Química & Processamento de Petróleo
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onde é extraído, variar quanto à sua composição química e ao seu aspecto, 
podendo esta variação ocorrer até em um mesmo campo (Bestougeff e 
Byramjee, 1994; Thomas, 2001). Portanto, a composição do óleo é muito 
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influenciada pelo reservatório e um exemplo prático é o que ocorre no campo 
de Bell Creek, Wyoming, onde a densidade em 0API varia de 450 no sudeste a 
320 API no centro do campo produtor (Speight e Long, 1995). 
 
Os componentes presentes no petróleo também podem ser agrupados 
em quatro classes principais, sendo este critério baseado em solubilidades, 
conhecido como análise SARA, que é um método de fracionamento no qual o 
petróleo é separado em saturados (alcanos e cicloparafinas), aromáticos 
(hidrocarbonetos mono, di e poliaromáticos), resinas (fração constituídas de 
moléculas polares contendo heteroatomos N, O ou S) e asfaltenos (são 
moléculas similares às resinas, porém possuindo maior massa molecular e 
núcleo poliaromático) (Speight, 2001; Wang e colaboradores, 2002; Sjöblom e 
colaboradores). As resinas e os asfaltenos possuem espécies não voláteis, de 
difícil quantificação (Leon e colaboradores, 2000, Yarranton, 2002; Khadim e 
Sarbar, 1999; Farah, 2002; Barker, 1985; Danesh, 1998). 
 
Quanto à sua classificação, o petróleo é geralmente dividido em tipos ou 
bases, conforme a Tabela 2. 
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Tabela 2: Características das Principais Classes de Petróleos (Thomas, 
2001; Farah, 2002). 
CARACTERÍSTICAS DAS PRINCIPAIS CLASSES DE PETRÓLEOS 
CLASSE CARACTERÍSTICAS ORIGEM 
Parafínica Quando predominam até 90% 
de alcanos, são os óleos crus 
leves, com densidade inferior a 
0,85. Teor de resinas e 
asfaltenos abaixo de 10%. 
Paleozóicos da África do 
Norte, Estados Unidos e 
América do Sul. Cretáceo 
inferior da plataforma 
continental Atlântico Sul, e 
alguns óleos Terciários da 
Líbia e Europa Central. 
Parafínica-Naftênica Os óleos dessa classe 
apresentam um teor de resinas 
e asfaltenos entre 5 a 15%, 
baixo teor de enxofre (0 a 1%). 
Valores de densidade e 
viscosidade mais elevados do 
que a classe parafínica 
Cretáceos de Alberta, 
Paleozóico da África do Norte 
e Estados Unidos, Terciários 
da Indonésia e da Africa 
Ocidental e no Brasil a 
maioria dos petróleos da 
bacia de Campos. 
Naftênica Apresentam baixo teor de 
enxofre, e se originam de 
alteração bioquímica de óleos 
parafínicos e parafínicos-
naftênicos. 
Cretáceos da América do Sul, 
alguns da Rússia e Mar do 
Norte. 
Aromática Intermediária Compreende óleos pesados, 
contendo de 10 a 30% de 
asfaltenos mais resinas, e teor 
de enxofre acima de 1%. 
Densidade maior que 0,85. 
Teor de hidrocarbonetos 
monoaromáticos é baixo. 
Óleos Cretáceos do Médio 
Oriente, Cretáceo da África 
Ocidental, e alguns óleos 
originados da Venezuela, 
California e Mediterrâneo. 
Aromática-Naftênica São derivados dos óleos 
parafínicos e parafínicos-
naftênicos por processo de 
biodegradação. Contém teor de 
enxofre 0,4 a 1%, e até mais de 
25% de resinas e asfaltenos. 
Cretáceo Inferior da África 
Ocidental. 
Aromática-Asfaltica Compeende óleos pesados, Óleos do Canadá Ocidental, 
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viscosos, teor de asfaltenos e 
resinas de 30 a 60%, teor de 
enxofre de 1 a 9%. 
óleos asfálticos da Venezuela 
e do Sul da França. 
 
No Brasil, à maioria dos petróleos da Bacia de Campos são classificados 
como do tipo base parafínica-naftênica. Estes óleos apresentam teor de resinas 
e asfaltenos entre 5-15%, teor de aromáticos entre 25 a 40% e baixo teor de 
enxofre (0 a 1%) (Thomas, 2001). Estas características físicas conferem a este 
óleo a classificação de médio para pesado. 
As moléculas de asfaltenos são constituídas principalmente por núcleos 
poliaromáticos ligados por cadeias laterais naftênicas e alifáticas e geralmente 
apresentam grupos funcionais variados contendo ácidos carboxilícos, amidas, 
aminas, álcoois e heterocíclicos contendo oxigênio, enxofre e/ou nitrogênio e 
certos metais como vanádio e níquel. 
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Gás Natural 
Gás Natural é o gás existente nas jazidas. Algumas vezes, é produzido 
juntamente com o petróleo - é o chamado gás associado, comum nos poços da 
bacia de Campos. Há também o gás natural não-associado, existente em 
jazidas sem petróleo, como nos poços do campo de Juruá, na Amazônia. 
Ao sair do poço, o petróleo não vem só. Embora existam poços que só 
produzem gás, grande parte deles produz, ao mesmo tempo, gás, petróleo e 
água salgada. Isto prova que o óleo se concentra no subsolo, entre uma capa 
de gás e camadas de água na parte inferior. Depois de eliminada a água, em 
separadores, o petróleo é armazenado e segue para as refinarias ou terminais. 
O gás natural é submetido a um processo onde são retiradas partículas 
líquidas, que vão gerar o gás liquefeito de petróleo (GLP) ou gás de cozinha. 
Após processado, o gás é entregue para consumo industrial, inclusive na 
petroquímica. Parte deste gás é reinjetado nos poços, para estimular a 
produção de petróleo. 
 
 
Atualmente a definição mais completa é que os asfaltenos são solúveis 
em hidrocarbonetos aromáticos, tais como, tolueno e benzeno e insolúveis em 
hidrocarbonetos alifáticos, como n-pentano, n-hexano e n-heptano, nos quais 
as resinas são solúveis (Deo e colaboradores, 2004; Mullins e colaboradores, 
2003; Jamaluddin e colaboradores, 2003; Kilpatrick e colaboradores, 2003a e 
b; Al-Sahhaf, 2002; León e colaboradores, 2000 e 2001; Bauget e 
colaboradores, 2001; Lenormand e colaboradores, 2001; Yarranton e 
Gafanova, 2001; Yarranton e colaboradores, 2000a e b; Rogel, 2000; Khadim e 
Sarbar, 1999; Nomura e colaboradores, 1999; Speight e Andersen, 1999; 
Murgich e colaboradores, 1999; Barker, 1985; Speight, 1991, 1994, 1999 e 
2001). 
Resíduo 
de Vácuo 
Asfaltenos + Resinas + 
Parafinas Pesadas 
Evaporação 
do Heptano 
 
Precipitaç
ão com 
heptano 
30:1 
MALTENOS 
Extrator 
(Heptano) 
Parafinas + 
Resinas 
Extrator 
(Tolueno) 
Sais 
Inorgânicos 
Evaporação 
do Tolueno 
 
ASFALTENOS 
Solúvel 
Solúvel 
Solúvel 
Insolúvel 
Insolúvel 
Insolúvel 
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Os asfaltenos podem ser definidos também como compostos de alta massa 
molecular na faixa de 5x102 a 103 kg/kmol, podendo, entretanto chegar a 104 
kg/kmol (Speight, 1999 e 2001). Os asfaltenos são considerados a fração do 
petróleo com mais núcleos aromáticos e a de maior massa molecular (León e 
colaboradores, 2001). Os asfaltenos não possuem uma estrutura química 
definida, principalmente devido aos diferentes tipos de petróleos existentes. 
Estruturalmente é aceito que os asfaltenos apresentam predominante natureza 
aromática, possuindo núcleos policondensados, ligados a cadeias acíclicas e 
cíclicas (naftênicas), geralmente apresentando grupos funcionais ácidos e 
básicos, possuindo também elementos como oxigênio, enxofre e nitrogênio, 
sendo que este último aparece em pequenas quantidades, e metais como 
vanádio e níquel (Speight, 2001; Calema e colaboradores, 1995; Yarranton e 
colaboradores, 2000b; León e colaboradores, 2000; Rogel, 2000; Rogel e 
Carbonari, 2003; Mullins, 2003 e 1999; Siddiqui, 2003; Murgich e 
colaboradores, 1999; Geng e Liao, 2002; Marczewski e Szymula, 2002; 
Kilpatrick e colaboradores, 2003 a; Ancheyta e colaboradores, 2004). 
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\u2022 PROPRIEDADES UTILIZADAS PARA 
CARACTERIZAR E VALORIZAR OS PETRÓLEOS 
 
o Curva PEV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Permite a separação do óleo cru em cortes ou frações de acordo com suas 
temperaturas de ebulição. O Procedimento PEV é normalizado pela ASTM, 
pelas normas D-2892 e D-5236. 
 
Chegando às refinarias, o petróleo cru é analisado para que possamos