AD 2 DE HISTÓRIA E TURISMO
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AD 2 DE HISTÓRIA E TURISMO

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UFRRJ/CEDERJ

AVALIAÇÃO A DISTÂNCIA - 2015/1º
Curso de Licenciatura em Turismo
DISCIPLINA: História e Turismo
COORDENADORA: Valéria Lima Guimarães
Tutor Presencial: Wangles Silva

 Gizella Bourlier
 15115100024
 UFRRJ/SGO

 RESUMO:

 O presente trabalho visa comprovar o quanto é importante o estudo da História e seu uso como ferramenta ao Turismo, nos fazendo entender a organização social e estrutural de localidades e nos fornecendo dados para organizar roteiros de acordo com as preferências de cada usuário.
 Ao estudar O Vale do Paraíba e o Ciclo do Café compreendemos todo o apogeu e a posterior derrocada que algumas cidades do sul fluminense passaram, qual a importância dos Barões do Café para a economia, e quão maravilhoso é o acervo arquitetônico que nos foi deixado permitindo-nos agora, através dos roteiros turísticos, uma inigualável volta ao passado.

PALAVRAS-CHAVE: Vale do Paraíba, Ciclo do Café, Barões do Café.

 INTRODUÇÃO:
 A colonização portuguesa em nosso país sempre foi pautada pela exploração de nossas riquezas com a degradação de nosso ecossistema. Primeiro foi o Pau-brasil, seguida da lavoura de cana-de-açúcar, exploração de ouro e pedras preciosas, borracha e café. Em todas estas etapas, nunca foi pensado em preservar, a mata de nossas terras sempre foi vista como um empecilho ao enriquecimento na hora destas extrações.
 A lavoura de cana-de-açúcar conseguiu acabar com a Mata Atlântica no Nordeste, contribuindo para a desertificação de uma grande área. Não foi diferente o que ocorreu no Vale do Paraíba com a cultura cafeeira – “o Ouro Negro”.
 Entre as Serras do Mar e da Mantiqueira, o Vale do Paraíba, em seu trecho mais alto, teve importância econômica fundamental para o Estado do Rio de Janeiro no século XIX, com o cultivo do café, produto que foi a base da economia imperial e da República Velha (1889-1930). 

http://www.riodejaneiroaqui.com/pt/historia-da-floresta-da-tijuca-parte2.html

 O café chega ao Brasil no século XVIII e se expande pelo sul fluminense e cidades paulistas que faziam fronteira com o Estado do Rio. A expansão da lavoura cafeeira começou nas regiões montanhosas do sul fluminense, próximas da capital. Naquela época a procura de terras se dava ao longo do Rio Paraíba do Sul, pois as terras eram mais férteis. Rapidamente a Mata Atlântica foi sendo dizimada para dar lugar à cultura cafeeira. Porém, essa mesma sociedade, no século XIX, projetou o Brasil no cenário mundial como o maior produtor e exportador de café do mundo, tendo sido responsável por grande desenvolvimento na época: o dinheiro do café construiu ferrovias, iluminação pública e promoveu todo o tipo de investimento em infraestrutura que o Brasil fez durante esse período, além dos verdadeiros “palácios rurais” que são as fazendas históricas construídas pelos nobres da região, criando uma elite escravocrata. À medida que as famílias cafeeiras ganhavam dinheiro com o café elas importavam o luxo que a Europa, principalmente a França, tinha para vender na época. O Ciclo do Café economicamente foi mais importante que o Ciclo do Ouro.

http://xptravel.com.br/ciclo-do-cafe/
 No início, a lavoura cafeeira era baseada na monocultura e trabalho escravo, mas com a proibição deste em 1850, a mão de obra passou a ser de trabalhadores imigrantes assalariados. Na segunda metade do século XIX a produção de café na região sul fluminense começa a declinar. A exploração desenfreada, sem orientação – nesta época só se usava as queimadas no preparo para o plantio – ocasionou erosão, seca das nascentes e mudanças climáticas na região, levando a falência dos “Barões do Café”, mas deixando um legado arquitetônico maravilhoso.
 O “Ciclo do Café” pode ser vivenciado nessa região, formada, principalmente, pelos municípios de Vassouras, Valença e seu distrito Conservatória, Barra do Piraí e Miguel Pereira. Nessas cidades ainda restam mais de cem casas antigas, sedes das fazendas cafeeiras.

http://olhares.uol.com.br/brasil-antigo-fazenda-de-cafe-no-seculo-xix-foto5263891.html
 As grandes propriedades rurais entraram em declínio, muitas delas foram vendidas e ficaram em péssimo estado de conservação. Outras, através de um trabalho árduo de seus herdeiros vieram a se transformar em atrativos turísticos.
 Os atuais proprietários das fazendas, apesar de contarem com o apoio de entidades como o Intituto Preservale, o Conciclo (Conselho de Turismo da Região do Vale do Café), o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), ainda têm um entrave grande para proceder esta manutenção e conservação.
 Através do Turismo esta área vem sendo revitalizada com a criação do Vale do Café, que é uma denominação turística para o conjunto de 15 municípios da região do Vale do Paraíba Fluminense. São cerca de 112 fazendas localizadas nos municípios de Vassouras, Valença, Rio das Flores, Piraí, Engenheiro Paulo de Frontin, Paty do Alferes, Paracambi, Miguel Pereira, Mendes e Barra do Piraí, Pinheiral, Barra Mansa, Paraíba do Sul, Volta Redonda e Resende. Hoje mais de 20 delas oferecem serviços turísticos que incluem visitação guiada com almoço típico, café colonial, lanche ou sarau. Algumas oferecem hospedagem.
 Esta parte do turismo rural além de nos fornecer visões de casarios maravilhosos nos faz descobrir e redescobrir a história do nosso estado e país, além de nos transportar a atmosfera de séculos passados, saboreando a vida bucólica e sua gastronomia inigualável. Muitas destas fazendas se transformaram em hotéis e outras abertas à visitação, já na entrada nos fazem voltar no tempo: somos recebidos pelo Barão, a Baronesa e seus escravos! Esta é uma das maneiras que o turismo ajuda a conservar e manter esta parte maravilhosa de nosso passado.

Fazenda Monte Alegre • Rodovia BR 393 (Lúcio Meira), km 247 - Paty do Alferes • Crédito: Inventário das Fazendas do Vale Paraíba Fluminense
 http://guiaculturalvaledocafe.com.br/?page_id=893&tiporegioes=regiao-3&regiao=mendes

Fazenda Pau Grande • Rodovia RJ 125 - Estrada Paty do Alferes, Km 11 - Distrito de Avelar - Paty do Alferes Credito: Inventário das Fazendas do Vale Paraíba Fluminense
http://guiaculturalvaledocafe.com.br/?page_id=893&tiporegioes=regiao-3&regiao=mendes

Fazenda Cachoeira Grande • Rodovia RM27, Km 42 - Estrada Fazenda da Cachoeira • Crédito: Inventário das Fazendas do Vale Paraíba Fluminense
http://guiaculturalvaledocafe.com.br/?page_id=893&tiporegioes=regiao-3&regiao=mendes

 Fazenda Secretário • Rodovia RJ-115 Vassouras • Crédito: Inventário das Fazendas do Vale Paraíba Fluminense
http://guiaculturalvaledocafe.com.br/?page_id=893&tiporegioes=regiao-3&regiao=mendes
 Vários roteiros já têm sido elaborados com a visitação de uma ou mais fazendas num mesmo dia, podendo se estender até por mais dias com pernoites. Em todos os roteiros algum tipo de alimentação está incluída. Os roteiros podem ser feitos em companhias de crianças pois muitas destas fazendas praticam o turismo cultural com apoio de órgãos educacionais locais.
 Um roteiro encantador seria a ida até Conservatória com seu circuito de serestas que é inigualável, e num bate-volta poderíamos incluir a visita a Fazenda Florença que se tornou uma hospedagem, e tem como atrativo não só a pompa e arquitetura de seu casario, mas também sua história recente de ter servido de cenário para as novelas globais "Escrava Isaura" de 1976 e "Sinhá Moça" de 1986. A Rede Manchete também lá gravou "Dona Beija" em 1986. A última novela que teve a fazenda como cenário foi