RESUMO - 3 ensaios sobre a teoria da sexualidade
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RESUMO - 3 ensaios sobre a teoria da sexualidade


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FACULDADE UNIÃO DE CAMPO MOURÃO \u2013 UNICAMPO 
PSICOLOGIA 
 
 
Jussara Prado 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO: 
TRÊS ENSAIOS SOBRE A TEORIA DA SEXUALIDADE (1905) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAMPO MOURÃO 
2013 
TRÊS ENSAIOS SOBRE A TEORIA DA SEXUALIDADE (1905) 
 
 Os conteúdos estudados e escritos por Freud neste texto, só podem ser confirmados por 
profissionais que tenham paciência e habilidade técnica suficiente para reconduzir a análise até 
os primeiros anos da infância do paciente, por mais que isso possa ser difícil, e muitas vezes 
impossível. Com exceção dos que exercem a psicanálise, ninguém pode acessar esse campo 
da vida sexual humana, muito menos a possibilidade de formar por si um argumento que não 
seja influenciado por suas próprias aversões e preconceitos. 
 
I - AS ABERRAÇÕES SEXUAIS 
 As necessidades sexuais no homem são representadas pela pulsão sexual. Usa-se o 
exemplo da pulsão de nutrição, que é a fome, para nomear a pulsão sexual de libido. Essa 
pulsão sexual por mais presente que esteja na infância, não é externalizada. Só é exteriorizada 
na puberdade, através das manifestações de atração irresistível que um sexo exerce sobre o 
outro, e seu objetivo seria a união sexual. 
 Diante disso, Freud introduz dois termos: objeto sexual, que é a pessoa por qual alguém 
se sente atraído; e o alvo sexual, que é a ação exercida pela nossa pulsão sexual. Nesse 
quesito, Freud alega que existe um grande número de desvios em ambos, no objeto sexual e no 
alvo sexual, e que é necessário se fazer uma investigação aprofundada na relação destes 
desvios com a suposta normalidade. 
(1) DESVIOS COM RESPEITO AO OBJETO SEXUAL 
 A normalidade é o homem possuir a mulher como objeto sexual, e a mulher possuir o 
homem como objeto sexual. Inversão é quando um sujeito toma como objeto sexual alguém do 
mesmo sexo, sendo considerado como um invertido. 
(A) INVERSÃO 
COMPORTAMENTO DOS INVERTIDOS 
 Os invertidos se comportam de maneira diversificada em vários aspectos. 
a) Podem ser invertidos absolutos. Seu objeto sexual será somente alguém do mesmo 
sexo, podendo ficar frio ou até possuir uma aversão sexual com alguém do sexo 
oposto. 
b) Podem ser invertidos anfígenos. Seu objeto sexual pode tanto pertencer ao mesmo 
sexo quanto ao sexo oposto, faltando um caráter de exclusividade. 
c) Podem ser invertidos situacionais. Em certas condições externas, o objeto sexual 
normal e a imitação é inacessível, tomando como objeto sexual uma pessoa do 
mesmo sexo e encontrando satisfação no ato sexual com ela. 
Os invertidos apresentam opiniões diferentes sobre sua pulsão sexual. Alguns aceitam a 
inversão como algo natural, outros se rebelam contra este fato, sentindo-se como se estivessem 
doentes. 
O traço da inversão pode vir de longa data no sujeito, ou só ter sido notada em 
determinada época ou na puberdade, podendo ser exteriorizada após um longo período de 
atividade sexual normal. Há casos em que a libido se altera no sentido da inversão, após uma 
experiência penosa com o objeto sexual normal. Todas essas variações coexistem 
independentemente umas das outras. 
 
CONCEPÇÃO DA INVERSÃO 
 Antes dos estudos sobre a inversão, ela era concebida como algo de cunho orgânico, 
podendo ser causado por caráter inato ou degenerativo. 
 
DEGENERAÇÃO 
 O termo degeneração pode ser usado quando: 
- houver conjugação de muitos desvios graves em relação à norma; 
- a capacidade de funcionamento e de sobrevivência parecer em geral gravemente 
prejudicada. 
Vários fatores comprovam que os invertidos não são degenerados nesse sentido da 
palavra, pois, encontra-se a inversão em pessoas que não exibem nenhum outro desvio grave 
da norma; E também, em pessoas cuja eficiência não está prejudicada e que inclusive se 
destacam por um intelecto e cultura ética particularmente elevados. Nos povos antigos, a 
inversão era um fenômeno frequente, quase que uma instituição dotada de importantes funções. 
Além de ser extremamente difundida em muitos povos selvagens e primitivos, ao passo que o 
conceito de degeneração costuma restringir-se à civilização elevada. 
 
CARÁTER INATO 
 O caráter inato só é alegado com base nas pessoas de que em nenhum momento de 
sua vida, mostrou-se a elas outra orientação de sua pulsão sexual. Quando se sustenta o caráter 
inato, se separa os invertidos absolutos dos demais, renunciando a uma concepção 
universalmente válida da inversão. Logo, a inversão teria um caráter inato numa série de casos, 
enquanto noutros poderia ter-se originado de outra maneira. A concepção alternativa de que a 
inversão é um caráter adquirido da pulsão sexual, sustenta-se no seguinte: 
 - Na vida de muitos invertidos (mesmo os absolutos) pode-se demonstrar a influência de 
uma impressão sexual prematura cuja consequência duradoura é representada pela inclinação 
homossexual. 
 - Em outros, é possível indicar as influências externas que levaram, em época mais 
prematura ou mais tardia, à fixação da inversão, como por exemplo, o companheirismo na 
guerra, detenção em presídios, entre outros. 
 - A inversão pode ser eliminada pela sugestão hipnótica. 
 A conclusão que se alcança é de que muitas pessoas ficam sujeitas às mesmas 
influências sexuais, sem por isso se tornarem invertidas ou assim continuarem 
permanentemente. A alternativa inato/adquirido é incompleta, confirmando que não abarca todas 
as situações presentes na inversão. 
 
O RECURSO À BISSEXUALIDADE 
 A opinião popular é a de que o ser humano ou é homem ou mulher. Na ciência, porém, 
encontram-se casos em que o indivíduo combina caracteres masculinos e femininos, alguns até 
em que, os dois tipos de aparelho sexual coexistem plenamente desenvolvidos, sendo mais 
frequentemente, encontrar ambos os aparelhos atrofiados. Diante disso, seria sugestivo explicar 
a inversão no campo psíquico, como um hermafroditismo psíquico. Só que isso não é possível. 
 Pois, o que se constata nos invertidos é uma redução generalizada da pulsão sexual e 
uma ligeira atrofia dos órgãos. Logo, a inversão e o hermafroditismo somático são 
independentes entre si. Diante disso, duas ideias permanecem: De alguma maneira há uma 
disposição bissexual implicada na inversão, por mais que não se saiba em como isso se dá; e 
lida-se também com perturbações que afetam a pulsão sexual em seu desenvolvimento. 
 
OBJETO SEXUAL DOS INVERTIDOS 
 A teoria do hermafroditismo psíquico pressupõe que o objeto sexual dos invertidos seja o 
oposto do normal. O homem invertido sucumbiria ao encanto dos atributos masculinos do corpo 
e da alma, buscando um homem. 
 Entretanto, isso não se aplica a toda uma série de invertidos, pois, grande parcela dos 
invertidos masculinos preserva o caráter psíquico da virilidade, buscando em seu objeto sexual 
traços psíquicos femininos. As mulheres, invertidas ativas, exibem caracteres somáticos e 
anímicos do homem e anseiam pela feminilidade em seu objeto sexual. 
 
ALVO SEXUAL DOS INVERTIDOS 
 Nos homens, o sexo anal não coincide em absoluto com a inversão; a masturbação 
pode ser usada como seu alvo exclusivo, e as restrições ao seu alvo sexual são mais comuns do 
que no amor heterossexual. Entre as mulheres invertidas são múltiplos os alvos sexuais, 
parecendo privilegiado entre elas o contato com a mucosa bucal. 
 
(B) ANIMAIS E PESSOAS SEXUALMENTE IMATURAS COMO OBJETOS SEXUAIS 
 Além dos invertidos, há indivíduos que escolhem pessoas sexualmente imaturas 
(crianças) como objetos sexuais, que desde logo, são encarados como aberrações esporádicas. 
Onde as crianças passam a ser objetos sexuais exclusivos; passando a desempenhar esse 
papel quando um
Kelly
Kelly fez um comentário
Parabéns pelo excelente resumo!
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