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Correlações clínicas   Moore   Tórax

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Tórax
Correlações Clínicas
Moore
Dor torácica
	A importância da dor no tórax varia de insignificante a muito grave. Embora a dor torácica possa resultar de doença pulmonar, é provavelmente o sintoma mais importante de doença cardíaca. Entretanto, a dor torácica também pode resultar de disfunções intestinais, da vesícula biliar e disfunções músculo-esqueléticas. 
	 Quando avaliando um paciente com dor torácica, o exame está amplamente relacionado com a discriminação entre condições graves e as muitas causas menores da dor. Pessoas que tiveram um ataque do coração normalmente descrevem uma dor sub-esternal (profunda ao esterno) “esmagadora”, que não desaparece com repouso. 
Fraturas das costelas e injúrias associadas
	A 1ª costela, curta e larga, póstero-inferior á clavícula, raramente é fraturada por causa de sua posição protegida (observe que ela não pode ser apalpada). Quando se quebra, entretanto, pode ocorrer injúria ao plexo braquial de nervos e aos vasos subclávios. A 1ª costela é clinicamente importante porque muitas estruturas cruzam-na e fixam-se nela. Ela possui um tubérculo do músculo escaleno anterior proeminente na sua face superior para inserção do músculo escaleno anterior. Essa face também possui dois sulcos rasos direcionados transversalmente, anterior e posterior ao tubérculo, para a veia subclávia e a artéria subclávia, e inferiormente ao tronco do plexo braquial, respectivamente.
	 As costelas médias são mais comumente fraturadas. Fraturas das costelas normalmente resultam de pancadas diretas ou, indiretamente, de injúrias por esmagamento. A parte mais fraca de uma costela situa-se imediatamente anterior ao seu ângulo; contudo, violência direta pode fraturar uma costela em qualquer lugar, e sua extremidade quebrada pode ferir órgãos internos como o pulmão e/ou o baço. Fraturas das costelas inferiores podem dilacerar o diafragma e resultar em uma hérnia diafragmática. As fraturas as costelas são dolorosas porque as partes quebradas se movem durante a respiração, tosse, riso e espirro. A dor na costela também pode resultar de metástase (difusão) do câncer a partir da mama ou próstata. Radiografias do tórax revelam essas metástases. 
	 Tórax pulsante (“tórax oprimido”) ocorre quando um segmento de tamanho considerável da parede torácica anterior e/ou lateral move-se livremente por causa de múltiplas fraturas da costela. Esta condição permite que o segmento solto da parede se mova paradoxalmente (para dentro na inspiração e para fora na expiração). O tórax pulsante é uma injúria extremamente dolorosa e prejudica a ventilação, afetando deste modo a oxigenação do sangue. Durante o tratamento, o segmento solto é muitas vezes fixado por ganchos e/ou fios de modo que não possa se mover. 
Toracotomia e enxerto ósseo
	A criação cirúrgica de uma abertura anterior dentro da parede torácica é uma toracotomia anterior. Cortes em forma de H através do pericôndrio das cartilagens são usados para descascar segmentos da cartilagem costal para ganhar acesso á cavidade torácica. Algumas vezes os cirurgiões usam um pedaço da costela para enxerto ósseo autógeno nos procedimentos como a reconstrução da mandíbula após excisão de um tumor. 
	 Os cirurgiões também cortam através do periósteo e removem pedaços de costela posteriormente – toracotomia posterior – para penetrar na cavidade torácica e remover um tumor no pulmão, por exemplo. Após a operação, os pedaços ausentes das costelas regeneram-se a partir do periósteo intacto, porém as costelas raramente retornam á sua forma original. 
Costelas acessórias
	As pessoas normalmente têm 12 costelas de cada lado, mas o número é aumentado pela presença das costelas cervicais e/ou lombares, ou diminuído pela não formação do 12º par. Costelas acessórias ou extras resultam da retenção e do desenvolvimento dos processos costais das vértebras cervicais e lombares. A parte distal dos processos transversos dessas vértebras desenvolve-se a partir dos processos costais. Em algumas pessoas, esses processos crescem além do normal, formando costelas extras.
	 As costelas cervicais (incidência de 0,5 a 1%) articulam-se com a vértebra C7, mas raramente se fixam ao esterno. As costelas cervicais podem ser livres, articuladas, ou fundidas com a 1ª costela, ou fixadas a ela por meio de uma faixa fibrosa. As costelas cervicais são comumente encontradas em pessoas assintomáticas; contudo, elas são clinicamente importantes porque podem comprimir as fibras do tronco inferior do plexo braquial e causar dor ou dormência (parestesia) no ombro e no membro superior (síndrome da costela cervical) – umas das várias síndromes da abertura superior do tórax (TOS). A dor na mão é mais grave nos 4º e 5º dedos. Muitas vezes é a faixa fibrosa que estende da costela cervical até a 1ª costela que comprime os nervos C8 a T1 ou o tronco inferior do plexo braquial. Uma costela cervical também pode comprimir a artéria subclávia, resultando na dor muscular isquêmica no membro superior (dor resultante do suprimento sanguíneo deficiente para os músculos do membro). Se a dor é severa, pode ser necessário remover toda ou parte da costela cervical. A compressão da artéria subclávia por uma costela cervical ou por outra causa na abertura superior do tórax pode levar o pulso a diminuir quando o membro superior não estiver ao lado da pessoa e, especialmente, se o ângulo entre o pescoço e o ombro é aumentado. O pulso aumenta quando o membro é elevado (manobra de Holsen). 
	 As costelas lombares são menos comuns do que as cervicais, porém têm importância clínica, visto que podem confundir a identificação dos níveis vertebrais nas radiografias e outras imagens diagnósticas. Além disso, uma costela lombar fraturada pode, erroneamente, ser interpretada como um processo transverso fraturado da vértebra L1. Se um processo transverso parece surpreendentemente longo, uma costela lombar pode estar presente.
Função protetora e variação das cartilagens costais
	Cartilagens costais dão elasticidade á caixa torácica, impedindo que muitas pancadas fraturem o esterno e/ou as costelas. Por causa da notável elasticidade das costelas e cartilagens costais nas crianças, a compressão do tórax pode produzir injúria dentro do tórax mesmo na ausência de uma fratura da costela. Nas pessoas idosas, as cartilagens costais perdem um pouco de sua elasticidade e se tornam frágeis; elas podem sofrer calcificação, o que as torna radiopacas (e.g., nas radiografias).
Efeito de um aneurisma da aorta nas vértebras
	Movimentos entre as vértebras adjacentes são relativamente pequenos na região torácica, basicamente por causa da caixa torácica associada. Este movimento limitado dá uma rigidez relativa que protege o coração e os pulmões. Os corpos das vértebras T5 a T8 estão relacionados com a parte torácica da aorta, que frequentemente achata seus lados esquerdos. Quando a aorta desenvolve um aneurisma (dilatação localizada), os corpos destas vértebras podem ser parcialmente corroídos pela pressão proveniente do aneurisma. Estas mudanças ósseas podem ser visíveis nas radiografias. 
Processos xifoides ósseos
	Não raramente, pessoas no início de seus 40 anos repentinamente percebem seus processos xifoides parcialmente calcificados e consultam seus médicos sobre o caroço duro na “boca do estômago” (fossas epigástricas). Não estando conscientes de seus processos xifoides antes, eles temem ter desenvolvido um tumor ou um “câncer no estômago”.
Fraturas do esterno
	Fraturas do esterno não são comuns apesar de sua localização subcutânea. Injúrias por esmagamento podem ocorrer após compressão traumática da parede torácica em acidentes de automóvel, quando o tórax do motorista é forçado contra a coluna de direção, por exemplo. A instalação de airbags nos veículos reduziu a quantidade de fraturas do esterno. Uma fratura do corpo do esterno normalmente é uma fratura cominutiva (o esterno se fragmenta em pedaços). O deslocamento dos fragmentos