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Resumo Direito da União Europeia
Prof. Dra. MARIA LUISA DUARTE – 2011/2012
por Filipe Mimoso e Patrícia Ganhão
1.º. União Europeia e Direito da União Europeia: Terminologia e 
Enquadramento
Desde a criação das três Comunidades Europeias, na década de 
cinquenta do século XX, a expressão Direito Comunitário tornou-se a 
fórmula mais comum de designação do conjunto de regras e princípios 
aplicáveis à existência e ao funcionamento da estrutura comunitária de 
poder. 
Com a assinatura da chamada Constituição Europeia, em Outubro de 
2004, conquistou algum espaço a designação Direito Constitucional da 
União Europeia, mas a opção, com o abandono formal do Tratado 
Constitucional e o retorno ao modelo clássico do tratado internacional 
através do Tratado de Lisboa, revelar-se-ia, afinal, prematura.
A expressão singela União Europeia, completada pela fórmula narrativa de 
estática e dinâmica da ordem jurídica eurocomunitária, será, quanto 
a nós, a mais adequada para descrever a nova realidade resultante do 
Tratado de Lisboa, em particular a extinção da Comunidade Europeia e a 
afirmação plena da União Europeia.
A opção por uma ou outra designação reflecte, basicamente, um 
determinado critério metodológico e uma certa abordagem do modelo 
jurídico da integração europeia. A terminologia não é, no Direito, apenas 
uma questão de gosto ou de preferência pessoal. As expressões mais 
comuns do Direito Comunitário, Direito das Comunidades Europeias ou 
Direito da União Europeia assentam sobre o critério finalístico, porquanto se 
destaca o objectivo da integração como verdadeiro mote jurídico. Entre nos, 
esta expressão ainda associada aos aspectos jurídicos da integração 
económica e, nesta medida, não reflecte a pluralidade de fins, alguns deles 
claramente meta-económicos, que, há muito, passaram a orientar a 
actuação da União Europeia. Já a formula Direito Constitucional e Direito 
Administrativo da União privilegia o conteúdo regulador deste Direito; por 
outro lado, e será este, porventura, o traço mais distintivo e, em nossa 
opinião mais discutível, pressupõe uma determinada abordagem politico-
ideológica que vê na União Europeia uma pré-formação de Estado, 
imputando-lhe características típicas da fenomenologia estadual, como 
sejam a existência de uma constituição e a afirmação de um poder 
constituinte próprio. A designação Direito Administrativo Comunitário, 
Direito Administrativo Europeu ou Direito Administrativo da União Europeia 
não é, seguramente, adequada como sinonimo de direito institucional geral. 
Note-se, alias, que o direito administrativo na União Europeia adquiriu 
autonomia no ensino do Direito da União Europeia, referindo-se ao 
1
conhecimento “dos princípios e regras que regulam o exercício da função 
específica de execução administrativa das normas previstas nos tratados 
institutivos ou adoptados em sua aplicação”.
No novo quadro definido pelo Tratado de Lisboa, que, recorde-se, 
extinguiu a Comunidade Europeia e eliminou do texto dos Tratados toda e 
qualquer referência ao termo comunitário e derivados, podermos continuar 
a falar de Direito Comunitário. Não temos dúvidas acerca da suficiência e 
adequação da expressão Direito da União Europeia para descrever o 
conjunto de regras e princípios conformadores do estatuto jurídico da União 
Europeia. A expressão Direito Comunitário designa o direito criado e 
aplicado segundo o método comunitário que não só sobreviveu ao Tratado 
de Lisboa como nele se viu reforçado. Sem por em causa a natureza 
adquirida da expressão comunitário no processo de construção da União 
Europeia, mas com o objectivo de sublinhar a sua adaptação a esta nova 
etapa encetada com o Tratado de Lisboa, temos proposto a formula 
compósita eurocomunitário que, com inteira propriedade, descreve a 
singularidade do modelo jurídico da União, de génese comunitária e de base 
europeia.
O Direito da União Europeia não é um ramo do Direito; ele é, com todas as 
características, um ordenamento jurídico autónomo e pluridimensional. Uma 
característica identitária do Direito da União Europeia é a sua 
expansibilidade, de tal modo que, no estádio actual de evolução, deparamos 
com normas eurocomunitárias sobre os mais variados aspectos da 
regulação jurídica da vida social. A vocação de crescimento do normativo 
comunitário é, diríamos, tentacular. A normatividade de fonte comunitária 
insinuou-se em quase todos os espaços típicos de regulamentação interna.
O Direito da União Europeia designa o conjunto de regras e 
princípios que regem a existência e o funcionamento da União 
Europeia.
O Direito da União Europeia, enquanto expressão de uma ordem 
jurídica própria e autónoma, corresponde a um bloco de legalidade, plural 
nas suas fontes, abrangente em relação aos destinatários das respectivas 
normas e muito amplo no seu escopo de regulação material. No conjunto 
deste universo normativo, podemos distinguir, pelo menos, duas acepções 
de Direito da União Europeia:
• Em sentido lato – o Direito da União Europeia abrange todas as 
disposições aplicáveis à estrutura institucional da União Europeia, 
incluindo as regras e princípios definidos pelo decisor 
eurocomunitário com vista à regulação de aspectos relevantes da 
vida social, directa e indirectamente relacionados com os objectivos 
de integração;
• Em sentido restrito – o Direito da União Europeia, despido de 
qualquer outra adjectivação, sói identificar o chamado Direito 
2
Institucional, porque relativo ao funcionamento da estrutura decisória 
da União Europeia.
Nesta obra, a selecção e o tratamento das diferentes matérias seguiu a 
representação do que entendemos ser, no estádio actual de evolução da 
União Europeia, o Direito Institucional ou, com maior propriedade, o Direito 
Funcional, por oposição a Direito Material, da União Europeia, que molda e 
delimita o exercício das funções da União Europeia, como entidade decisora 
(função politica, função legislativa, função judicial, função administrativa).
Para melhor vincar o significado da distinção proposta, diremos, então, que 
a ordem jurídica da União Europeia pode ser representada como uma 
árvore, dotada de um bem definido sistema radicular, que suporta um 
tronco forte e robusto a partir do qual se desenvolvem, em crescente 
multiplicação, ramos de corpo proporcionado à respectiva função vital. 
Legendando a metáfora da árvore: os valores fundamentais e identitários da 
União Europeia (comuns a todos os Estados membros), tal como descritos 
pelos Tratados, são as raízes do sistema 1 ; o tronco congrega as regras e 
princípios aplicáveis ao funcionamento da estrutura decisional da União 
Europeia (tratados institutivos ou constitutivos); finalmente, os ramos desta 
árvore imaginária correspondem à metáfora comum dos ramos do Direito, 
porque identificam as diferentes áreas de regulação material de fonte 
comunitária (inicialmente com pendor económico; seguidamente de 
integração política e social; extendeu-se depois a quase todos os domínios 
do Direito).
1 As raízes representam o modelo de Estado de Direito:
- Submissão do poder político à lei;
- Representatividade democrática
No nosso estudo, embora centrado nas matérias que, vastas e 
complexas, se reconduzem à noção do tronco da árvore, não deixaremos de 
valorizar uma perspectiva de conjunto, com referências, por um lado ao 
núcleo inspirador e paramétrico dos valores fundamentais e, por outro lado, 
a certas regras de disciplina material cuja

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