humanizacao_parto
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de uma oferta dirigida aos sujeitos que constroem o Sistema Único de Saúde, 
publicação da PNH em consonância com suas apostas ético-políticas pelo direito à saúde 
de todos(as) e qualquer um(uma).
Cadernos HumanizaSUS
A
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ig
o
Cátia Paranhos Martins1
Célia Adriana Nicolotti2
Michele de Freitas Faria de vasconcelos3
Renata Adjuto de Melo4
Histórico do 
Modelo de 
Atenção ao Parto e 
Nascimento com que Trabalhamos
Humanização do Parto e Nascimento: pela Gestação de 
Formas de Vida das quais Possamos ser Protagonistas
Humanization of Labour and Birth: the Pregnancy Forms of 
Life Which Might be Actors
Bloco 1
Cadernos HumanizaSUS
10
1 Graduação em Psicologia 
(Unesp/Assis), doutoranda 
em Psicologia (Unesp/
Assis). De 2010 a julho 
de 2013, foi consultora 
da Política Nacional 
de Humanização. 
Atualmente, é professora 
de Psicologia da 
Universidade Federal 
da Grande Dourados 
(UFGD), em Mato Grosso 
do Sul.
2 Graduação em 
fonoaudiologia (Univali/
SC), mestrado em 
Saúde Pública (UFSC). 
De 2012 a julho de 
2013, foi consultora 
da Política Nacional 
de Humanização. 
Atualmente, é apoiadora 
local para o Projeto 
qualiSUS-Rede (região 
metropolitana de 
Florianópolis/SC) e 
consultora da área 
Técnica da Saúde da 
Mulher (MS).
3 Graduação em 
Psicologia (UFS), 
mestrado em Saúde 
Coletiva (ISC/UFBA), 
doutorado em Educação 
(UFRGS). Consultora 
da Política Nacional de 
Humanização (MS).
4 Graduação em 
Nutrição (UnB/DF). 
Servidora pública na 
Política Nacional de 
Humanização (MS).
A Política Nacional de Humanização da atenção e da gestão no SUS (PNH) foi criada em 
2003, a partir de uma preocupação metodológica: como fazer, que percursos trilhar, que 
trajetos percorrer, de que modo caminhar para interferir em problemas e desafios postos 
pelo cotidiano do trabalho em saúde de forma a garantir a efetivação dos princípios e 
diretrizes do SUS preconizados em sua base jurídico-legal? Como intervir em certos modos 
de conceber, organizar e realizar os processos de trabalho em saúde (modos hierarquizados 
e autoritários de gestão; formas verticalizadas de comunicação; relações de trabalho 
precarizadas; tratamentos invasivos e desrespeitosos; procedimentos que alijam as pessoas 
de suas redes sociofamiliares; ações \u2018terapêuticas\u2019 que focam na doença e em sua extirpação, 
sem levar em consideração o sujeito, suas condições, necessidades e projetos de vida, sua 
rede de relações sociais, seu porvir; sucateamento dos serviços de saúde; recorrente falta de 
insumos importantes para a realização das ações; degradação dos ambientes de trabalho; 
acesso organizado por meio de longas filas de espera; precária articulação entre serviços de 
saúde e entre estes e os de outros setores como assistência social, educação...), modos estes 
entendidos como \u201cdesumanizadores\u201d, na medida em que são incoerentes com o direito à 
saúde de todos(as) e de qualquer um(a) brasileiro(a) e com a garantia de acesso universal 
e equitativo a ações integrais em saúde? Como compor vias para a operacionalização 
de ações integrais? Como intervir, analisar, produzir mudanças em processos de trabalho, 
qualificando atenção e gestão no SUS? 
Na tentativa de produzir orientações gerais para uma política que se tece justamente 
engajada com a tarefa de criar e experimentar modos de fazer para produzir modificações 
de práticas de saúde e qualificar atenção e gestão no SUS, a PNH realizou \u2013 e continua 
realizando, garantindo-se, assim, sua atualização \u2013 uma cartografia de experiências do 
\u201cSUS que dá certo\u201d. Para isso, levou-se \u2013 e ainda se leva \u2013 em consideração experiências 
produzidas por todo território brasileiro. A partir dessa cartografia, ou seja, da articulação 
de um movimento de seguir processos potentes de produção de saúde em curso e de 
experimentar as indicações tracejadas por meio desse acompanhamento, foram construídos: 
seu método propriamente dito bem como seus princípios (indissociabilidade entre atenção 
e gestão; transversalidade como ampliação do gradiente de comunicação para além de 
corporativismos e hierarquias; e fomento ao protagonismo de sujeitos e coletivos), suas 
diretrizes e dispositivos (BRASIl, 2008).
Dessa forma, a aposta realizada pela PNH é a de que, para fomentar ações integrais em 
saúde, é preciso pensar meios para conferir materialidade às diretrizes da cogestão, do 
acolhimento, da clínica ampliada e da valorização do trabalho e do(a) trabalhador(a) em 
saúde, na medida em que ações integrais se referem a \u201cefeitos e repercussões de interações 
positivas entre usuários, profissionais e instituições, que são traduzidas em atitudes como 
tratamento digno e respeitoso, com qualidade, acolhimento e vínculo\u201d (BARROS, 2005, 
p. 132). Em outros termos, A PNH coaduna do entendimento da integralidade como 
Cadernos HumanizaSUS
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\u201cdispositivo político que interroga saberes e poderes instituídos, constrói práticas cotidianas 
nos espaços públicos em que os sujeitos estejam engendrando novos arranjos sociais e 
institucionais em saúde\u201d (GUIZARD; PINHEIRO, 2004, p. 21), embasados na articulação e 
no embate entre múltiplas vozes e produzidos em cogestão por meio do fomento a redes 
de coletivos. 
A partir do objetivo de produzir mudanças de práticas de saúde, qualificando modos de 
cuidado e modos de gerir no SUS; das indicações tracejadas pela cartografia de práticas do 
\u201cSUS que dá certo\u201d Brasil a fora; do entendimento da integralidade como a composição 
de redes de relações entre gestores(as), trabalhadores(as) e usuários(as) e entre estes(as), 
os serviços e as práticas desenvolvidas, a PNH define por humanização um certo modo 
de fazer inclusão traduzido pelo seu método: o método da tríplice inclusão. Ou seja, a 
humanização se efetiva pela inclusão \u2013 nos espaços de atenção, gestão e formação em 
saúde \u2013 dos sujeitos, dos coletivos e das perturbações (acrescidas de sua análise), estas 
últimas entendidas como efeitos que esse processo de inclusão produz. Em outros termos, 
humanização traduz-se em inclusão e, de forma subsequente, em produção de redes 
de coletivos articulados pela aposta no SUS. Assim, a humanização produz-se como um 
movimento institucional, político, ético e afetivo (entendendo afeto como efetivação de 
uma potência coletiva, uma força de composição que dá liga entre corpos) engajado com a 
tarefa de fazer viva a aposta coletiva no SUS, mediante participação e comprometimento 
dos sujeitos e coletivos com seu próprio processo de construção. 
Mas como operar o método da tríplice inclusão? Para qualificar atenção e gestão, para 
produzir redes de sujeitos e coletivos participantes e comprometidos com o processo de 
tessitura e fortalecimento do SUS, parece ser preciso criar espaços coletivos de análise e de 
intervenção no cotidiano das práticas de saúde, levando em consideração os saberes e os 
fazeres que ali se tecem, ofertando novos saberes e fazeres, ampliando a capacidade de 
manejo das equipes nas situações cotidianas, abrindo espaço, assim, para a tessitura de 
ações integrais em saúde.
A partir do entendimento da indissociação entre produção de saúde e produção de 
subjetividades protagonistas, na busca por vias de operar a tríplice inclusão e, assim, dar 
corpo a ações integrais, ao longo de seus dez anos de existência, a PNH tem apostado na 
estratégia metodológica do apoio institucional. Essa estratégia é posta coletivamente em 
exercício para análise, intervenção e organização dos processos de trabalho das equipes 
apoiadas (de secretarias estaduais, municipais, de serviços). Em outras palavras, seguindo a 
direção dada por Campos (2003), o apoio tem sido pensado e operado como uma função 
coletiva, um \u201cfazer com\u201d as equipes apoiadas, perseguindo a criação de grupalidade, 
criando linhas de negociação e planos de ação, lidando com a fragmentação intra e entre