humanizacao_parto
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de subsidiar o governo daquele país em suas políticas públicas, concluiu 
que não existem diferenças nos resultados em relação aos modelos assistenciais liderados por 
parteiras (Midwives), em centros de parto ou no domicílio, comparados com a assistência 
obstétrica padrão em hospitais, para mulheres de baixo risco (MCINTYRE, 2012). 
Não se pode esquecer que o fato de a mulher se sentir em um ambiente familiar, 
emocionalmente seguro e agradável, cercada por parentes e amigos, pode trazer influências 
psicologicamente positivas e desse modo contribuir para que o parto transcorra de 
maneira satisfatória, com menos complicações e intervenções. No Brasil, devido à cultura 
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do parto hospitalar, tal opção talvez esteja restrita a algumas mulheres e profissionais com 
características peculiares que assim o desejarem. 
Aqueles que optarem por parto domiciliar devem se cercar de todos os cuidados de 
segurança necessários: critérios estritos de seleção, ambiente higienicamente adequado, 
material e equipamentos mínimos necessários para alguma intervenção, hospital de 
referência facilmente acessível, equipe assistencial qualificada e capaz de detectar 
precocemente as complicações e transporte rápido em caso de necessidade.
Outra opção existente quanto ao local do nascimento é o centro de nascimento, ou centro de 
parto normal, ligado a um hospital (intra-hospitalar ou peri-hospitalar) ou independente, 
mas com referência (extra-hospitalar). Nos centros de parto, mulheres de risco habitual 
podem vivenciar o processo de nascimento em uma atmosfera semelhante ao domicílio, com 
assistência obstétrica no nível primário, geralmente assistidas por obstetrizes ou enfermeiras 
obstetras. Nesses locais, as mulheres têm a opção da presença de familiares, assim como 
a liberdade para adotarem a posição que desejarem durante o trabalho de parto e no 
parto, além de dar à luz na mesma cama em que estiveram durante toda a internação. 
Os critérios de seleção de parturientes devem permitir somente a admissão de mulheres 
que tenham baixo risco de complicações. 
Mais uma vez muito se discute quanto à segurança. Um relatório extenso sobre a assistência 
em centros de nascimento fora de hospitais nos Estados Unidos descreveu os resultados de 
84 centros no país, totalizando 11.814 mulheres admitidas para trabalho de parto e para 
o parto. Destas, 7,9% tiveram complicações e 15,8% foram transferidas para hospitais. A 
mortalidade perinatal intraparto e neonatal foi de 1,3 por mil nascimentos. As taxas de 
mortalidade neonatal e baixos índices de Apgar foram semelhantes àquelas relatadas 
em estudos de partos hospitalares de baixo risco. Os autores concluíram que os centros de 
nascimento oferecem uma alternativa segura e aceitável para gestantes selecionadas, 
particularmente para aquelas que já tiveram filhos (ROOKS et al, 1989). Para alguns o 
ideal seria a localização de tais centros de nascimento em alas separadas dos hospitais, onde 
bons resultados têm sido relatados. Entre abril de 1992 e dezembro de 1994, uma equipe de 
médicos obstetras e enfermeiras obstetras certificadas assistiu 20.047 mulheres com gestações 
a termo de baixo risco em uma unidade separada de parto e nascimento no Parkland 
Hospital. A mortalidade perinatal corrigida foi de 0,2 por mil e a taxa de cesariana foi de 
4,7% (CUNNINGHAM et al., 1996). Em uma metanálise de cinco estudos randomizados 
ou quase-randomizados que comparou a assistência oferecida em ambientes alternativos 
intra-hospitalares com a assistência institucional convencional, envolvendo 10.684 mulheres, 
os resultados encontrados foram: menores taxas de analgesia/anestesia intraparto, aumento 
nas taxas de parto vaginal espontâneo e de aleitamento materno com 6 a 8 semanas e 
visões muito positivas a respeito do cuidado recebido. Também houve redução do uso de 
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estimulação com ocitocina e episiotomia. Não houve nenhuma diferença em termos de 
mortalidade ou morbidade materna ou perinatal, outros resultados neonatais adversos 
ou hemorragia pós-parto (HODNETT et al., 2012a).
O mesmo estudo já citado, realizado na Inglaterra, envolvendo cerca de 65 mil mulheres, 
concluiu que para mulheres de baixo risco que planejaram o parto em centros de nascimento 
intra ou extra-hospitalares, não há diferenças em termos de resultados perinatais adversos 
quando comparadas a mulheres de baixo risco que planejaram o parto em unidades 
obstétricas. Concluiu-se, também, que os principais benefícios associados com o parto 
planejado em casa ou nos centros de parto incluem menos intervenções, uma substancial 
redução na incidência de cesariana intraparto e uma maior probabilidade de um parto 
normal (HOllOWEll, 2011).
O parto no ambiente hospitalar, que deverá continuar sendo a opção para a maioria 
das mulheres e seus assistentes, também pode oferecer alternativas que favoreçam uma 
assistência centrada na família com o mínimo de intervenções. Tal opção pode oferecer 
uma solução para o conflito, às vezes existente, entre uma concepção mais humanista 
de assistência e as questões de segurança. O ambiente deve ser agradável e oferecer à 
mulher uma sensação de apoio e aconchego que a permita vivenciar o momento do 
nascimento como uma experiência prazerosa. locais aprazíveis onde a mulher possa ter 
mais liberdade de movimentação e contato com a sua família devem fazer parte do espaço 
das maternidades, tais como pequenos jardins ou salas com decoração que traduza calma 
e serenidade. O conceito de unidades pré-parto, parto e puerpério (unidades PPP) deve 
ser adotado, pois oferece à mulher assistência integral desde o momento da admissão, 
sem a necessária mudança para ambientes diferentes nos diversos momentos do parto 
(SOCIETY OF OBSTETRICIANS..., 1998). Existem várias camas que oferecem a opção de 
várias posições nos diferentes estágios do trabalho de parto e do parto e promovem a 
oportunidade de baixo nível de intervenção, além de cuidados individualizados. Também 
é possível que algumas intervenções emergenciais sejam realizadas nessas camas especiais. 
O \u201cvelho Centro Cirúrgico e Obstétrico\u201d deve ser limitado apenas para a realização de 
cesarianas ou partos mais complicados, tais como pélvicos, gemelaridade, indicação de 
fórceps etc. Uma assistência baseada nessa filosofia pode aumentar o grau de satisfação 
dos usuários quanto à assistência oferecida no ambiente hospitalar sem prejuízo das 
questões de segurança.
Tendo em vista as diversas opções existentes quanto ao local do nascimento, é necessário 
que as mulheres e suas famílias sejam informadas adequadamente sobre tais possibilidades, 
assim como os riscos e benefícios de cada uma delas. Cabe aos profissionais responsáveis pela 
assistência oferecerem essas informações sem preconceitos, para que as usuárias possam 
fazer uma opção livre e consciente. Obviamente, as preferências e visões do assistente 
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também devem ser levadas em consideração, para que a escolha do local de nascimento 
ocorra em uma situação de confiança mútua, que seja prazerosa e com o máximo de 
satisfação para todos os envolvidos.
Assistência no primeiro estágio do parto
Dieta
A prática comum de se proibir a ingestão de alimentos líquidos ou sólidos no trabalho de 
parto deve-se ao medo de aspiração de conteúdo estomacal durante uma anestesia. O 
risco, entretanto, está associado à anestesia geral, em mulheres de risco habitual. Baseado 
na necessidade de manter uma hidratação e um aporte calórico adequado à mulher 
durante o parto, assim como oferecer conforto e bem-estar, a permissão para a mulher 
ingerir alimentos leves ou fluidos durante o trabalho de parto não aumenta a incidência 
de complicações (SCHEEPERS; ESSED; BROUNS, 1998; SCRUTTON et al., 1999; SINGATA; 
TRANMER; GYTE, 2012). 
Enema
O enema evacuante de rotina no início