FUND COMÉRCIO EXTERIOR GST0304 - AULAS 1 a 5 - ESTACIO EAD
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FUND DE COMÉRCIO EXTERIOR - GST0304 \u2013 PAG. 1 
 
Aula 01: Panorama econômico atual 
Introdução 
Para traçarmos um panorama do comportamento mundial e de seu respectivo impacto no comércio exterior 
brasileiro, apresentaremos o desenvolvimento da China e de Brasil, dois países emergentes, como fenômenos importantes 
nesse processo de transformação. 
LÍDERES POLÍTICOS 
Deng Xiaoping 
A segunda maior economia mundial, há quarenta anos, mergulhada na revolução cultural maoísta e fechada para o 
comércio internacional, começou a se abrir com uma \u201ceconomia de mercado socialista\u201d a partir de Deng Xiaoping, em 
1978. Levou à China o melhor dos dois sistemas político-econômicos e tirou o país do atraso que durou até a morte de Mao 
Tsé-tung, em 1976. 
 
Mao Tsé-tung 
Contribuiu para a inclusão do camponês na economia chinesa, mas foi Deng Xiaoping que, tendo trabalhado como 
metalúrgico em uma fábrica da Renault, na França, pôde entender que a real inclusão social se dá através da educação e da 
especialização. 
Mao desenvolveu um \u201csocialismo de livre mercado\u201d e promoveu modernizações que começaram nos estados e 
municípios à base de investimentos em educação e infraestrutura para crescer exponencialmente ao longo dos últimos trinta 
anos em que a China vem conquistando o mercado internacional. 
 
O FENÔMENO CHINA 
Campos agrícolas que deram lugar a metrópoles, ingresso de pessoas no mercado consumidor e uma economia 
extremamente focada na exportação. Isso tudo fez da China um caso de sucesso mundial, colecionando índices de 
crescimento incomparáveis às demais economias do mundo que se fartam de produtos baratos vindos de lá. 
A crítica mais ferrenha aos produtos chineses está na qualidade dos produtos oferecidos, mas não é bem assim. há 
China pra todos os gostos. 
 Segundo pesquisa do Banco Mundial, os produtos de alta tecnologia vêm aumentando a sua participação na pauta 
das exportações chinesas. 
Outro assunto polêmico envolve a mão de obra mal remunerada. Com saúde e educação subsidiada pelo Estado 
totalitário e com um aumento progressivo de salários impulsionado pela, escassez de mão de obra e pelo aumento 
intencional do consumo interno como uma forma de atenuar a crise mundial de demanda dos últimos anos, a remuneração 
do cidadão chinês me parece adequada para a cultura e para o estilo de vida locais que estão mudando a cada ano. 
Para mais informações, leia agora o texto - Reflexo negativo do crescimento econômico 
O problema do crescimento econômico chinês No esteio do enriquecimento espantoso, o cidadão chinês, que agora 
tem dinheiro para ir além de sua subsistência, clama por mais liberdade e a liberdade é antagônica ao regime totalitário, que 
poderá sofrer pressões sociais por maior flexibilidade e participação do povo nas decisões do país em que vive em regime 
totalitário, desde 1949. 
Em 2010, uma greve de metalúrgicos chineses numa fábrica da Honda promoveu um aumento de 47% à categoria. 
A instabilidade política é previsível. Milhares de fábricas foram abertas instantaneamente num surto empreendedor, com 
baixíssimo custo de produção, usando mão de obra oriunda do êxodo rural. A China soube utilizar muito bem a vantagem de 
sua superpopulação, porém, ainda que com maior poder de compra, por questões culturais, essa superpopulação, focada em 
economizar tudo que ganha para um futuro melhor, não servirá para impulsionar o consumo interno. 
Para se ter ideia, em 2010, a indústria têxtil chinesa faturou um trilhão de reais, faturamento que, necessariamente 
terá que adequar acomodações e salários nas fábricas para atender à crescente demanda dos operários por melhores 
condições de trabalho. 
Caso contrário, novas linhas de produção serão fechadas por falta de mão de obra, o que gera uma preocupação 
mundial com as perspectivas futuras. 
O mundo inteiro está exposto ao aumento de custos na China. Há previsões de que os salários subirão cerca 30% ao 
ano até 2016, o que tornará muito difíceis as exportações chinesas. Isso poderá tornar passado a referência da China como a 
\u201cfábrica do mundo\u201d e reexportar fábricas de volta aos seus países de origem, que, contando a produtividade da mão de obra 
local maior que chinesa, custos de importação e logística, ficará pouco vantajoso mantê-las lá. 
O crescimento chinês é insustentável. O plano quinquenal, de março de 2011, prevê desaceleração do crescimento, 
repetindo histórias, como a japonesa, que, nos anos oitenta, por ter acelerado o seu crescimento havia décadas, era tido 
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como certo que o Japão seria a primeira economia mundial, porém, o estrondoso crescimento resultou em bolha de ativos e 
o Japão voltou aos 8% de participação no PIB mundial, bem mais baixo que os 18% do início dos anos noventa. 
Em detrimento à crise mundial de 2008, o governo chinês tem aumentado as linhas de crédito para incentivar o 
consumo interno e sofrer menor impacto provocado pela crise de demanda mundial. Isso pode representar grande risco para 
o sistema financeiro chinês, provocando um consumo com base em dívida, e não em enriquecimento, adiando uma futura 
quebradeira, causa da atual desaceleração e redução de investimentos, o que fará o crescimento chinês despencar. 
Trabalhando com margens de lucro baixíssimas, qualquer aumento de custo reverterá em aumento de preço. Com 
isso, os preços hipercompetitivos vão perdendo espaço paulatinamente e as linhas de produção vão migrando para países 
mais pobres, como Bangladesh, Indonésia e Vietnã, que têm trabalhadores até cinco vezes mais baratos que os chineses. 
O crescimento avassalador da China mudou o cenário econômico mundial. Este país passou a ser o primeiro parceiro 
comercial de países emergentes, concentrando a forte demanda de produto primário e voltando produtos industrializados a 
esses parceiros espalhados pelo mundo, num retorno ao século XIX, quando vendíamos insumos para países industrializados 
nos vender seus produtos acabados, novamente num velho modelo de desenvolvimento. 
Ainda que essa relação não seja apreciável, a China continua sendo o nosso maior comprador, e não podemos matar 
a nossa \u201cvaca leiteira\u201d, portanto, qualquer atitude reativa ao status que ora se apresenta pode ser economicamente delicada 
para o nosso país, que cresceu nos últimos anos à custa dessa demanda por commodities. 
Hoje, o que acontecer na China afeta o mundo todo. A avalanche de produtos chineses nas prateleiras de todos os 
países vem controlando a inflação mundial, e isso está para mudar 
 
O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL 
O Brasil vem se desenvolvendo muito rapidamente como um subproduto do crescimento chinês. O vigoroso aumento 
das commodities acabou com o nosso déficit comercial, valorizou o real, possibilitou a queda dos juros e alavancou a nossa 
economia, que vem crescendo desordenadamente sem investimento em infraestrutura, o que não aconteceu 
com a China, que aproveitou décadas de crescimento para investir pesado em infraestrutura. 
Com portos, aeroportos e estradas mal dimensionadas, temos que pisar no freio do crescimento econômico por não 
termos meios modernos para escoar a produção. 
 
Outro fator limitador do crescimento brasileiro >> INFLAÇÃO. Com a economia aquecida e maior poder de compra, o 
brasileiro está comprando e provocando aumento inesperado de preços, que devem ser controlados para manter adormecido 
o mostro da inflação que assolava a nossa economia nos anos oitenta. 
De qualquer forma, incluímos no mercado de consumo cidadãos que viviam abaixo da linha de pobreza. Uma nova classe 
média emergente impulsiona um consumo mais exigente, tudo como consequência da forte demanda do nosso minério de 
ferro pelas indústrias chinesas. 
Para mais informações, leia agora o texto - FATORES NOCIVOS AO DESENVOLVIMENTO DO BRASIL