Fundamentos de Historia do Direito - Antonio Carlos Wolkmer
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Fundamentos de Historia do Direito - Antonio Carlos Wolkmer


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Greece. Princeton: Princeton University Press, 1963. 
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Capítulo 4 
A INSTITUIÇÃO DA FAMÍLIA EM A CIDADE ANTIGA 
JENNY MAGNANI DE O. NOGUEIRA
1
 
 
SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. O culto e as antigas crenças. 3. A 
família antiga. 4. Conclusão. 5. Referências bibliográficas. 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A pretensão do presente Capítulo está assentada na necessidade do estudo das 
velhas crenças das sociedades antigas e suas implicações, para o conhecimento de suas 
instituições, no que tange às regras e princípios que norteavam a sociedade e a família na 
Antigüidade clássica. 
Incidirá este estudo, preponderantemente, na análise dos costumes gregos e 
romanos, seguindo a orientação de Fustel de Coulanges em sua obra A cidade antiga. 
Para o conhecimento da família naquele período, seguindo a linha de pensamento 
preconizada, irá se identificar as diferenças proeminentes entre esses povos e a civilização 
moderna decorrentes de fundamentação religiosa diversa. 
O objetivo é demonstrar como a sociedade era conduzida quanto à família, 
constituição, hierarquia, principalmente sua importância e ascendência, verificando-se as 
razões de sua transformação e, mesmo, o decaimento de seu significado na condução da 
sociedade humana que lhe sucedeu. 
A família romana e grega, por semelhança, traduzia o tipo de uma organização 
política cujo princípio básico era a autoridade, e esta abrangia todos quantos a ela estavam 
submetidos. O pater familias era, ao mesmo tempo, chefe político, sacerdote e juiz, 
constituindo-se, assim, a família como a unidade da sociedade antiga, em contraposição à 
posição do indivíduo na sociedade moderna. 
Fustel de Coulanges baseia a sua análise no reconhecimento de que as instituições 
antigas eram conseqüência de suas crenças religiosas que as marcaram fortemente. 
 
1
 Professora Universitária na Universidade do Vale do Itajaí (SC). Mestre em Direito pelo Curso de Pós-
Graduação da UFSC. 
Evidentemente, esses princípios decorrentes das concepções adotadas tomaram-se 
anacrônicos no decorrer da história. Entretanto, para uma análise rigorosa, deve-se estudá-las, 
sobretudo as instituições decorrentes das concepções que tinham da vida, do mal, do princípio 
divino, oriundas de suas crenças, para um entendimento conveniente do sistema social da 
Antigüidade. 
A comparação entre crenças e leis mostra que as famílias gregas e romanas foram 
constituídas e influenciadas por religiões primitivas que estabeleceram o casamento, a 
autoridade paterna, determinando a linha de parentesco, o direito de propriedade e de 
sucessão. 
Tendo sido a religião a formadora e conformadora da família enquanto instituição, 
acabou por exercer influência na concepção e organização das cidades, interferindo em seu 
governo e, portanto, no princípio da autoridade dela emanado. 
Através do conhecimento da família na Antigüidade clássica é que se toma 
possível a compreensão de suas conseqüências sociológicas, institucionais e suas implicações 
no direito privado da Antigüidade. 
Não obstante essa concepção de pensamento, os autores modernos estudam as 
civilizações clássicas não sob o aspecto religioso, mas com relação ao humanismo, 
ressaltando as condições do indivíduo, ao passo que Fustel de Coulanges o faz através da 
religiosidade. 
Essa preocupação do historiador francês é revelada em sua obra A cidade antiga. 
E considerado um dos trabalhos clássicos da historiografia moderna por apresentar de forma 
autêntica a história civil do mundo greco-romano centralizada no culto aos mortos. 
Fustel de Coulanges demonstra que a construção social e jurídica da cidade antiga 
baseava-se em uma religião primitiva assentada em fortes crenças. Entendia relevante esta 
influência que acabava por fortalecer a estrutura social e que o enfraquecimento dessas 
convicções religiosas possibilitou a decadência de tal sociedade. 
A obra A cidade antiga pode ser compreendida em dois momentos distintos. O 
primeiro, que trata da formação das cidades, da influência das crenças religiosas como fator 
determinante das relações sociais, políticas e jurídicas, e o segundo, que trata da desagregação 
das cidades, decorrente da dissolução entre os fatores religiosos e o fator jurídico e político da 
Antigüidade. Essa dissolução, segundo o autor, é provocada por uma série de revoluções, 
dentre as quais elenca três principais: a primeira, a supressão da autoridade política dos reis, 
que passam a conservar somente a autoridade religiosa; a segunda, produzida em decorrência 
de alterações na constituição da família; e uma terceira, principal, constituída pela revolução 
social da plebe. 
O renomado autor, estudando o ciclo evolutivo das cidades antigas desde o seu 
nascimento até o seu desaparecimento, em face da desagregação dos costumes, defende que é 
possível a sua explicação, com a renovação do entusiasmo que caracterizou o seu tempo, para 
gerar uma nova concepção de vida. Evidentemente, fazendo substituir o temor aos deuses pelo 
amor de Deus, superando formas e conceitos de religião doméstica por uma religião universal, 
em que passam a ser respeitados os anseios humanos. 
O autor procura pois, neste estudo, analisar as causas profundas da transformação 
da sociedade, sem emitir qualquer juízo de valor; trata apenas de explicar, de esclarecer as 
forças ocultas do movimento, fazendo delas derivar os fatos históricos. 
Alguns intérpretes dirigem certas críticas à obra de Fustel de Coulanges, ou 
discutindo sua interpretação, questionando, por exemplo, acerca da fundamental importância 
que o culto aos mortos tinha para a história dos municípios antigos; ou ainda alegando ser o 
método utilizado, nesta obra - racional cartesiano - inadequado. 
Contudo, essas críticas não diminuem o valor da obra que se apresenta como uma 
extraordinária descrição, proporcionando notável apreensão da essência social da cidade 
antiga, de sua arquitetura social , consolidada em estudo de inigualável valor. 
O método utilizado permitiu concluir as evidências e ressaltar defeitos. Uma 
crítica anotada à sua obra é dirigida ao apego excessivo ao valor dos textos, abstraindo-se da 
crítica filológica e diplomática das fontes. Outra incidiu sobre o uso ingênuo das fontes 
decorrentes da consideração da história como uma ciência de objetivo absoluto, subestimando 
outros enfoques que permitem chegar à verdadeira história em sua relatividade no tempo, para 
compreendê-la contemporaneamente. 
Dotado de raciocínio cartesiano, Fustel de Coulanges pretende apresentar as 
instituições políticas, religiosas e sociais com essa concepção de
Rafael
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