliação e
manutenção da estrutura existente, tornado possível com a alocação de poupança
privada, principalmente externa e sob a forma de capitais de risco equity, em
parcerias de empresas brasileiras e estrangeiras).
A demanda energética brasileira tem crescido sempre a taxas maiores
que as do PIB, embora deslocada mais para os setores terciário e residencial
das grandes aglomerações urbanas, do que para o industrial. O risco de
dasabastecimento tem aumentado paulatinamente em virtude das grandes
defasagens em termos de investimentos na nossa capacidade de geração,
transmissão e distribuição.
Em função do distanciamento cada vez maior entre as possíveis fontes
de aproveitamento hidrelétrico e os grandes centros de carga, aliado ao grande
prazo de maturação, alto nível de investimento e grande possibilidade de profundas
alterações ambientais, passa-se por um período de excelente oportunidade para
a implementação de um parque termogerador que garanta ao País o atendimento
rápido das necessidades prementes em diversas regiões, metropolitanas, que
hoje sofrem risco ou grandes custos de suprimento elétrico.
O Brasil, de forma semelhante ao que tem ocorrido em diversos
outros países, somente nos últimos anos começou a se aperceber das grandes
vantagens advindas de um uso mais intensivo do gás natural como combustível
industrial, na termogeração elétrica, geração de vapor, aquecimento e/ou
resfriamento de ambientes comerciais e residenciais e combustível automotivo.
O gás natural, pela baixa emissão de compostos de enxofre e de
carbono e pela queima mais completa e eficiência energética, apresenta
enormes vantagens, do ponto de vista de impacto ambiental, de processo e
econômicas, sobre outros combustíveis, principalmente o óleo combustível e
o carvão mineral.
Mostramos no quadro I, abaixo, a evolução da matriz energética
brasileira entre 1988 e 1997.
200
O gráfico I, na próxima página, representa a contribuição percentual
das diversas fontes no consumo energético total do Brasil Nessa matriz, o
gás natural vem apresentando uma contribuição ligeiramente crescente,
atingindo, cerca de, 2,8%, a partir de 1996, o que mostra o grande espaço a
ser ocupado pelo mesmo nos próximos anos, tanto preenchendo o crescimento
da demanda, como uma nova e confiável fonte, como substituindo outras,
deslocadas por questões ambientais ou econômicas.
Quadro I - Matriz energética brasileira 1988 \u2013 1997 ( em mil tep )
Fonte: Balanço Energético Nacional 1998 - MME
setnoF 8891 1991 4991 7991
.mirpaigrenE
levávoneroãn 498.37 870.37 461.08 077.59
oelórteP 907.95 836.75 786.36 421.17
larutansáG 749.3 922.4 379.4 713.6
ropavoãvraC 742.2 583.2 129.1 999.1
oãvraC
ocigrúlatem 836.7 276.7 532.8 641.9
)803U(oinârU 353 451.1 843.1 481.7
.mirpaigrenE
levávoner 083.011 163.111 532.911 905.131
aigrenE
aciluárdih 737.75 751.26 483.07 929.08
ahneL 851.23 763.62 745.42 909.12
edsotudorP
racúça-ed-anac 605.81 425.91 733.12 865.52
setnofsartuO
sievávoner.mirp 979.1 313.2 769.2 301.3
latoT 472.481 934.481 993.991 972.722
O crescimento ou a introdução de novas alternativas energéticas
renováveis e não poluentes, necessárias para o chamado desenvolvimento
auto-sustentável, tais como a energia eólica e a solar, ainda passam por
estágio de pesquisa e desenvolvimento tecnológicos e aperfeiçoamento dos
fatores econômicos e de processo, estando, por isso mesmo, ainda sob o
domínio de alguns poucos países. Dado o grande volume de investimento e
o alto nível de risco envolvido, serão caminhos ainda a serem percorridos,
num prazo mais longo, por países em desenvolvimento.