Psicanalise
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Psicanalise


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por causas externas. 
Quando a ansiedade é despertada, ela motiva a pessoa a 
fazer algo. Ela pode fugir da região ameaçadora, inibir o 
impulso perigoso ou obedecer à voz da consciência. 
A ansiedade que não pode ser manejada com medidas 
efetivas é chamada de traumática. Ela reduz a pessoa a 
um estado de desamparo infantil. De fato, o protótipo de 
toda ansiedade posterior é o trauma do nascimento. O 
neonato é bombardeado com estímulos do mundo para 
os quais não está preparado e aos quais não consegue se 
adaptar. O bebê precisa de um ambiente protegido até o 
ego ter tido a chance de se desenvolver a ponto de 
conseguir dominar os fortes estímulos do ambiente. 
Quando o ego não consegue lidar com a ansiedade por 
métodos racionais, ele tende recorrer a métodos 
irrealistas. Esses métodos são os chamados mecanismos 
de defesa do ego, que serão discutidos na seção seguinte. 
 
O DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE 
 
Freud foi provavelmente o primeiro teórico da 
psicologia a enfatizar os aspectos desenvolvimentais da 
personalidade e em particular o papel decisivo dos 
primeiros anos do período de bebê e da infância como 
formadores da estrutura de caráter básica da pessoa. Na 
verdade, Freud considerava que a personalidade já estava 
muito bem formada pelo final do quinto ano de vida e 
que o desenvolvimento subsequente era praticamente só 
a elaboração dessa estrutura básica. Ele chegou a essa 
conclusão com base em suas experiências com pacientes 
que se submetiam à psicanálise. Inevitavelmente, suas 
explorações mentais os levavam de volta a experiências 
da infância inicial que pareciam decisivas para o 
desenvolvimento de uma neurose mais tarde na vida. 
Freud acreditava que \u201ca criança é o pai do homem\u201d. É 
interessante, em vista de sua forte preferência por 
explicações genéticas do comportamento adulto, que 
Freud raramente tenha estudado as crianças pequenas 
HALL, LINDZEY & CAMPBELL 
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diretamente. Ele preferia reconstruir a vida passada da 
pessoa a partir de evidências fornecidas por lembranças 
adultas. 
A personalidade se desenvolve em resposta a quatro 
fontes importantes de tensão: (1) processos de 
crescimento fisiológico, (2) frustrações, (3) conflitos e (4) 
ameaças. Como uma consequência direta de aumentos 
de tensão emanando dessas fontes, a pessoa é forçada a 
aprender novos métodos de reduzir a tensão. Tal 
aprendizagem é o que seria o desenvolvimento da 
personalidade. (Para uma lúcida discussão da teoria de 
Freud da aprendizagem, ver Hilgard & Bower, 1975.) 
A identificação e o deslocamento são dois métodos 
pelos quais o indivíduo aprende a resolver as frustrações, 
os conflitos e as ansiedades. 
 
Identificação 
 
O conceito de identificação foi introduzido em uma 
seção anterior para ajudar a explicar a formação do ego e 
do superego. No presente contexto, a identificação pode 
ser definida como o método pelo qual alguém assume as 
características de outra pessoa e torna-as uma parte 
integrante de sua personalidade. Ela aprende a reduzir a 
tensão modelando o próprio comportamento segundo o 
de outra pessoa. Freud preferia o termo identificação ao 
termo imitação, mais familiar. Ele achava que imitação 
denota uma espécie de comportamento de copiar 
superficial e temporário, e queria uma palavra que 
transmitisse a ideia de uma aquisição mais ou menos 
permanente da personalidade. 
Nós escolhemos como modelos aqueles indivíduos 
que nos parecem mais bem-sucedidos do que nós na 
gratificação das próprias necessidades. A criança se 
identifica com os pais porque eles parecem ser 
onipotentes, pelo menos durante os anos da infância 
inicial. À medida que as crianças crescem, encontram 
outras pessoas com as quais se identificar, pessoas cujas 
realizações estão mais de acordo com seus atuais desejos. 
Cada período tende a ter suas figuras de identificação 
características. Nem é preciso dizer que a maioria dessas 
identificações ocorre inconscientemente e não, como 
pode parecer, com intenção consciente. 
Não é necessário que uma pessoa se identifique com 
outra em todos os aspectos. Geralmente selecionamos e 
incorporamos apenas aquelas características que 
acreditamos que vão nos ajudar a atingir um objetivo 
desejado. Existe muita tentativa e erro no processo de 
identificação, porque geralmente não temos certeza do 
que existe na outra pessoa que explica o seu sucesso. O 
teste supremo é se a identificação ajuda a reduzir a 
tensão; se ajuda, aquela qualidade é absorvida; se não 
ajuda, ela é descartada. Podemos identificar-nos com 
animais, personagens imaginários, instituições, ideias 
abstratas e objetos inanimados, assim como com outros 
seres humanos. A identificação também é um método 
pelo qual podemos recuperar um objeto que foi perdido. 
Quando nos identificamos com uma pessoa amada que 
morreu ou de quem nos separamos, a pessoa perdida é 
reencarnada como uma característica incorporada da 
personalidade. As crianças que foram rejeitadas pelos pais 
tendem a formar sólidas identificações com eles na 
esperança de recuperar seu amor. Também podemos nos 
identificar com alguém por medo. A criança se identifica 
com as proibições dos pais a fim de evitar o castigo. Esse 
tipo de identificação é a base para a formação do 
superego. 
A estrutura final da personalidade representa um 
acúmulo de numerosas identificações feitas em vários 
períodos da vida da pessoa, embora a mãe e o pai 
provavelmente sejam as figuras de identificação mais 
fortes na vida de qualquer pessoa. 
 
Deslocamento 
 
Quando uma escolha de objeto original de um instinto 
se toma inacessível por barreiras externas ou internas 
(anticatexias), uma nova catexia se forma, a menos que 
ocorra uma forte repressão. Se essa nova catexia também 
é bloqueada, ocorre um outro deslocamento, e assim por 
diante, até ser encontrado um objeto que traga certo 
alívio para a tensão encurralada. Esse objeto é então 
catexizado até perder seu poder de reduzir a tensão, 
momento em que é instituída outra busca por um objeto 
apropriado. Durante toda a série de deslocamentos que 
constitui, em grande medida, o desenvolvimento da 
personalidade, a fonte e a meta do instinto permanecem 
constantes. É só o objeto que varia. 
Um objeto substituto raramente é tão satisfatório ou 
redutor de tensão quanto o objeto original, e quanto mais 
diferente for o objeto substituto do original, menos a 
tensão é reduzida. Em consequência de numerosos 
deslocamentos, vai-se acumulando uma grande tensão, 
que age como uma permanente força motivacional para 
o comportamento. A pessoa está constantemente 
buscando maneiras novas e melhores de reduzir a tensão. 
Isso explica a variabilidade e a diversidade do 
comportamento, assim como a inquietude humana. Por 
outro lado, a personalidade realmente se torna mais ou 
menos estabilizada com a idade, devido aos 
compromissos feitos entre as forças pulsionais dos 
instintos e as resistências do ego e do superego. 
Como escrevemos alhures: 
HALL, LINDZEY & CAMPBELL 
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\u201cOs interesses, os apegos e todas as outras formas de 
motivos adquiridas persistem porque são até certo grau 
frustrantes, assim como satisfatórios. Eles persistem 
porque não produzem uma satisfação completa. . . Todo 
compromisso é ao mesmo tempo uma renúncia. A 
pessoa desiste de alguma coisa que realmente quer, mas 
não pode ter, e aceita uma segunda ou terceira melhor 
escolha que pode ter\u201d (Hall, 1954, p. 104) 
Freud salientou que o desenvolvimento da civilização 
foi possível devido à inibição das escolhas objetais 
primitivas e ao desvio