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Correlações clínicas   Moore   Tórax

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cama ou na mesa de operação ou de dissecação. Nesta posição, as vísceras abdominais empurram as estruturas mediastinais superiormente. 
	 Entretanto, quando de pé ou sentado ereto, os níveis das vísceras são um pouco mais baixos. Isto ocorre porque as estruturas moles, situadas no mediastino especialmente o pericárdio e seus conteúdos), o coração, os grandes vasos e as vísceras abdominais que as apoiam caem inferiormente sob a influência da gravidade. Na posição de supinação, 
O arco da aorta situa-se superior ao plano transverso do tórax;
A bifurcação da traqueia é transeccionada (seccionada transversalmente) pelo plano transverso do tórax;
O centro tendíneo do diafragma (ou a face diafragmática ou a extensão inferior do coração) situa-se no nível da sincondrose xifo-esternal e vértebra T9.
Quando em pé ou sentado ereto, 
O arco da aorta é seccionado transversalmente pelo plano transverso do tórax;
A bifurcação da traqueia situa-se inferior ao plano;
O centro tendíneo do diafragma pode descer para o nível do meio do processo xifoide e para o disco intervertebral T9/T10.
	Estes movimentos das estruturas mediastinais devem ser considerados durante exames físicos e radiológicos.
Mediastinoscopia e biópsias do mediastino
	Usando um mediastinoscópio, cirurgiões podem ver muito do mediastino e conduzir procedimentos cirúrgicos menores. Eles inserem este instrumento iluminado tubular através de uma pequena incisão na raiz do pescoço, imediatamente acima do manúbrio do esterno e próximo da incisura jugular. Durante a mediastinocospia, cirurgiões podem ver ou fazer biópsias dos linfonodos mediastinais para determinar se células cancerígenas disseminaram-se por metástase para os linfonodos a partir de um carcinoma broncogênico, por exemplo. O mediastino também pode ser explorado e biópsias obtidas removendo-se parte de uma cartilagem costal.
Dilatação do mediastino
	Radiologistas e paramédicos algumas vezes observam uma dilatação do mediastino quando observam radiografias do tórax. Qualquer estrutura situada no mediastino pode contribuir para dilatação patológica. Ela é frequentemente observada após trauma resultante de uma colisão frontal da cabeça, por exemplo, que produz hemorragia no mediastino advinda dos grandes vasos dilacerados como, por exemplo, a aorta ou veia cava superior. Frequentemente, linfoma maligno (câncer de tecido linfático) produz aumento maciço dos linfonodos mediastinais e dilatação do mediastino. Aumento (hipertrofia) do coração (que ocorre com insuficiência cardíaca congestiva) é uma causa comum de dilatação do mediastino inferior.
Importância cirúrgica do seio transverso do pericárdio
	O seio transverso do pericárdio é especialmente importante para os cirurgiões cardíacos. Depois de o saco pericárdico ser abeto anteriormente, um dedo pode ser passado através do seio transverso do pericárdio posterior á aorta e ao tronco pulmonar. Passando um grampo cirúrgico ou colocando uma ligadura em torno desses grandes vasos, inserindo os tubos de uma máquina de desvio coronário, e depois apertando a ligadura, os cirurgiões podem interromper ou desviar a circulação do sangue destas grandes artérias enquanto realizam uma cirurgia cardíaca, como, por exemplo, o enxerto para desvio da artéria coronária. A cirurgia cardíaca é realizada enquanto o paciente está em desvio cardio-pulmonar.
Exposição das veias cavas superior e inferior
	Após passar através do diafragma, toda a parte torácica da veia cava inferior (aproximadamente 2 cm) está no interior do pericárdio. Por conseguinte, o saco pericárdico deve ser aberto para expor a parte superior da veia cava inferior. O mesmo é verdadeiro para a parte terminal da veia cava superior, que está parcialmente dentro e fora do saco pericárdico.
Pericardite, efusão pericárdica e tamponamento cardíaco
	O pericárdio pode estar envolvido em diversos processos enfermos. Inflamação do pericárdio (pericardite) normalmente causa dor no tórax, e certas doenças inflamatórias podem produzir efusão pericárdica (passagem de líquidos dos capilares pericárdicos para a cavidade do pericárdio). Como resultado, o coração torna-se comprimido (incapaz de se expandir e encher completamente) e ineficiente. Um pericárdio espessado e cronicamente inflamado pode, na realidade, calcificar-se e dificultar seriamente a eficiência do coração. 
	 Efusões pericárdicas não-inflamatórias frequentemente ocorrem com a insuficiência cardíaca congestiva – insuficiência de um coração que não bombeia sangue para fora na mesma velocidade que recebe (i.e., preserva a circulação sanguínea).
	 Normalmente, as lâminas opostas do pericárdio seroso não produzem som detectável durante a ausculta. Contudo, a pericardite torna as faces ásperas e o atrito resultante (atrito pericárdico) parece com o roçar da seda quando escutado com um estetoscópio. Se a efusão pericárdica extensa ocorre, o excesso de líquido pericárdico não permite ao coração expandir-se completamente, limitando assim o influxo de sangue para os ventrículos. Este fenômeno – tamponamento cardíaco (compressão do coração) – é uma condição potencialmente letal porque o pericárdio fibroso se torna consistente e sem elasticidade. Consequentemente, o volume do coração é comprometido progressivamente pelo líquido fora do coração, porém dentro da cavidade pericárdica. 
	 Ferimentos a faca que perfuram o coração fazem com que o sangue entre na cavidade do pericárdio – hemo-pericárdio – produzindo, igualmente, o tamponamento cardíaco. O hemo-pericárdio também pode resultar da perfuração de uma área enfraquecida do músculo cardíaco após um ataque do coração (infarto do miocárdio). O tamponamento cardíaco também pode resultar de hemorragia no interior da cavidade do pericárdio após operações do coração. Quando o líquido na cavidade do pericárdio acumula-se rapidamente, o coração é comprimido e a circulação torna-se deficiente. As veias da face e do pescoço tornam-se ingurgitadas/obstruídas em virtude do retorno do sangue que começa na veia cava superior onde ela entra no pericárdio.
	 Pericardiocentese (drenagem do líquido da cavidade do pericárdio) normalmente é necessária para aliviar o tamponamento cardíaco. Para remover o excesso de líquido, uma agulha de grande calibre pode ser inserida através do 5º ou 6º espaço intercostal esquerdo próximo ao esterno. Esta abordagem do saco pericárdico é possível porque a incisura cardíaca no pulmão esquerdo e a incisura mais rasa situada no saco pleural esquerdo deixam parte do saco pericárdico exposta – a “área nua” do pericárdio. O saco pericárdico também pode ser alcançado, penetrando-se no ângulo infra-esternal e passando a agulha súpero-posteriormente. Neste local, a agulha evita o pulmão e as pleuras e penetra na cavidade pericárdica; entretanto, deve-se tomar cuidado para não puncionar a artéria torácica interna. Em pacientes com pneumotórax – ar ou gás na cavidade pleural – o ar pode separar-se ao longo dos planos do tecido conjuntivo e penetrar no saco pericárdico, produzindo um pneumo-pericárdio que pode ser demonstrado através de radiografia.
Anormalidades de posição do coração
	Em virtude do pregueamento anormal do coração embrionário, a posição do coração pode ser completamente invertida, de modo que o ápice fique direcionado para a direita ao invés de para a esquerda – dextrocardia. Esta anomalia congênita é a anormalidade de posição mais comum do coração, mas inda é relativamente incomum. A dextrocardia está associada com o posicionamento da imagem espelhada dos grandes vasos e do arco da aorta. Esta anomalia pode ser parte de uma transposição geral das vísceras torácicas e abdominais (situs inversus), ou a transposição pode afetar apenas o coração (dextrocardia isolada). 
	 Na dextrocardia com situs inversus, a incidência de defeitos cardíacos acompanhantes é baixa e o coração comumente funciona normalmente; entretanto, na dextrocardia isolada, a anomalia congênita é complicada