411-Manual_de_Economia (2)
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novas unidades até
o ponto em que o valor acrescido por esta incorporação iguale o dispêndio (mais o custo de
oportunidade) com a mesma.
Há, porém, uma outra forma de apresentar o mesmo resultado que é mais geral. E isto no
sentido de que não são as unidades de insumo propriamente que nos interessam tomar como referência,
mas as unidades de produto. Ou, para ser mais claro e voltando ao nosso exemplo acima: imaginemos
que o mercado de trabalho se organize de tal forma que permita a contratação de trabalhadores por
tempo determinado, e em regime parcial. Neste caso, as contratações vão ocorrer até o momento em
que o custo de produção de mais uma unidade de produto final (o fardo de fumo) igualar a receita
esperada pela venda deste mesmo fardo. Em termos algébricos a condição de equilíbrio toma a
seguinte forma:
2)
Que, na verdade, é uma outra forma de expressar a mesma idéia. Afinal, \u201dCT é igual a \u201dCVT,
pois os custos fixos, por definição, não variam. E \u201dCVT/\u201dq não é mais do que o dispêndio adicional de
salário necessário à produção de mais uma unidade do bem \u201cq\u201d. E como a taxa de salário é dada, a
variação dos salários só pode estar expressando uma variação na quantidade de MdeO contratadaDe
forma que, de acordo com o nosso exemplo, a equação (2) acima se transforma em:
3)
De forma que:
4)
O que nos remete, para a equação (1) novamente. Vale dizer: a firma vai ampliar a produção
até o ponto em que o custo de produzir mais uma unidade iguale a receita gerada pela venda da
mesma. O que é, rigorosamente, o mesmo que dizer que firma vai ampliar a produção até o ponto em
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que o dispêndio com a contratação de mais uma unidade de trabalho (ou de outro insumo qualquer)
iguale o valor do produto marginal do trabalho (ou dos demais insumos). E isto exatamente porque
seu objetivo é maximizar lucro (ou, minimizar prejuízos, se estes se mostrarem inevitáveis). O que é
conquistado, em concorrência perfeita, quando o crescimento dos custos torna-se maior do que o
crescimento da receita quando se produz e vende mais uma unidade de um bem qualquer.
Gráfico 5
Gráfico 6
5.3 ALGUMAS DERIVAÇÕES DA TEORIA DO EQUILÍBRIO DA FIRMA EM CONCORRÊNCIA PERFEITA
A primeira e mais importante derivação da teoria do equilíbrio da firma em concorrência
perfeita é que, no curto prazo, a função custo marginal corresponde à função oferta da firma. Esta
assertiva fica clara quando se entende que a função oferta de um produtor qualquer não é outra coisa
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do que as quantidades que ele estaria disposto a produzir e a ofertar aos diversos preços possíveis do
bem. Ora, em concorrência perfeita, o preço do bem é a receita marginal do produtor. E se a RMg
cai, a quantidade ofertada vai cair até o ponto em a produtividade dos insumos variáveis se eleve o
suficiente para que o custo marginal sofra uma depressão suficiente para se igualar à nova RMg.
A segunda derivação da teoria do equilíbrio da firma em concorrência perfeita é que, dadas
todas as demais condições, os insumos variáveis serão tão mais demandados e incorporados pelos
produtores quanto menor o seu preço. No exemplo acima, com a queda da taxa de salário de $80
para $50, o número de trabalhadores contratados passou de 17 para 19, ao mesmo tempo em que os
lucros passavam de $640 para $1170. Esta derivação teórica é fonte de controvérsias e merece um
pouco de atenção da nossa parte.
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que esta conclusão está assentada na pressuposição
de que a variação das taxas de salário não tenham qualquer influência sobre a função demanda - e,
por conseqüência, sobre os preços e a RMg \u2013 com a(s) qual(is) se depara(m) a(s) firma(s) em
concorrência perfeita. O que não é uma hipótese trivial. Na verdade, tal como procuraremos
demonstrar mais adiante, este padrão competitivo é característico apenas da agropecuária, que produz
essencialmente alimentos consumidos pelos trabalhadores. Além disso, tal como o nosso exemplo já
explicita, não há qualquer razão para supor que a queda da taxa de salário \u2013 mesmo que estimule a
contratação de um número maior de trabalhadores \u2013 vá levar a um aumento da massa de salários. O
efeito líquido, em termos de massa salarial114, pode ser perverso para a classe trabalhadora como um
todo, levando ao aprofundamento da concentração da renda. Por fim, é preciso ter claro que só em
concorrência perfeita (e, mesmo assim, sob a hipótese restritiva de que a função demanda de mercado
não se alterará) existe uma relação inversa claramente definida entre emprego e taxa de salário. Nos
demais padrões de organização de mercado \u2013 que caracterizam as atividades industriais \u2013 esta relação
é, para dizer o mínimo, ambígua115.
Feitas estas importantes ressalvas, contudo, é preciso reconhecer a consistência do modelo.
Assim, se a demanda por bens produzidos em condições de concorrência perfeita for externa, não se
deixando afetar por uma eventual queda da taxa de salário nacional ou regional, um tal movimento
deve induzir a uma elevação do nível de emprego, mesmo que não induza necessariamente a uma
melhoria das condições de vida da população trabalhadora em geral ou a qualquer melhora na
distribuição da renda.
Por fim, a terceira e última derivação da teoria do equilíbrio da firma em concorrência
perfeita usualmente difundida nos livros-texto de Microeconomia não passa, do nosso ponto de vista,
114 A massa salarial é a taxa de salário multiplicada pelo número de trabalhadores contratados. No nosso exemplo, a massa
salarial cai de $ 1360 = $ 80 x 17, para $ 950 = 19 x 50.
115 Voltaremos a este ponto nos próximos capítulos.
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de uma falácia ideológica. Trata-se da pretensão de que, nesta estrutura de mercado, o trabalhador
receberia o equivalente à sua produção, uma vez que a própria condição de equilíbrio é que o valor
do produto do último trabalhador contratado é igual ao seu salário. Esta derivação é falaciosa e
ideológica em mais de um sentido. Em primeiro lugar, porque o fato do último trabalhador receber o
valor de sua contribuição, não significa que o conjunto dos trabalhadores recebe o valor de sua
contribuição. Pelo contrário: existe lucro justamente porque apenas o último contratado recebe
o valor de sua contribuição. Como se isto não bastasse, a construção é falaciosa na medida em que
sequer o último recebe, rigorosamente, todo o valor considerado como \u201csalário despendido\u201d, pois,
neste montante está incluído o juro sobre o capital de giro. A inobservância destas obviedades
determinou a construção de uma falsa polêmica, cujos ecos ainda perduram em alguns livros-texto.
Mas não há o que polemizar. A teoria neoclássica é rigorosamente correta ao afirmar que, em
concorrência perfeita, o último insumo incorporado recebe o valor de sua contribuição (descontado
o juro sobre o capital de giro). Mas \u2013 ao contrário do que já se pretendeu \u2013 daí não se pode derivar
absolutamente nada a respeito do caráter explorador e injusto ou harmonioso e justo das relações
capitalistas de produção.
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Capítulo 6 - Formação de Preços em Concorrência Imperfeita
O economista teórico \u2013 ainda que sua atitude normalmente
indique o contrário \u2013 sente uma tremenda sensação de vergonha em
presença do homem de negócios. E quando tenta abordar algum
problema candente ... se vê submetido ... à rresistível tentação de, ou ou
bem incluir em sua lista todas as hipóteses que contribuem para uma
maior aproximação à realidade, mas que convertem o problema
em insolúvel com as técnicas disponíveis, ou bem circunscrever o problema
aos limites que permitem resolvê-lo, dissimulando as hipóteses
utilizadas no nevoeiro das notas de pé de página, onde espera
que ninguém se aperceba de sua existência.
Joan Robinson, Economia da Concorrência Imperfeita
6.1 INTRODUÇÃO
No capítulo anterior vimos como se determinava o equilíbrio em um mercado de
concorrência perfeita. Neste tipo de mercado, a firma pode