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DisciplinaMicrobiologia e Micologia I302 materiais2.425 seguidores
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contendo concen-
trações de oxigênio menores que as encontradas no ar atmosférico.
Ex.: Campylobacter
No laboratório, é muito simples cultivar bactérias aeróbias ou facultati-
vas, visto que o oxigênio está sempre no ar, contudo, para a obtenção de
atmosferas isentas ou pobres de oxigênio, usamos métodos especiais.
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O emprego de meios redutores e frascos bem fechados, que são
chamados comercialmente de jarras (Figura 10), juntamente com técnicas
para diminuir ou eliminar o oxigênio do seu interior, possibilitarão o estudo
das bactérias microaerófilas e anaeróbias.
• Pode-se gerar uma reação química, combi-
nando o O2 na formação de um novo com-
posto. Isso pode ser conseguido pela simples
queima de uma vela Þ O2 Þ dióxido de
carbono, ou através de geradores comerciais
de atmosfera vendidos na forma de envelo-
pes, como bicarbonato de sódio e boro-
hidreto de sódio. Essas substâncias combina-
das com água liberam dióxido de carbono e
hidrogênio, que a partir de um catalisador de paládio contido na jarra
forma água. Além disso, o dióxido de carbono também estimula o
crescimento de várias bactérias.
• Poderemos ter uma atmosfera de microaerofilia ou anaerobiose,
dependendo da técnica e da forma de eliminar ou impedir a presen-
ça do oxigênio.
• Outra possibilidade é o emprego de meios especiais contendo agen-
tes redutores, como o meio de tioglicolato, que é capaz de se combinar
com o oxigênio dissolvido eliminando-o do meio de cultura. Pode-se
também adicionar um indicador de presença de oxigênio, como o azul
de metileno.
• Pode-se realizar a remoção mecânica do oxigênio de um frasco fecha-
do, contendo tubos ou placas com meios inoculados Þ o ar atmosféri-
co é aspirado e substituído por nitrogênio, hélio ou por uma mistura de
nitrogênio e dióxido de carbono.
Figura 10. Jarra hermética
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8.3. pH
A grande maioria das bactérias cresce bem em meios com pH ao
redor de 6,5 a 7,5, apesar de muitas espécies tolerarem variações de
pH entre 4,0 e 9,0.
Os meios de cultura são geralmente tamponados para evitar mu-
danças de pH, decorrentes da excreção de produtos do próprio meta-
bolismo bacteriano.
Os tampões são compostos que podem resistir às mudanças de pH.
A combinação de KH2PO4 e K2HPO4 é largamente utilizada nos meios
de cultivo, mas alguns ingredientes nutrientes do meio, tais como as peptonas,
também possuem a capacidade de tamponamento.
8.4. Outros fatores
Pressão osmótica- Meios de cultura com pressões osmóticas meno-
res que o interior da bactéria, geralmente não afetam sua viabilidade, uma
vez que a rigidez da parede celular impede a entrada excessiva de água.
Todavia, meios de cultura com pressões osmóticas maiores que a encontra-
da no interior da bactéria causam perda de água intracelular (efeito
bacteriostático ou bactericida).
Observação: Halofismo - Certas bactérias isoladas de salmouras, pacotes
de sal, alimentos e água do mar, chamadas bactérias halofílicas ou halófitas
obrigatórias, crescem apenas quando o meio contém uma concentração
inusitadamente elevada de sal (10% a 15%). Isto representa uma respos-
ta especial do microrganismo à pressão osmótica.
Luminosidade - Alguns organismos autotróficos fotossintéticos de-
vem ser expostos a uma fonte luminosa, pois a luz é sua fonte de ener-
gia. Outros liberam pigmentos quando expostos a luz, o que facilita na
sua taxonomia.
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9. Controle dos microrganismos9. Controle dos microrganismos9. Controle dos microrganismos9. Controle dos microrganismos9. Controle dos microrganismos
Para proceder adequadamente ao controle dos microrganismos, lançamos mão
de processos de esterilização e desinfecção, que podem ser físicos ou químicos (ver
capítulo 2 do volume 1). Outras formas de controle bacteriano (principalmente in
vivo) podem ser realizadas utilizando quimioterápicos e antimicrobianos (tópico 9).
10. Quimioterapia e antibioticoterapia10. Quimioterapia e antibioticoterapia10. Quimioterapia e antibioticoterapia10. Quimioterapia e antibioticoterapia10. Quimioterapia e antibioticoterapia
(Mecanismos de ação dos antimicrobianos)
Graças aos trabalhos do médico alemão Paul Erlich (1854 - 1915),
com a descoberta de dois agentes quimioterápicos entre 1909 e 1912, o
Salvarsan e Neosalvarsan (arsenobenzóis), deu-se início a era das substâncias
capazes de atingir o microrganismo causador da doença, sem prejuízo ao
portador (doente).
Erlich introduziu o índice quimioterápico, que era expresso pela razão
entre a dose máxima tolerada e a dose mínima curativa. De acordo com seus
trabalhos, um alto índice quimioterápico é alcançado pelas substâncias que
apresentam um alto parasitotropismo e um baixo organotropismo.
Sintetizada em 1908 pelo químico Paul Gelmo, que estudava corantes,
e pesquisada posteriormente em 1935 como substância bacteriostática pelo
Nobel de Fisiologia e medicina (1939) Gerhard Johannes Paul Domagk
(1895 – 1964), que batizou seu composto de prontosil, a sulfanilamida,
resultou até 1945 em 5488 derivados. Utilizada até hoje, é mais conhecida
com o nome de sulfa (Figura 11):
Figura 11. Configuração do Prontosil.
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A partir desta descoberta, vários outros produtos foram sintetizados,
com o objetivo de se encontrar preparações cada vez menos tóxicas.
Em 1929, Sir Alexander Fleming (Nobel de Fisiologia e Medicina,
em 1945) observou, por casualidade, que um fungo contaminante não só
estava crescendo em uma placa de cultura que havia sido deixada aberta
por descuido, como também as colônias de estafilococos, crescidas na
placa, próximas a este fungo, estavam sofrendo lise. O pesquisador con-
cluiu então que o Penicillium notatum (fungo que contaminou a placa)
produzia uma substância bacteriolítica - o antibiótico que veio a ser conhe-
cido como Penicilina, dando início a era dos antibióticos.
No ano de 1940, Selman Waksman (descobridor da estreptomicina)
definiu um antibiótico como sendo uma substância química produzida por
microrganismos, que tem a capacidade de inibir o crescimento de bacté-
rias (ação bacteriostática), e até mesmo a de destruir bactérias e outros
microrganismos (ação bactericida).
Atualmente, a denominação dos antimicrobianos é feita assim:
• Antibióticos – Antimicrobianos cuja produção (fabricação) se dá a
partir de microrganismos (fungos, bactérias, etc.).
Ex.: Penicilina - Produzida pelo fungo Penicillium notatum.
• Quimioterápicos – Antimicrobianos cuja produção (fabricação) se
dá através de substâncias sintetizadas em laboratório.
Ex.: Fluoquinolonas, Aspirina, etc.
Em Microbiologia, nos dedicamos aos agentes antimicrobianos, que
formam um grupo especial de agentes quimioterápicos usados para tratar
doenças causadas por microrganismos.
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10.1. Seleção de agentes antimicrobianos
Agentes antimicrobianos são fármacos ativos no tratamento de infecções
em razão de sua toxidade seletiva (destroem o microrganismo invasor sem
afetar as células do hospedeiro). Em muitos casos, a toxidade seletiva não é
absoluta, exigindo que a concentração do antimicrobiano seja controlada cui-
dadosamente, de modo a afetar o microrganismo em níveis toleráveis para o
hospedeiro. A terapia seletiva com antimicrobianos usa como vantagem as
diferenças bioquímicas existentes entre os microrganismos e os seres humanos.
Para se selecionar o agente antimicrobiano mais apropriado, deve-se ter
conhecimento da identidade do microrganismo e sua sensibilidade aos agentes em
particular, o sítio de infecção, os fatores ligados ao paciente e o custo da terapia.
Os antimicrobianos podem ser usados de três maneiras gerais – como
terapia