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DisciplinaMicrobiologia e Micologia I302 materiais2.425 seguidores
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por esse microrganismo podem se associar a
epiglotites graves e até mesmo a casos de meningite em crianças
pequenas (veja item 21 deste capítulo).
• Borrelia Vincenti – (Borrelia estirpe Vincenti) Essa espiroqueta,
que ocorre principalmente em adolescentes e adultos, forma um
complexo fusoespiralar em associação com bacilos fusiformes. Pode
causar úlceras na garganta ou gengiva, mas geralmente não tem maio-
res complicações.
17.1.2. Otite e Sinusite
Como no caso anterior, estas doenças são frequentemente de origem
viral, podendo estar associadas secundariamente a agentes bacterianos. Apesar
das otites não estarem diretamente associadas ao trato respiratório, por sua
localização e ligação anatômica, bem como os agentes associados vamos
considerá-las neste tópico.
• Otite média aguda – Comum em crianças, devido ao fato de a
trompa de Eustáquio ainda estar muito aberta, facilitando a invasão
viral e de bactérias residentes na nasofaringe. Os sintomas são bem
gerais, como febre, mas pode ocorrer até mesmo vômito e diarreia.
Os vasos do tímpano podem estar dilatados e ocorrer secreção no
ouvido médio. O processo, se não tratado, pode levar ao rompi-
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mento do tímpano e prejuízo à audição (otite média crônica supurativa).
As bactérias mais comumente envolvidas nesse processo são:
S.pneumoniae, H.influenzae, S.pyogenes e S.aureus (todas já cita-
das anteriormente).
• Otite externa – O canal externo do ouvido (orelha externa)
possui microbiota bacteriana semelhante a da pele. Como o ambien-
te é úmido, favorece a colonização por S. aureus e também pela
levedura Candida albicans. Eventualmente pode ocorrer também a
presença de bactérias Gram-negativas, como Pseudomonas aeruginosa
e Proteus. Geralmente, problemas causados por estes microrganis-
mos são facilmente tratados com preparados oto-oftálmicos conten-
do polimixina ou outro antibiótico na fórmula.
• Sinusite aguda – Clinicamente a Sinusite se associa a dor e
sensibilidade facial. Etiologicamente, é semelhante à Otite média.
Geralmente o tratamento é empírico ou feito com base no material
colhido da nasofaringe, já que a aspiração do sinusoide não é uma
prática comum.
17.2. Trato Respiratório Inferior (TRI)
Os principais órgãos do trato respiratório inferior são os pulmões, os
brônquios e os alvéolos. Geralmente as infecções do TRI são mais graves,
podendo ser classificadas em infecções agudas e crônicas.
17.2.1. Agudas
• Coqueluche – Esta é uma doença aguda do TRI, causada pela
bactéria Bordetella pertussis (ver item 16.4). O quadro clínico
inicial é duvidoso, mas, após a manifestação da tosse seca e curta
(estágio paroxístico), geralmente não há dúvidas. Os organismos
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podem ser isolados de swab de garganta ou em “placas de tosse”,
no meio de Bordet-Gengou ou ágar-sangue-carvão, incubando-se
por 3 a 5 dias em atmosfera úmida. O atibiótico de escolha é a
eritromicina, mas a prevenção ocorre pela vacinação (tríplice DPT).
• Bronquite aguda – É uma inflamação aguda dos brônquios, geral-
mente causada por uma infecção. Resulta, geralmente, em tosse.
Diversos vírus atuam neste tipo de patogenia, porém, bactérias como o
Mycoplasma pneumoniae, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae,
também podem possuir importante papel nesta condição. Devido a esse fato,
muitas vezes é recomendado o uso de antimicrobianos.
• Bronquiolite – Doença exclusiva da infância, causada frequente-
mente por vírus (75% são causadas pelo vírus respiratório sincicial –
VRS e 25% por outros vírus – ocasionalmente pode-se ter
envolvimento de M.pneumoniae). Devido ao diminuto tamanho dos
bronquíolos infantis, qualquer edema celular obstrui a passagem de
ar nos alvéolos. Uma complicação comum deste tipo de doença é a
pneumonia intersticial.
• Pneumonia – É uma infecção do parênquima pulmonar. Variados
microrganismos como bactérias, vírus e fungos podem causar pneu-
monia logo, ela não é uma doença única e sim um conjunto de
infecções específicas, cada uma com sua epidemiologia, patogênese,
apresentação clínica e curso clínico.
A Identificação etiológica do microrganismo causador da pneumonia é
um elemento de extrema importância, visto que ele é a chave para um
tratamento antibiótico apropriado. Entretanto, devido à natureza séria
da infecção, os pacientes necessitam receber antibioticoterapia empírica,
principalmente em casos de pneumonia grave, antes dos resultados
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laboratoriais estarem disponíveis. Além disso, em cerca de um terço
dos casos, o agente etiológico não consegue ser evidenciado.
As pneumonias virais são mais comuns em crianças e as bacterianas,
em adultos, podendo ser causadas, na maioria das vezes, por
S.pneumoniae e H.influenza. Podem ser ainda resultantes de alguns
oportunistas pós-virais, como S.aureus e K.pneumoniae. Existem
também as chamadas pneumonias atípicas bacterianas que são causa-
das por diversos outros agentes bacterianos, como, por exemplo,
Mycoplasma pneumoniae, espécies de Chlamydia e Legionella.
17.2.2. Crônicas
• Tuberculose – Doença infecciosa causada pelo Mycobacterium
tuberculosis (ver item 14.3). Apesar de ser uma doença primária
dos pulmões, pode disseminar-se para outros locais do organismo ou
mesmo evoluir para uma infecção generalizada (tuberculose miliar).
Muito séria em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento devi-
do a problemas sociais como miséria, desnutrição e moradias inade-
quadas. Torna-se extremamente grave em indivíduos
imunocomprometidos. O bacilo de Koch se localiza intracelularmente
nos macrófagos, o que possibilita sua persistência por longos perío-
dos no organismo.
O diagnóstico com base no teste cutâneo de tuberculina não é
útil em países como o nosso, onde a maioria dos indivíduos
recebeu a vacina BCG.
O diagnóstico realizado inicialmente por bacterioscopia (método
de Ziehl-Neelsen - ver item 5.2) e confirmado posteriormente
pela cultura (Loewenstein-Jensen - ver apêndice) é o mais confiável.
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18. Diagnóstico laboratorial das infecções18. Diagnóstico laboratorial das infecções18. Diagnóstico laboratorial das infecções18. Diagnóstico laboratorial das infecções18. Diagnóstico laboratorial das infecções
bacterianas do trato urináriobacterianas do trato urináriobacterianas do trato urináriobacterianas do trato urináriobacterianas do trato urinário
A infecção urinária é uma infecção em qualquer parte do trato urinário,
quer seja nos rins, ureteres, bexiga ou uretra. Pode atingir pessoas de
qualquer sexo e qualquer idade, mas é mais frequente em mulheres e
bebês do sexo feminino. Há uma estimativa de que 10% a 20% das
mulheres contraem infecção urinária em alguma época de suas vidas, sem
considerar um número significante de infecções recidivantes. A maioria das
infecções é aguda e de curta duração, porém contribui para taxa significati-
va de morbidade na população. Quando ocorrem infecções graves podem
resultar em perda da função renal e sequelas graves permanentes.
Nas mulheres, pode-se fazer distinção entre o tipo de infecção,
entre cistite, uretrite e vaginite, porém o trato é contínuo e os sintomas
podem aparecer superpostos.
O trato urinário é dividido em rins, ureteres, bexiga e uretra. Sendo
que somente na uretra devemos encontrar microbiota normal.
Quanto à aquisição e etiologia, as infecções do trato urinário são
causadas principalmente por bactérias, mas, ocasionalmente, outros micror-
ganismos, como vírus, fungos e parasitas, podem estar envolvidos.
18.1. Patogênese das Infecções do TU
Um dos fatores predisponentes à infecção urinária é ser do sexo
feminino, pois a uretra feminina é mais curta que a masculina e está mais
próxima ao ânus. Além disso, as relações sexuais facilitam o movimento