Bens Jurídicos - COMPLETO (SEGUNDO SEM.)
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Bens Jurídicos - COMPLETO (SEGUNDO SEM.)


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ATENÇÃO: em regra, o acessório integra o principal. Sendo a existência do principal nula, o acessório também o será. 
São bens acessórios: 
- frutos: utilidades que o bem produz periodicamente, mantendo intacta a substância do bem que as geram, podendo ser:
	Naturais: produzidos naturalmente por força orgânica da coisa (natureza). Ex.: 			das árvores, ovos de animais, lã etc.;
	Industriais: produzidos pelo engenho humano, por exemplo: produção de uma 			fábrica;
Civis: rendimentos gerados pelo uso da coisa ou por outrem, que não o seu proprietário. Ex.: juros e aluguéis.
Quando ao estado, os frutos podem ser: 
		Pendentes: quando unidos ainda a coisa que os produziu.
Percebidos ou colhidos: depois de separados da coisa que os produziu. Sendo estantes os armazenados ou acondicionados para a venda; percipiendos os que deveriam ter sido colhidos e não foram; consumidos os que não existem mais porque foram utilizados. (Arts. 1214 e ss, CC)
	- produtos: são as utilidades que se tiram da coisa, diminuindo-lhe a quantidade. Ex.: pedras de uma pedreira, metais das minas, água dos lençóis, petróleo dos postos etc.
Art. 95, CC: apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objetos de negócio jurídico.
	- pertenças: Art. 93, CC: são pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento do outro. Ex.: tratores para uma produção, decoração de uma casa, rádio de um carro. 
CUIDADO: Art. 94, CC: os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se ao contrário resultar da lei, da manifestação da vontade ou das circunstâncias do caso.
Isto é, ao vender um automóvel, o negócio jurídico não diz respeito a venda conjunta do jogo de rodas, sistema de som e outros bens acessórios do veículo, salvo disposições da lei.
	- acessões: são aumentos de valor ou do volume da propriedade em razão de forças externas, fatos eventuais ou fortuitos. Ex.: aluvião, avulsão etc.
	 - benfeitorias: obras que se fazem em um bem, dividindo-se em: 
		Necessárias: as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore;
		Úteis: as que aumentam ou facilitam o uso do bem;
Voluptuárias: as de mero agrado ou distração, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o torne mais agradável ou sejam de elevado valor.
BENS QUANTO AO TITULAR DO DOMÍNIO: a presente classificação leva em consideração quem é o titular do bem.
Bens Particulares: são os bens que não pertencem às pessoas jurídicas de Direito Público Interno, pertencendo, então, em regra, às pessoas naturais ou jurídicas de Direito Privado.
Art. 98, CC: são públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de Direito Público Interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencem.
Res Nullius: são as coisas que não pertencem a ninguém, coisas sem dono. Ex.: animais selvagens, peixes do mar etc. 
ATENÇÃO: os bens imóveis nunca serão res nullius.
Bens Públicos: são os bens que pertencem a uma entidade de Direito Público Interno, sejam a União, estados-membros, Distrito Federal, Territórios, Autarquias, Municípios etc.
	Classificação bens públicos:
	- bens de uso comum: bens que se destinam ao uso comum do público em geral, podendo ser utilizado, em regra, sem restrições, por todas as pessoas sem necessidade de permissão especial. Ex.: praças, parques, ruas, jardins etc. ATENÇÃO: não perdem a característica se eventualmente forem cobrados pelo uso, como pedágios, passes de entrada ou mesmo se for restringida a entrada por questões de segurança nacional.
	- bens de uso especial: são os bens utilizados pelo próprio poder público para execução da função pública. Ex.: as repartições públicas, os prédio e escolas públicas, ministérios, prédio da Justiça etc. Tratam-se de bens públicos que não podem ser utilizados por toda a sociedade, apenas para os que possuem legitimidade para tal ação.
	- bens dominicais: bens móveis ou imóveis que constituem o patrimônio disponível das pessoas jurídicas de Direito Público, abrangendo:	 
Terras devolutas: terras que, embora não destinadas ao uso público (uso comum) encontram-se ainda sob domínio do Poder Público;
Outros bens considerados dominicais: estradas de ferro, títulos de dívida pública, rios públicos navegáveis, jazidas de minérios, terras indígenas, sítios arqueológicos etc.
Os bens de uso comum do povo e de uso especial são bens do domínio público do Estado, já os dominicais são de domínio privado do Estado, contudo, os bens dominicais podem, por determinação legal, ser convertidos em bens públicos de uso comum ou especial através do ato de \u201cafetação\u201d.
	Características dos bens públicos:
Inalienabilidade: é a característica original do bem público que restringe de forma efetiva a possibilidade de sua alienação (venda, doação ou troca), desde que de uso comum do povo ou uso especial enquanto estiverem sob afetação pública. Essa característica não se apresenta de modo absoluto, ou seja pode ser mudada mediante lei,
Art. 100, CC: os bens públicos de uso comum e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservam a sua classificação, na forma que a lei determinar.
Art. 101, CC: os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
Imprescritibilidade (usucapião): decorre como consequência óbvia de sua inalienabilidade originária. Ex.: se os bens públicos são originalmente inalienáveis, segue-se que ninguém pode adquirir enquanto guardarem essa condição. Daí não ser possível a invocação de usucapião sobre eles. Proibição constitucional e legal.
Art. 183, CF parágrafo 3°: os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
Art. 102, CC: os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
Impenhorabilidade: os bens públicos não estão sujeitos a serem utilizados para satisfação do credor na hipótese de não cumprimento da obrigação, por parte do Poder Público.
Não Oneração: impossibilidade dos bens públicos serem objeto de hipoteca.
Bens fora do comércio: são bens cuja característica os torna fora do comércio, ou seja, bens que não podem ser transferidos, subdividindo-se em:
	- insuscetíveis de apropriação: são bens de uso inexaurível (inesgotável), também chamados de coisas comuns. Ex.: água do alto-mar, luz solar, ar que respiramos (não em cilindro) etc.
	- personalíssimos: vida, honra, liberdade, nome, o próprio corpo etc. (São, em regra, fora do comércio, porém há exceções se for benéfico, não vitalício, oneroso e outras características em relação ao indivíduo.)
	- legalmente inalienáveis: bens que, apesar de essencialmente sujeito à apropriação, a legislação exclui a sua comercialização para atender interesses econômicos, sociais, proteção das pessoas etc. Ex.: bens públicos, bens das fundações, terras ocupadas pelos índios, bens gravados com cláusula de inalienabilidade etc.
O BEM DE FAMÍLIA: o bem de família pode ser caracterizado como voluntário (Art. 1711, CC) ou legal (Lei nº. 8009/90).
Bens de família Voluntário: é o bem instituído por ato de vontade do casal, entidade familiar ou terceiro, mediante registro público.
Bens de família Legal: traduz a impenhorabilidade do imóvel residencial próprio do casal ou da entidade familiar, isentando-o de dívidas civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de qualquer natureza, contraídas pelos conjugues ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, ressalvadas as hipóteses previstas em lei.