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A construção do caso clinico- Revista Curinga

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In: O Brilho da (In)felicidade, Rio de Janeiro:
Kalimeros, 1997.
COTTET, Serge. Estrutura e Romance Familiar na Adolescência. In: Adolescência: o despertar.
Kalimeros/Publicação da Escola Brasileira de Psicanálise – Sessão Rio de Janeiro: Dezembro,
1996.
COTTET, Serge. Puberdade Catástrofe. In: Transcrições 4. Publicação do Campo Freudiano da
Bahia, 1992.
FREDA, Hugo. O adolescente freudiano. In: Adolescência: o despertar. Kalimeros / Publicação da
Escola Brasileira de Psicanálise – Sessão Rio de Janeiro: Dezembro, 1996.
FREDA, Hugo. Da droga ao inconsciente. In: Subversão do sujeito na clínica das toxicomanias – Atas da
X Jornada do Centro Mineiro de Toxicomania, Belo Horizonte, 1996.
FREUD, Sigmund. Três Ensaios sobre a teoria da sexualidade. Rio de Janeiro: Imago, 1987.
LACAN, Jacques. A significação do falo. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
LACAN, Jacques. Atas de Encerramento da Jornada de Cartéis. In: Letra Freudiana n. 0.
LACAN, Jacques. As formações do inconsciente. In: O Seminário, Livro 5. Rio de Janeiro: Zahar,
1999.
LECOUER, Bernard. O homem embriagado. Belo Horizonte: FHEMIG, 1992.
PACHECO, Lilany Vieira. “Não pense, acredite e faça”: sobre as estratégias de construção da subjeti-
vidade nos Alcoólicos Anônimos. Belo Horizonte: UFMG, 1998. (Dissertação de Mestrado).
Pontuação de Hugo Freda no seminário “O Outro que não existe e seus comitês de ética”, de 02 de abril
de 1997.
SANTIAGO, Jésus. Drogue, science et jouissance: sur la toxicomania dans le champ freudien. Paris: Université
de Paris – VIII, 1992. Tese (Doutorado em Psicanálise).
SOLANO, Stela. 1ª Conferência: Qual o real em questão no momento da adolescência? Qual o real
em jogo na puberdade? In: Arquivos da Biblioteca n. 1, EBP, novembro/97.
Revista Curinga | EBP - MG | n.13 | p.25-31 | set. | 1999
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O adolescente e as drogas
PSICANÁLISE E SAÚDE MENTAL1
Alexandre Stevens
Não é novo o fato dos psicanalistas ocuparem seus lugares no vasto
campo da saúde mental, como hospitais psiquiátricos, centros de consultas, ins-
tituições infantis, etc. Freud já havia externado a esperança de que, um dia, tais
estabelecimentos pudessem ser orientados pela clínica psicanalítica.
Rapidamente o debate com psiquiatras foi instaurado, e surtiu efeitos.
Assim, Bleuer inventou o conceito de esquizofrenia, ao retomar a
demência precoce kraepeliana à luz dos conceitos freudianos. Mais tarde, a psi-
canálise esteve presente no centro do debate sobre a organização institucional
como tal, em Laborde, por exemplo. No que diz respeito às crianças, a invenção
das primeiras instituições orientadas pela clínica freudiana, como as de Winnicott
na Inglaterra durante a guerra, tiveram efeitos sobre o debate psicanalítico.
Podemos encontrar hoje, em francês, os textos dessa época na primeira parte da
obra de Winnicott Déprivation et délinquance e constatar que, a partir dos trabalhos
realizados com crianças evadidas de Londres, foram inventadas as noções “mãe
suficientemente boa” e “objeto transicional”. Da mesma forma, as experiências
mais tardias e diversas de B. Bettelheim ou M. Mannoni, por exemplo, fizeram
evoluir esse debate.
Hoje podemos tranquilamente ter uma ideia da multiplicidade das
experiências de psicanalistas na saúde mental. No nosso Campo Freudiano, mui-
tas revistas de língua francesa o testemunham, tais como Préliminaire, Feuillets du
Courtil e sobretudo, mais recentemente, Mental, a revista da Seção Desenvol-
vimento da Escola Europeia de Psicanálise. Existem, evidentemente, também no
Campo Freudiano, revistas em outras línguas que atestam a preocupação dos psi-
canalistas por essa relação com a saúde mental.
Mas, em relação à situação que prevaleceu nas décadas anteriores, há
agora algo de novo. Quero examinar, aqui, três pontos, não com a preocupação
de esgotar o assunto e sim para indicar qual deve ser a nossa preocupação no
debate atual. Primeiramente, ocorre que, nos dias de hoje, a saúde mental ou,
mais precisamente, seus representantes legais se interessam por nós no sentido
de tentar nos enquadrar na psicoterapia. Há, também, a questão do desenvolvi-
mento das novas formas de sintoma: que elas provenham do mal-estar na nossa
civilização, que correspondam a uma mudança de denominação ou que visem
uma dissolução da clínica, não podemos reagir com indiferença.
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Revista Curinga | EBP - MG | n.13 | p.32-38 | set. | 1999
E, finalmente, nossa resposta à saúde mental não pode se contentar
com abordagens teóricas e leituras clínicas. Ela deve ser ética.
Psicanálise e psicoterapia
A psicanálise tem efeitos terapêuticos. No ano passado, Jacques-Alain
Miller indicou, durante uma Tarde dos Cartéis do Passe, o quanto poderíamos
extrair da experiência do passe, acerca do formidável poder terapêutico da análise.
O Relatório do Cartel B, no número 32 da revista da ECF, La cause freudienne, vem
atestá-lo.
Mas, a psicanálise seria, por essa razão, uma psicoterapia? Certamente
que não. Antes de qualquer coisa porque o seu ponto de vista não é o mesmo e,
para além do apaziguamento ou da transformação do sintoma, ela visa o fantas-
ma e o nó pulsional do sujeito, e, principalmente, porque esse ponto de vista
modifica a sua ação desde o começo do tratamento. Além disso, as psicoterapias
– a maioria delas saídas historicamente do movimento psicanalítico – fundam-se
no retorno ao conhecimento psicológico, eliminando a subversão introduzida
pela descoberta freudiana, cuja pujança é mantida pela obra de Lacan. Cabe-nos,
hoje, não deixar que se feche a falha cavada no conhecimento por um saber
novo. 
Desde então, não temos que reivindicar uma inscrição no estatuto da
psicoterapia; temos, sim, que trabalhar pelo contrário. Mas, poderemos evitar
que o legislador, interessando-se por nossa obra, imponha-nos esse enquadra-
mento? Não é certo. A situação, ainda recente, da lei italiana que impõe uma for-
mação oficial de “psicoterapia” para permitir o exercício da psicanálise, assim
como os debates que acontecem atualmente em outros países europeus, teste-
munham-no.
As Escolas de psicanálise se interessam por essa discussão. Há uma
Comissão de Saúde mental no conselho da EEP2 e o conselho da ECF encarre-
gou um de seus membros de cuidar especialmente da questão. Na Itália, o
Campo Freudiano encontrou a resposta necessária à nova lei, ao criar um insti-
tuto de formação, organizado por nossos colegas italianos. Aliás, nos outros
lugares teremos que, no momento oportuno, encontrar as respostas desejadas.
Isso quer dizer que devemos fazer mais do que nos manter informados.
Devemos participar desses debates, a fim de orientá-los no sentido das nossas
posições.
Revista Curinga | EBP - MG | n.13 | p.32-38 | set. | 1999
Alexandre Stevens
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As novas formas do sintoma
A clínica psiquiátrica – se é que ela ainda é uma clínica – das últimas
décadas, a evolução do conceito de saúde mental e o debate na IPA, especial-
mente no International Journal of Psychoanalisis, mostraram novas formas de pato-
logias mentais. As anorexias, os boderlines – ou estados limites ou, ainda, persona-
lidade narcísica –, a depressão, com o seu cortejo de perturbações do humor, as
toxicomanias, o autismo, os fenômenos psicossomáticos – termos nem sempre
novos, mas que apresentam uma insistência nova nas descrições clínicas – orga-
nizam daqui por diante, para a maioria, o campo da saúde mental. Que temos a
dizer disso? Certas perturbações do humor e estados limites parecem participar
do trabalho da dissolução da clínica operada pelo DSM IV, por meio do deslizar
metonímico das suas formas (I, II, III, IV...). A anorexia e a psicossomática, pela
extensão que lhe são dadas hoje, participam, certamente, do mesmo fenômeno,
fazendo desaparecer dessa nosografia a categoria da histeria.
Enfim, o autismo, pela imprecisão da sua conceituação na psiquiatria
atual, e a toxicomania, pelo fascínio que exerce no legislador

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