brasil e china multipolaridade
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brasil e china multipolaridade


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a compreender a vegetação
original. Alguns experimentos valiosos têm sido feitos na restauração da
vegetação próxima à original. Isso contrasta com o reflorestamento
intensivo de terras vazias utilizando-se a monocultura de pinhos nativos,
álamos e eucaliptos exóticos. Essas plantações são, em geral, sem serventia
para a biodiversidade e a proteção do solo, água e função ecológica.
Um exemplo de conservação in situ está em Hainan. Hainan é
uma ilha tropical com uma biodiversidade muito importante mas que se
depara com fortes pressões oriundas de um desenvolvimento econômico
extremamente rápido, sendo uma zona econômica especial na China. As
78 reservas ecológicas existentes, a maioria estabelecida com pequenas
porções de terra de habitat, se deparam com problemas de habitação,
caça, redução de tamanho e escassez de fundos. Seu valor potencial tem
sido seriamente diminuído.
3. Conservação ex situ
Até agora, a melhor e mais barata forma de salvar espécies ex situ é
através da conservação in situ do seu ecossistema completo. A conservação
ex situ deveria ser vista somente como um seguro para manter um reservatório
cativo de genes no caso de uma espécie se tornar extinta na selva.
Existe, nas principais cidades, cerca de 40 zoológicos formais,
incluindo-se 28 de larga escala. Ademais, foram estabelecidos, na China,
cerca de 100 ou mais centros de procriação de vida selvagem. Geralmente
a situação dos zoológicos não é satisfatória: os animais são, muitas vezes,
mantidos de forma precária, a procriação não é freqüentemente bem
sucedida, a função educacional geralmente ignorada. Muitos zoológicos
estão endividados e são incapazes de cobrir seus custos operacionais.
Nos últimos anos, o estabelecimento dos parques de safári de animais
selvagens tem se tornado cada vez mais popular em alguns municípios e
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algumas áreas de turismo famosas foram estabelecidas somente para
propósitos comerciais. A função básica dos zoológicos deveria ser a
conscientização do público e sua educação. No momento, existe pouca ou
nenhuma ênfase nos zoológicos da China. Alguns zoológicos reduziram
seu trabalho educacional porque este não possui retorno do ponto de vista
comercial.
Para a conservação da biodiversidade, existe ainda muito a ser
feito para que essas utilidades de criação cativa alcancem o papel da
conservação ex situ. O nível de administração ou gerenciamento dessas
populações cativas de animais selvagens é, normalmente, deficitário no
provimento de animais adequados à reinserção para fortalecer as populações
selvagens ameaçadas.
As autoridades chinesas estão dando ênfase considerável a métodos
ex situ de conservação de animais selvagens. Poucos sucessos têm sido
registrados como o resgate de populações condenadas de aves pernaltas
emplumadas ou do jacaré Yangtsé. Têm havido, porém, falhas dispendiosas,
como o programa de criação de pandas gigantes e o golfinho do rio Yangtsé.
A conservação ex situ é muito dispendiosa, freqüentemente não é bem sucedida
e, de modo geral, poucas reinserções bem sucedidas têm sido logradas. Grande
parte dos planos para a construção de novos centros de criação para faisões,
cervos, primatas e carnívoros raros na China parece ser motivados mais por
razões comerciais do que por um espírito de conservação. A maioria dos
exemplos de zoológico para a conservação ex situ na China é, principalmente,
para exibição e expectativas comerciais, sendo praticamente negativa para
conservação.
Foram estabelecidos cerca de 120 jardins botânicos (viveiros de
plantas) na China. Em 1993, cerca de 18.000 espécies da flora chinesa foram
cultivadas nesses jardins botânicos, respondendo por 65% do total das espécies
da China. 332 espécies de plantas raras ou ameaçadas, respondendo por 85%
do total das espécies (389) listadas no primeiro grupo de plantas protegidas,
têm sido preservadas em 48 jardins botânicos. Ademais, foi estabelecido um
grande número de coleções de espécies vivas, viveiros de plantas e jardins
para plantas econômicas, plantas em flor e famílias e gêneros especiais nesses
jardins botânicos. Essas instituições deram uma grande contribuição à
conservação ex situ da diversidade de plantas na China.
A conservação ex situ de plantas é mais viável do que a de animais.
Plantas precisam de menos espaço e sua manutenção é mais barata. A
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reinserção no ambiente selvagem é mais fácil. Padrões de jardins botânicos
na China são muito mais elevados do que os de zoológicos. Essa é uma
contribuição significativa à conservação ex situ da diversidade de plantas
na China.
III - Possibilidades de cooperação com o Brasil
Brasil e China têm muitas características em comuns:
1) pertencem ao grupo de países com megabiodiversidade;
2) são países em desenvolvimento;
3) enfrentam a pressão de uma população crescente e recursos
decrescentes. É razoável pensar que a cooperação com o Brasil é cheia de
possibilidades e será próspera e vital. As possibilidades potenciais de
cooperação com o Brasil podem ser listadas abaixo.
Implementação para a Convenção sobre Biodiversidade
Brasil e China já tomaram a dianteira ao serem as duas primeiras
nações a assinar e ratificar a Convenção sobre Biodiversidade. Ambos países
deveriam continuar a demonstrar uma liderança global ao desenvolverem
um programa de ações no contexto da Convenção sobre Biodiversidade.
Brasil e China deveriam continuar a liderar o mundo ao implementarem,
imediatamente, as atividades para conservar suas biodiversidades,
importantes globalmente, e fazê-lo de modo sustentável. Ao mesmo
tempo, os dois países exercem forte influência sobre as nações
industrializadas e podem persuadir as nações mais ricas a compartilharem
o peso dos custos crescentes.
Cooperação para uma campanha de consciência pública
O público é muito importante para a conservação da
biodiversidade de modo que se deve conferir mais atenção à educação
sobre biodiversidade para o público. A campanha de conscientização
pública deveria alcançar todos os cidadãos, da idade escolar aos líderes
governamentais, difundindo maior consciência acerca do papel da
biodiversidade e da conservação ambiental para o desenvolvimento
sustentável da nação.
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Brasil e China podem trocar idéias, experiências e lições para
uma campanha de biodiversidade. Um programa conjunto de campanha
de conscientização pública promoverá o entendimento e a comunicação
para os dois países e seus povos. A campanha de biodiversidade também
pode fortalecer os laços entre os dois países. A campanha salientará os
efeitos negativos de exploração excessiva de espécies selvagens, a
importância de se controlar os animais selvagens, a importância de
programas de desenvolvimento para o uso sustentável da biodiversidade
e o significado de se manter a biodiversidade para o desenvolvimento
econômico de todas comunidades.
A campanha conjunta de conscientização pública exigirá o apoio
dos dois governos e a consulta extensa junto a agências que lidam com
os governos nacional e local, com os setores de ciência e tecnologia,
educação e propaganda. A campanha deverá considerar as crenças
religiosas existentes e as práticas de conservação tradicionais.
A campanha também precisa da assistência de todas agências
internacionais relevantes. Materiais educacionais públicos em outros
países deverão ser avaliados para se adequarem ao Brasil e à China.
Tais materiais exigirão a tradução e a adaptação aos sistemas
educacionais e de comunicação pública dos dois países.
Trocando informação sobre biodiversidade
Brasil e China deveriam estabelecer uma estrutura para desbloquear
o conhecimento e o poder econômico que jazem adormecidos nas massas
de dados sobre biodiversidade e ecossistemas que possuímos à disposição.
Deveríamos discutir estratégias cooperativas para aumentar o acesso à
informação sobre a biodiversidade dos dois países. Ao fazê-lo, damos nossa
contribuição