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Correlações clínicas   Moore   Tórax

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da aorta recebe um forte fluxo de sangue quando o ventrículo esquerdo se contrai. Visto que sua parede não é reforçada por pericárdio fibroso, um aneurisma (dilatação localizada) pode desenvolver-se. Pacientes normalmente queixam-se de dor no tórax que se irradia para o dorso.
Base para nomear as valvas da aorta e do tronco pulmonar
	O relato seguinte explica a base embriológica para nomear as valvas da aorta e do tronco pulmonar. O tronco arterial, o tronco comum de ambos os ventrículos do coração embrionário, possui quatro válvulas. O tronco arterial divide-se em dois vasos, cada um com sua própria valva (da aorta ou do tronco pulmonar), que possui três válvulas. O coração sofre rotação parcial de modo que seu ápice se torna direcionado para a esquerda, resultando no arranjo de válvulas observado no adulto. Por conseguinte, as válvulas são nomeadas de acordo com sua origem embriológica, não por sua posição anatômica após o nascimento. Assim, a valva do tronco pulmonar possui válvulas direita, esquerda e anterior, e a valva da aorta possui válvulas direita, esquerda e posterior. De modo semelhante, os seios da aorta são nomeados direito, esquerdo e posterior. Este terminologia também está de acordo com as artérias coronárias: observe que a artéria coronária direita origina-se do seio direito da aorta, acima da válvula direita da aorta, e que a artéria coronária esquerda possui uma relação semelhante com a válvula e o seio esquerdo da aorta. A válvula e o seio posteriores não dão origem á nenhuma artéria coronária; deste modo, a válvula e o seio posteriores da valva da aorta são referidos como válvula e seio “não-coronários”.
Variações das artérias coronárias
	Variações nos padrões de ramificação das artérias coronárias são comuns. Na maioria das pessoas as artérias coronárias direita e esquerda dividem quase que igualmente o suprimento sanguíneo do coração. Em aproximadamente 15% dos corações a artéria coronária esquerda é dominante visto que o ramo interventricular posterior vem, nesse caso, como ramo da artéria circunflexa. Umas poucas pessoas têm apenas uma única artéria coronária. Em outras pessoas o ramo circunflexo origina-se do seio direito da aorta. Aproximadamente 4% das pessoas têm uma artéria coronária acessória. 
	 Os ramos das artérias coronárias são considerados artérias terminais – aqueles que suprem regiões do miocárdio sem se sobrepor ou anastomosar com outros grandes ramos. Contudo, existem anastomoses entre ramos das artérias coronárias, vasos sub-epicárdicos ou miocárdicos, e entre estas artérias e os vasos extra-cardíacos como por exemplo os vasos torácicos. Estudos clínicos mostram que as anastomoses não podem fornecer trajetos colaterais suficientemente rápidos para impedir os efeitos de uma oclusão repentina da artéria coronária. O valor funcional dessas anastomoses parece ser mais eficiente na doença progressiva da artéria coronária.
Aterosclerose coronária e infarto do miocárdio
	Com a oclusão súbita de uma artéria principal por em êmbolo (do grego êmbolos, “tampão”), a região do miocárdio suprida pelo vaso ocluído torna-se infartada (tornada praticamente exangue) e logo se degenera (i.e., o tecido morre, ou torna-se necrótico). Uma área do miocárdio que sofreu necrose é um infarto do miocárdio. A causa mais comum da doença isquêmica do coração (isquemia – ausência de suprimento sanguíneo adequado) é a insuficiência coronária, que resulta da aterosclerose das artérias coronárias. 
	 A aterosclerose coronária começa durante o início da idade adulta e lentamente resulta na estenose dos lúmens das artérias coronárias. O processo aterosclerótico resulta no acúmulo de lipídios nas paredes internas das artérias coronárias. Á medida que a aterosclerose coronária progride, os canais colaterais que ligam uma artéria coronária com a outra se expandem, permitindo que a perfusão adequada do coração continue. A despeito desse mecanismo de compensação, o miocárdio pode não receber oxigênio suficiente quando o coração precisa realizar quantidades maiores de trabalho. Exercícios vigorosos, por exemplo, aumentam a atividade do coração e sua necessidade por oxigênio. A insuficiência do suprimento sanguíneo para o coração (isquemia miocárdica) pode resultar em uma área de necrose do miocárdio.
Angina de peito
	Pacientes com angina de peito (dor no peito) comumente descrevem a dor de constrição como um aperto no peito. Este tipo de desconforto na parte central do peito é normalmente abreviado clinicamente para angina quando referindo-se a uma dor de constrição frequentemente severa no peito. O estresse produz constrição arterial e é uma causa comum de angina. Causas igualmente comuns são o exercício vigoroso após uma refeição pesada e a exposição súbita ao frio. Quando o alimento entra no estômago, o fluxo sanguíneo para ele e outras partes do sistema digestório é aumentado. Como resultado, parte do sangue é desviada de outros órgãos, incluindo o coração. A dor de angina é frequentemente aliviado por meio de um ou dois minutos de repouso. Nitroglicerina sub-lingual (medicamento colocado ou pulverizado sob a língua para absorção através da túnica mucosa da boca) deve ser administrada porque dilata as artérias coronárias, aumenta o fluxo sanguíneo para o coração, e normalmente alivia a angina.
	 A dor resultante da isquemia miocárdica e do infarto do miocárdio normalmente é mais severa do que a de angina de peito, e a dor resultante do infarto do miocárdio não desaparece após um minuto ou dois de repouso. O infarto do miocárdio também pode seguir-se após esforço excessivo por uma pessoa com artérias coronárias estenosadas (estreitadas). O músculo do coração sobrecarregado demanda mais oxigênio do que as artérias estenosadas podem fornecer; como resultado, a área isquêmica do miocárdio sofre infarto e ocorre um ataque do coração. A oclusão de quaisquer ramos, exceto os menores de uma artéria coronária, normalmente resulta na morte das fibras musculares cardíacas que eles suprem. O músculo lesado é substituído por tecido fibroso e uma cicatriz se forma.
Enxerto de desvio coronário
	Alguns pacientes com obstrução da circulação coronária e angina severa sofrem uma operação de enxerto do desvio coronário. Um segmento de uma veia é ligado á parte ascendente da aorta ou à parte proximal de uma artéria coronária, distal á estenose. A vaia safena magna é comumente escolhida para a cirurgia de desvio coronário porque ela possui aproximadamente o mesmo diâmetro das artérias coronárias, pode ser facilmente dissecada a partir do membro inferior e oferece segmentos relativamente longos com uma ocorrência mínima de válvulas ou ramificações. Um enxerto de desvio coronário desvia sangue da aorta para uma artéria coronária estenosada (estenose arterial) ou bloqueio (atresia arterial). A revascularização do miocárdio também pode ser conseguida anastomosando-se cirurgicamente uma artéria torácica interna com uma artéria coronária.
Angioplastia coronária
	Em pacientes selecionados, os cirurgiões utilizam a angioplastia coronária transluminal percutânea na qual introduzem, na artéria coronária obstruída, um cateter com um balão pequeno inflável preso á sua ponta. Quando o cateter alcança a obstrução, o balão é inflado e o vaso esticado para aumentar o tamanho do lúmen. Em outros casos, trombocinase (tromboplastina) é injetada através do cateter; esta enzima dissolve o coágulo sanguíneo.
Injúria ao nó e ao fascículo átrio-ventriculares
	 Se partes do complexo estimulante do coração são afetadas por bloqueio – e.g., estenose do ramo interventricular anterior (LAD), que dá origem aos ramos septais que suprem o fascículo átrio-ventricular na maioria das pessoas – um bloqueio cardíaco (bloqueio átrio-ventricular) pode ocorre. Nesse caso, os ventrículos podem se contrair, independentemente, na sua própria frequência. Um marca-passo (regulador artificial do coração) pode ter que ser implantado em alguns casos. Locais comuns de oclusão