BacteriologiaFiocruz
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Indicador de VM:
Vermelho de metila............................ 0,1 g
Álcool etílico 95°........................... 300 mL
 H2O destilada ............................. 200 mL
Gotejar no cultivo bacteriano: Resultado positivo - cor vermelha.
A prova de Voges-Proskauer (VP) se baseia no fato de certas bactérias
utilizarem glicose produzindo ácido pirúvico e que determinadas bactérias pro-
duzirão butileno-glicol, que é um produto de reação neutra. Antes, porém,
de chegar ao butileno-glicol, há formação de acetil-metil-carbinol (acetoína)
que em presença de KOH se converte a diacetil, e que, em 24 a 48 horas,
toma coloração vermelha. Para acelerar o processo, usa-se da ação catalítica do
a-naftol e da creatina.
Para 1mL da cultura, adicionar 0,6 mL da solução de a-naftol e 0,2 mL da
solução de KOH. Agitar bem. Ler de 5 a 15 minutos: positivo - cor vermelha.
• Degradação do Citrato (ágar citrato seg. Simmons)
Algumas bactérias podem obter energia utilizando citrato como única
fonte de carbono. A prova é verificada pela produção de produtos alcalinos.
As bactérias que utilizam citrato retiram N2 de sais de amônio, alcalinizando o
meio e produzindo NH4OH. O indicador azul de bromotimol fica azul em
pH acima de 7,6. Positivo - cor azul.
• Descarboxilação da Lisina (meio de LDS, meio LIA, meio MILI)
O meio ajustado pH em 5,6 apresenta cor amarela, devido ao indica-
dor púrpura de Bromocresol que atua como indicador de pH. Neste pH as
enterobactérias crescem escassamente. Porém, devido à formação de cadaverina
pela descarboxilação da lisina, o pH do meio se alcaliniza, dando melhores
condições de crescimento (pH 7,0). Este efeito promove uma viragem do
indicador que passa de amarelo para violeta (na parte profunda do tubo).
Positivo - cor violeta.
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Observação 1: Esta prova poderá ser usada com a arginina e a ornitina, com
resultados semelhantes.
Observação 2: O meio poderá ser adicionado de glicose e mantido com pH
neutro – a bactéria terá então que crescer, utilizar a glicose, gerando ácido,
para depois ocorrer o resto da reação. (neste caso, o meio não semeado
apresenta cor púrpura, como no resultado positivo).
• Degradação do malonato (caldo malonato-fenilalanina)
Capacidade de uma bactéria em utilizar malonato como única fonte de
carbono, alcalinizando o meio. O malonato liga-se competitivamente a
desidrogenase succinica, impedindo sua ação catalítica sobre o ácido succinio e
impossibilitando seu desdobramento em ácido fumárico. Há um acúmulo de
ácido succinio e uma interrupção do ciclo de Krebs, tirando da bactéria sua
principal fonte de energia e impedindo a formação de outros intermediários
necessários ao metabolismo.
Uma bactéria só cresce em malonato se puder utilizá-lo como única
fonte de carbono. Positivo - cor azul.
• Desaminação da fenilalanina (caldo malonato-fenilalanina)
Entre as enterobactérias, apenas o gênero Proteus e Providencia possu-
em a enzima capaz de desaminar a fenilalanina em ácido fenilpirúvico, que é
detectado pela adição de uma solução de cloreto férrico a 10% (FeCl3-12 g;
HCL-2,5 mL; H20 destilada-100 mL). Positivo - desenvolvimento de cor
verde, ao contato do FeCl com a superficie do meio cultivado.
Outras provas podem ser utilizadas, porém as provas descritas anterior-
mente são suficientes para uma identificação bastante precisa das enterobactérias.
Para identificação de espécies do gênero Vibrio, sugerimos colocar uma
concentração de NaCl de 1% nos meios, para permitir seu crescimento,
sendo que a prova do halofilismo (crescimento diante de diferentes concentra-
ções salinas), facilita bastante a identificação de algumas destas espécies.
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Para auxiliar na possível identificação do Staphylococcus aureus, ob-
serve a figura 39, onde há uma descrição das provas para esta espécie.
Essas provas estão explicadas no item 22.2.1.
21. Diagnóstico laboratorial nas infecções21. Diagnóstico laboratorial nas infecções21. Diagnóstico laboratorial nas infecções21. Diagnóstico laboratorial nas infecções21. Diagnóstico laboratorial nas infecções
bacterianas do sistema nerbacterianas do sistema nerbacterianas do sistema nerbacterianas do sistema nerbacterianas do sistema nervoso centalvoso centalvoso centalvoso centalvoso cental
O cérebro e o cordão espinhal são protegidos de pressões mecânicas
ou deformações por estarem contidos em compartimentos rígidos (crânio e
coluna vertebral) e também agem como barreiras na disseminação das infec-
ções. Os vasos sanguíneos e nervos que atravessam as paredes do crânio e da
coluna vertebral são as principais vias de invasão, sendo a invasão via corrente
sanguínea a mais comum.
21.1. Membranas que revestem o SNC
O cérebro e a medula são estruturas ocas e contêm o líquido céfalo-
raquidiano. São recobertas por 3 membranas (as meninges), denominadas
dura-máter, aracnoide e pia-máter.
21.2. Invasão do SNC
• Via corrente sanguínea
Passagem através da barreira hematoencefálica, provocando encefalite,
ou através da barreira hematoliquórica, produzindo meningite.
• Via nervos periféricos
Principalmente utilizada por vírus. Estes penetram nos nervos perifé-
ricos e migram para o SNC, alcançando as células gliais e os neurônios,
onde se multiplicam.
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21.3. Meningite asséptica e bacteriana
A meningite bacteriana, também conhecida como séptica, é um proces-
so inflamatório que envolve as meninges. Resulta da introdução de microrganis-
mos através de lesões penetrantes, infecções no crânio, extensão de um foco
primário de infecção via hematogênica durante, por exemplo, uma septicemia.
Nestes casos, o líquor se mostra com turvação característica.
As meningites assépticas geralmente são virais, mas podem ser também
causadas por leptospiras ou fungos. Nestas, o aspecto do líquor é límpido.
21.3.1. Principais agentes etiológicos bacterianos
associados às meningites
• Neisseria meningitidis - diplococo Gram-negativo, extra ou
intracelular, com cápsula polissacarídea;
• Haemophilus influenzae tipo B - cocobacilo, Gram-negativo,
capsulado, pleomórficos;
• Streptococcus pneumoniae - diplococos, Gram-positivos, capsulados.
No caso de imunocomprometidos, pode ocorrer também meningite por
Listeria monocitogenes, (cocobacilo Gram-positivo).
21.4. Diagnóstico laboratorial
O material de escolha é o líquor, e sua coleta é feita por punção
lombar. O volume total do líquor de um indivíduo adulto é de 80 a 150 mL,
e o material colhido de aproximadamente 10 mL. Este material é colhido em 3
tubos, o primeiro irá para bioquímica, o segundo para cultura e lâminas e o
terceiro para citologia total e específica.
O aspecto normal do líquor é límpido, semelhante à águas de rochas,
mas, em condições patológicas, pode apresentar anormalidades.
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No caso de retículo fibrinoso, o líquor se apresenta claro, porém, em
repouso, forma-se um retículo fibrinoso semelhante à teia de aranha. Pode
também apresentar-se opalescente ou turvo.
O transporte deste material e os procedimentos devem ser rápidos, porém
se o líquido não puder ser processado imediatamente, deverá ser mantido à tempe-
ratura ambiente ou em estufa, pois a refrigeração é letal para duas espécies que
comumente causam meningite: N.meningitidis e Haemophilus influenzae.
O líquor deve ser processado inicialmente pela centrifugação de 3 mil
rpm por 15 a 30 minutos, com o objetivo de concentrar os microrganismos.
Após este procedimento, um profissional capacitado deve realizar um exame
direto pelo método de Gram.
Uma coloração de Ziehl também é indicada, pois, nas preparações de
Gram, os fragmentos de muitas amostras clínicas adquirem coloração vermelha,
o que mascara os organismos em