BacteriologiaFiocruz
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DisciplinaMicrobiologia e Micologia I302 materiais2.424 seguidores
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permite a emissão de um relato preliminar
rápido e um controle presuntivo da qualidade da amostra.
Colocar em uma lâmina, sem espalhar, 10mL de urina homogeneizada,
sem centrifugar (usar pipeta automática ou alça calibrada), esperar secar, fixar
e corar pelo Gram. Caso seja observada a presença de, pelo menos, 1
bactéria por campo, em 20 campos analisados, trata-se de uma possível
bacteriúria significante (³105 UFC/mL). Estes casos geralmente acompa-
nham piócitos também.
A observação de células epiteliais descamativas e uma cultura mista
geralmente indica amostra proveniente do primeiro jato e contaminação, haven-
do nestes casos a necessidade de nova coleta. Existem outros métodos rápidos
não disponíveis em todos os laboratórios como, por exemplo, os aparelhos
automatizados, todavia, seu custo ainda é inacessível para laboratórios de
pouca rotina ou de pesquisa.
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• Urinocultura
O objetivo deste teste é estimar o número de bactérias viáveis por
mililitro de urina e, nos casos considerados positivos (³105 UFC/mL),
realizar sua identificação.
a) Urinocultura quantitativa
1. Técnica da alça calibrada (Método de Hoeprich)
Utiliza-se uma alça fabricada com diferentes calibragens: 0,1 mL (1/
10), 0,01 mL (1/100) e 0,001 mL (1/1000).
A alça é inserida verticalmente na urina (já homogeneizada) e inoculada
no centro da placa contendo meio de cultura. Faz-se então um
espalhamento com alça de Drigalski ou alça bacteriológica.
2. Técnica das diluições seriadas
A urina é diluída em salina 1:10 / 1:100 / 1:1000
Semeando-se sempre 0,1mL de cada diluição em placa de cultura.
Pode-se semear em superfície (Drigalski) ou pour-plate.
• Meios utilizados
Para análise quantitativa são utilizados meios ricos que propiciam o
crescimento da maior parte dos microrganismos presentes nas infecções urinárias.
O cultivo padrão é realizado no ágar Brolacin, também conhecido como
“CLED” (azul de bromotimol - lactose-cisteína - eletrólitos deficientes). O
meio além de facilitar a contagem inibindo o swarm do gênero Proteus, permite
a diferenciação presuntiva das bactérias presentes (lactose – E.coli - azul/
amarelo Û azul intenso – Proteus).
Para análise qualitativa (propicia a noção dos microrganismos presen-
tes), pode-se usar meios como ágar sangue e meios seletivos para determina-
dos grupos (ex: Ágar MacConkey e EMB).
Bacteriologia
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Incubação: as placas deverão ser incubadas em estufa a 37oC por 24
horas. Se não houver crescimento, deverão ser incubadas mais 24 horas e se
ainda não houver crescimento, o resultado deverá ser o seguinte: “ausência
de crescimento após 48 horas de incubação”.
Se houver crescimento, o microrganismo deverá ser identificado (pro-
vas bioquímicas) e posteriormente realizado o seu TSA.
• Interpretação dos resultados (análise quantitativa)
A contagem de placa deverá ser feita naquela que tiver um número
entre 30 e 300 colônias e deverá ser feito com base no número de colônias
contado X fator de diluição = número de microrganismos por mililitro.
Se o resultado for menor que 104 colônias (10.000 UFC/mL), consi-
dera-se a amostra contaminada acidentalmente ou conteúdo da contagem pro-
veniente de microbiota autóctone (não identificar). Nestes casos, devemos
reportar só o no total de UFC/mL. Porém, se no teste inicial pela coloração de
Gram a contagem foi positiva, as placas devem ser reincubadas.
Nos resultados com contagem maior ou igual a 105 colônias (100.000
UFC/mL), há indicação de infecção urinária. Nestes casos, as colônias devem
ser identificadas e, posteriormente, deve ser feito o teste de sensibilidade aos
antimicrobianos (TSA).
Se mais de 1 tipo de colônia estiver presente em grande quantidade,
ambas deverão ser identificadas e o TSA de cada uma deve ser feito separada-
mente. Se foram isoladas mais de 2 espécies, há suspeita de contaminação do
material, principalmente se na coloração de Gram não foi observado nenhum
leucócito e houver presença de células epiteliais descamativas.
A presença de culturas mistas geralmente indica contaminação, porém,
pode ocorrer infecção mista, principalmente em pacientes fazendo uso de
cateter com doença renal crônica ou com lesão obstrutiva.
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Se o resultado estiver entre 104 e 105 UFC/mL (resultados interme-
diários), este caso deve ser analisado com muito cuidado, pois pode tratar-
se de contaminação, início ou final de infecção ou paciente que iniciou o
tratamento com antimicrobiano. Como controle, devemos solicitar uma se-
gunda coleta para comparação de resultados.
Nos casos positivos, devemos sempre tentar identificar o microrganis-
mo, podendo também semeá-los após triagem para checagem e confirmação
bioquímica posterior.
• Detecção de bacteriúria significante
É a característica-chave para a certeza de infecção do trato urinário.
Estudos recentes sugerem que os dados de isolamento geralmente são
mais precisos em mulheres e as considerações utilizadas para determinar infec-
ção (contagem igual ou acima de 100.000 UFC/mL) nem sempre podem ser
plotadas para indivíduos do sexo masculino. Nos homens, há uma tendência
atual de se considerar números limites para urina mais baixos que nas mulheres,
pois a contaminação é menos frequente.
Estes números não se aplicam a amostras de urina coletadas de cateteres
ou por aspiração suprapúbica. Nestes casos, qualquer número de microrganis-
mos pode ser significante, pois não há contaminação de microbiota.
b) Urinocultura qualitativa
Ao detectar a bacteriúria significante na amostra, o profissional deverá
fazer a identificação bioquímica da colônia isolada e realizar o TSA de acordo
com o item 11.
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19. Diagnóstico laboratorial das infecções19. Diagnóstico laboratorial das infecções19. Diagnóstico laboratorial das infecções19. Diagnóstico laboratorial das infecções19. Diagnóstico laboratorial das infecções
bacterianas sistêmicas (hemocultura)bacterianas sistêmicas (hemocultura)bacterianas sistêmicas (hemocultura)bacterianas sistêmicas (hemocultura)bacterianas sistêmicas (hemocultura)
Como já comentado no item 15.2.5, o sangue é desprovido de
microbiota, sendo que a presença de bactérias no sangue (bacteremia) pode
ocorrer de forma assintomática com certa frequência (mastigação vigorosa,
escovação, etc.), sem que haja maiores implicações para o indivíduo, pois,
possuímos defesas específicas e inespecíficas (ver capítulo 1 deste volume)
que nos auxiliam ao combate destes “intrusos”. Todavia, em algumas ocasiões,
a partir de focos intravasculares ou extravasculares, poderá ocorrer bacteremia
sintomática (transitória, intermitente ou contínua), levando à manutenção ou
passagem de bactérias na nossa corrente sanguínea. Essa situação, se não
resolvida, poderá evoluir para doenças em determinados locais (como no caso
de uma meningite) ou infecções disseminadas (septicemia).
Geralmente, quando desenvolvemos a septicemia (multiplicação de mi-
crorganismos no sangue), podemos apresentar uma série de sinais e sintomas
associados, que podem ser leves ou fatais, como febre e calafrios, lesões de
pele, diarreia, queda da pressão arterial, aumento do ritmo cardíaco e choque.
Como é uma infecção muitas vezes fatal, seu diagnóstico deve ser realizado o
quanto antes, pois o tratamento é de suprema importância para manutenção da
vida do paciente.
A Hemocultura ou exame bacteriológico do sangue é utilizado para
demonstrar a presença de bactérias na corrente sanguínea. Para se realizar
essa pesquisa é necessária uma metodologia correta na coleta deste sangue
e a semeadura deste material em meios adequados (veja o item 15.2.5).
19.1. Diluição
Como o sangue é dotado de poder bactericida, deve ser diluído no
meio para que não haja inibição do